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segunda-feira, 16 de maio de 2011

athem


Painel e blablabla



(Quando interpretamos o que sonhamos e o que fazemos o bastante pra expor de alguma forma, nós temos nossa própria obra prima; e como todas as nossas obras, um dia serão lembranças, não exatamente como todos os nossos sonhos...)


Tento sentir seu cheiro (misto de canela, água de coco, algodão doce, livro velho e caixa vazia), tento formar nosso diálogos na minha cabeça doentia e desenhar seus traços com todas as cores que me fazem esquecer do resto e trazer você a tona;
Eu penso nos comodos claros e limpos da sua casa, na sua roupa branca, em como você vê a eleição que passou, o que você vê nos quadros que vemos, o que acha de comprar coisas que adoramos, o que voce gasta seu tempo e dinheiro; como voce tem dinheiro e como você deixa de ter, na sua mania de correr e de paralisar, na sua mania de me alongar, se você faz comida bem e se o seu mundo é quente ou frio;
A idéia que eu faço é que eu te faço idêntico a minha outra metade, na linha tênue de todas as vezes que também a sou; então você é como eu, e como eu, aonde você vive?
31/10/08 - fotolog



quarta-feira, 13 de abril de 2011

empavecer-lhe


Argucioso,
subterfúgio de êxtase,
Enlevo como lasso:
Ora amparo ora resguardo;
Na meia luz da meia vida;
Do inteiriço belle époque: (meu cântico sussurrado);
No espelho se espelha traços ambíguos;


Essa languidez de alma fugida (fudida)
De volta ao subterfúgio
Não me rendo
Nem ao enlevo, mesmo volúvel ao léu
O que faz o significado em teste lascivo?
...Tudo é emparvecer.


2008, diário

[kandinsky_improvisation30.jpg]
kandisnsky
 

distinto



Longiquo os versos artificiais tão nobres,
a hipocrisia tão belamente contorcida em língua portuguesa;
Prostituição de prosa que não cresce, nem desvenda.
Só permanece oprimida, isenta, disparatada, incapaz
Que nem a pena torna-se tão estúpida
Quanto abruptos reflexos incapazes
Da própria falta de vida:


Entre voltar do mundo ou para mundo é sentir em vazio;
À sentir a vida despejando gota a gota impura morte;
Prefere-se o dominar casto da própria;
Impune, eximido, à olhar de cima o cuspe de vingança nobre,
A grandeza em alma resistente de baixeza imoral
tripúdio do próprio prazer que revela, norteia.
Puritana singeleza da verdade à ferro, ardente, fria.
Extemporânea que têm a tudo pertencente:
ausência; perfeição.


(2008)

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lapa PeB

Lugar sujo, poças de lama e tanta gente pra lá e pra cá.
Uma barraca parecida com aquelas que colocam brincos e cordoes etc
nas ruas cedo, fora transformada em um bar itinerante com garrafinhas pet
de várias cores fluorescentes diferentes, verde, rosa shock, laranja shock, amarelo-marca texto. Achei que as bebidas seriam servidas ali, mas não, era em um copo grande desses de plástico - de colocar guaraná e cantar parabéns com música da xuxa.
Pedi  uma caipirinha de morango que mais tarde parecia tripa, em um vermelho fígado tenebroso. Mas era alimento e bebida ao mesmo tempo, valia a pena.
Um rapaz de cabelo comprido chama o ''barmen'' da tal barraca de família. "E AÍ FAMÍLIA, ME VÊ UMA FODCA". Rio alto, ele olha pra mim risonho, comento que achei engraçado chamar de "família" e ele: "somos todos uma família, esse aqui é meu primo".
Eu disse que o barmen era meu irmão. Meu irmão nos ofereceu mais açúcar.

Dos becos molhados músicas diversas, um funk antigo e mulheres grandes
dançando com gays pequenos. Do meu lado cai um cara, empurrado por outro,
que mais parecia ter saído da possa de lama (e assim levava o outro em seu lugar).


Marchando, tudo estranho, pessoas conhecidas, tudo aquilo parecia um maldito bloco fora de época teoricamente. Prático era ser daquele jeito mesmo. 
Um garoto extremamente bêbado tinha o nome do meu pai e repetia coisas caóticas que bebados repetem, pois era um menino ainda, queria parecer um velho bêbado que fala coisas caóticas que bêbados falam e por isso assim agia e dizia que amigo meu era um irmão pra ele, apontando, abraçando e discorrendo várias bandas de gosto comum aos dois.
Vejo uma cara conhecida, ali fico até sair dali e ir pro tal gramado "calvo''. Achei
isso engraçadinho. Caras de cabelo comprido, projetos de mutantes.
Apresentações de meninas simpáticas.
Signos à parte. ''Vamos no banheiro perto do arco íris"
Ok, vamos.
Era um bar/restaurante, não podia entrar com bebida - então deixei minha tripa com cachaça no lado de fora e entramos no banheiro quente. As meninas mijaram, acho que falei coisas de meninas e saímos, estava quente demais mesmo.

