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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Flor de maio IV






em alegria ou surpresas, passavam-se igualmente todos os dias no castelo em que moravam duas princesas, Flor de Maio e Flor de Abril, que, apesar do nome, ainda não haviam florescido. Flor de Maio era quieta e Flor de Abril quase não falava. Se a primeira era melancólica, a segunda era tristonha. Se uma era solitária, a outra estava sempre sozinha. Eram irmãs, mas não se faziam companhia e, como o castelo era muito grande, nunca se cruzavam.
Assim, durante muito tempo, até que veio um inverno como nunca viera antes. Lagos e fontes gelaram completamente, calaram-se os pássaros e as torres do castelo vestiram-se de branco por longos meses e mais pareciam noivas das montanhas. A natureza emudeceu e as pessoas pouco falavam. Reinava um silêncio glacial. E foi assim que Flor de Maio e Flor de Abril encontraram-se na sala dos manuscritos.
Reinava também o silêncio, mas povoado de palavras magnificamente bordadas no papel, de iluminuras luminosas, de desenhos que podiam quase falar. E num pesado livro que contava sobre as plantas, Flor de Maio encontrou seu nome e sentiu-se flor. Mas Flor de Abril não encontrou nada e sentiu-se ainda mais só. Arrastando sua dor e tristeza, procurou seu nome no livro dos monstros, das bruxas, dos bichos e até dos mortos. Não se encontrou em nenhuma página e sua fria tristeza confundiu-se com o Inverno. Parecia que a princesa acompanhava o silêncio da estação.
Parecia que a estação entendia o silêncio da princesa. Meses de silêncio e a fome começou a se instalar. O trigo gemia sob a terra, querendo nascer, mas o Inverno, solidário com a princesa, não se ia embora. Não se sabe ao certo se foi por medo da fome ou por compaixão, mas Flor de Maio enfrentou o vento frio e foi ao jardim remexer na terra. E, debaixo de espessas camadas de neve, descobriu um arbusto em cujos galhos começava a despontar um broto, sugerindo um futuro de flor. Era o mês de abril.
Flor de Maio levou a irmã para fora e mostrou-lhe a descoberta: uma flor de abril. A triste princesa sentiu-se botão e sorriu.Naquele mesmo instante, um tímido sol novo descortinou a névoa e convidou a Primavera a voltar. A nova estação veria duas magníficas flores desabrocharem juntas nos jardins do castelo.

( fonte : Revista "MUNDO e MISSÃO", histórias medievais )



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bolaños eterno

Roberto Bolaños fala sobre a morte etc. - matéria postada em Agosto de 2010 no bog da televisa: Televisa Brasil

 
O ator e criador do 'Chaves', Roberto Gómez Bolaños, confessou em uma entrevista ao diário chileno 'La Tercera', que anda pensando muito na morte.
Aos seus 81(2 agora!) anos de idade, o intérprete do Chaves comentou que apesar de pensar muito nisso, a morte não tira seus sonhos.
"A morte não me preocupa, simplesmente me dá curiosidade (...) Tem que chegar para todos, penso nela diariamente. E não é de agora, desde sempre. É a super incógnita: o que vai acontecer. Me angustia, mas não muito. Acredito que não acontecerá nada terrivel", afirmou.
Bolaños disse que o que lhe preocupa realmente é saber oque acontecerá com seus filhos e sua esposa Florinda Meza (Dona Florinda), quando ele se for: "Isso é incontrolável (a morte). Eu só lhes disse: Deus permita que continuem bem, não serei responsável com o que vai acontecer com vocês depois de minha morte", explicou.
O ator e produtor disse que em sua vida há uma 'dívida pendente' pela quebra do elenco com o qual popularizou a série televisiva 'Chaves do 8', que o levou a enfrentar seu colega Carlos Villagrán (Quico) e Maria Antonieta de las Nieves (Chiquinha) na justiça.
"Pode ser que uma divida pendente seja o fim não amigável desta equipe. Este tema me dói um pouco, porque sim, houveram excessos mas nunca de minha parte, sempre foram meus queridos e eu quero bem a todos. Se alguém disse algo imprudente, não me chateio, só tenho pena e tristeza, porque essa equipe foi meu maior orgulho. Eu inclusive me vi superado por muitos, como por Ramón Valdez (Seu Madruga). Se alguém não aproveitou o sucesso do programa, já é problema deles", concluiu.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Visão da kabbalah sobre Almas gêmeas


|existem almas gêmeas?|




De acordo com a Kabbalah, sim. Antes de virem para este planeta, os aspectos femininos e masculinos da alma eram unidos. Quando vieram para este mundo, e não vieram necessariamente ao mesmo tempo, o masculino e o feminino se separaram, criando assim o conceito de almas gêmeas, que são almas que se complementam totalmente.