Tinha um bar com nome tipo ''deleite'', com luz vermelha e uma escada misteriosa.
Queria ir ali, mas supostamente era caro. Uma menina dava dicas de como varrer
para um lixeiro que varria uma porrada de coisas do chão, onde as pessoas acham super normal jogar copos e papéis. Sabe, é como se limpo não fosse o lugar que queriam
estar e sabiam que estavam. Ou seja, se lá estivesse limpo eles não estariam ali, ficariam desconfigurados. Enfim, rinocerontes de Ionesco em seu Teatro nonsense.
 
Pés doendo, bares fechados - isso é a famosa lapa? ok, ali todos eram irmãos,
mas as coisas boas fechavam cedo. Desculpa, se for assim prefiro rio das trevas, perto da roça. Nos restara um bar com forró que as 8 da manhã tocava "chupa que é de uva". Achei justo, tinha um cara que parecia o hit - o palhaço  que come crianças na obra prima do medo. Uma das bebidas era gengibre  com cachaça. ''Quero isso aí mesmo''. Pombos voavam meio putos da vida e construções históricas me deixavam menos perturbada com aquilo tudo.
 
Dá pra beber e voltar pela manhã sem problema se é justamente nessa hora
que  a bebedeira te rouba a consciência e assim não se cansa de andar e andar.
MAS estava consciente e por isso essa parte não foi legal - tirei os sapatos
e andei pela lama nada poética já que era dia. Um casal colocou uma toalhinha
em cima de uma mesa no meio da calçada e pôs-se a vender café, chocolate quente e café com leite. Ela nos deu um copinho (estilo copo grátis de café do mercado) com um outro copinho embaixo, já que estava muito quente. Tentamos comprar um pão com manteiga,
mas cobraram quase 5 reais, achei um absurdo e quase coloquei as mãos pro alto.
"Pastel chinês, pastel chinês", amigo meu repetia, e  repetia também "cigarro, cigarro,
varejo!" há, e parando no meio do caminho pra comentar com olhar sensacional, completando: "ficarei por aqui, o bar numseioquê (nao lembro o nome e seria antiético dizer também) precisa de mim".
"Se comprar um cigarro a varejo eu juro que vou embora daqui no 1o ônibus". -
digo. 

Treme o ônibus e pra mim é como estar em um berço, já que meus pés estavam doendo demais e finalmente havia sentado.

Mais um tempo e páro em um ponto, pensando: "ó, e agora, quem poderá me defender?".
Antes do chapolim colorado aparecer, um cara de moto amarela parou e disse: "oi, sou eu". Eu disse: "não conheço você" e ele ficou olhando. Repeti: "não te conheço". Bem, finalmente ele se foi - fiquei pensativa, será que era o chapolim? Não era.
Logo estou sã e salva, com os pés em uma água maravilhosa. Uma hora acordo e sou feliz por lavar os pés durante mais duas horas.




foto


Só fica legal em preto e branco.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Alavancas

Meia no tapete.
Tapete no frio do chão refletindo um labirinto de azulejos úmidos.
O que será que aconteceu?
Lá do fundo nos fundos com eco no vácuo ressoa só sol, La, si do piano.
Escorrega no chão, equilibra-se com as mãos, volta e se estende: o céu que não vê.
O que será que aconteceu.
Pousa o olhar: bailarinas de gesso querendo se quebrar no ar enquanto a base gira, gira, gira.
Repousa o olhar. Nevoas socorrendo o negro da noite que chega quando fecham os olhos, chuviscos que parecem transições de rádio que não querem parar em lembrança alguma.
O que será que aconteceu?
Tateia as próprias mãos. Seca, pequena? Macia. Seco pode ser áspero?
Tateia a boca: macia, sensível, realmente macia, muito.
A pele toda macia com alguns pontinhos como estrelinhas: o que sente aqui sente ali: enquanto descobre a maciez do rosto percebe a leveza das mãos e o canto dos lábios se abrindo em um sorriso nascente, fazendo uma vírgula. E pede o gosto que os dedos trazem do resto da pele, descobre a maciez da língua.
Pára.