O casamento entre almas gêmeas é muito raro, e podemos dizer que atualmente, 90% dos casamentos são processos de correção. Antes de se reunir a sua alma gêmea, é necessário que cada pessoa encontre o seu caminho espiritual, seja ele qual for, e trabalhe para o seu crescimento individual. Só então é que terá o mérito de encontrar sua alma gêmea, para reunir-se a ela e continuarem juntos o seu trabalho espiritual. Por esse motivo são necessários os casamentos entre pessoas que não são almas gêmeas, e são muitos os aspectos pelos quais os parceiros podem ser necessários um ao outro, até que chegue o momento apropriado para a reunião com a alma gêmea. Podemos até ter um bom casamento, termos bons filhos, sermos felizes nesse relacionamento, sem significar que este seja o encontro com nossa alma gêmea. Pode se passar muitas vidas sem que se encontre a alma gêmea, até que o homem e a mulher alcancem o nível de consciência espiritual para se reconhecerem, e no momento propício, o encontro acontecerá.

Em geral, almas gêmeas são pessoas bastante diferentes, com criação e educação distintas, e dificilmente são pessoas que se conhecem desde pequenas. Normalmente, são pessoas que viveram por tempos distantes uma da outra, ou até próximas, mas sem se conhecerem até o momento do encontro. Geralmente são aqueles relacionamentos que parecem impossíveis de dar certo, e muitas vezes o casal enfrenta muitas dificuldades para poderem ficar juntos. Mas apesar das diferenças, gostos e necessidades individuais, existem grandes semelhanças e afinidades em termos de ideologias e objetivos de vida. Há entre eles uma habilidade quase telepática, o que é a pista mais evidente de que se trata de almas gêmeas. Entretanto, um casamento entre almas gêmeas não significa que seja perfeito, que não haja discussões e problemas a serem enfrentados. Tudo faz parte do processo de crescimento individual ou do casal. Quando se encontra a alma - gêmea sem ainda ter completado o tikun (correção), o relacionamento ainda não é perfeito. Mas uma parte de nosso tikun (correção) só pode ser realizada junto com a nossa alma gêmea. Essa é a razão pela qual existe o divórcio no judaísmo. Se uma pessoa casada encontrasse sua alma gêmea e não existisse o divórcio, seu parceiro teria que morrer para que ela pudesse se reunir a sua alma - gêmea, já que esse encontro é muito forte e tem que acontecer de qualquer jeito. Mais do que a plenitude do casal , o encontro das almas - gêmeas ocorre por uma causa maior, em benefício do universo, por isso esse encontro é tão necessário e poderoso.

Por Rabino Joseph Saltoun *


*Rabino Joseph Saltoun é formado como Rabino da Cabala há  mais de 20 anos pelo Rabino P. S. Berg, grande mestre da Cabala e atual dirigente geral do Centro de Estudos da Cabala Internacional. Rabino Joseph Saltoun é estudante do Zohar e tem atuado como professor de Cabala em vários países, como Israel, França, Estados Unidos, México e, atualmente, no Brasil, onde dirige o Centro de estudos da Cabala, em São Paulo. Dedicando a sua vida aos ensinamentos da Cabala, Rabino Joseph Saltoun continua o caminho de todos os grandes cabalistas da história, que é o cumprimento da finalidade das profecias cabalísticas sobre iluminação da consciência messiânica da Nova Era.

terça-feira, 14 de outubro de 2008




Você foi embora novamente e me deixou confabulando as lembranças que você quer esquecer.

Lembranças que já não temos mais, mas que em algum lugar dentro de nós nos conduz a luz que procuramos, tal luz que não encontramos enquanto não olharmos pra dentro de nós.

Desculpe-me não ter olhado pra dentro de ti novamente, só não queria me perder em equívocos, em mágoas que já não aguento que se repitam, a ilusão que vem de uma expectativa de que um orvalho suavemente vire pérola dentro de nós.

Queria poder explicar de forma menos redundante as coisas da vida.

Mesmo que a complexidade dos pensamentos que giram acabe em algo clichê, o clichê parece simples, mas é de uma dificuldade de se realizar imensa, enquanto só queremos recomeçar e desfazer as raízes.

Essas raízes não serão arrancadas, você pode puxar o mais forte que sua força física conseguir, mas sua força espiritual ainda existe escondida por você, porém guiando-te como se estivesse te assombrando nos cantos que você se esconde achando que na escuridão a luz não chega.

Foi no meio da escuridão que surgimos quando o universo explodiu em um choque de receber e dar energias infinitas.

Agora é a hora de darmos e isso é o que escolhemos quando nos submetemos a essa vida de influências negativas, de futilidades, egoísmo, de coisas que precisamos usar um instindo diferente do que estamos acostumados.

O sol só vai ter o mesmo impacto se afastarmos essa cortina que nos impede de achar que fazemos parte dessa natureza perfeita, e acabamos por nos destruir destruindo o que nos rodeia e com medo de algo nos destruir.

Nada irá destruir você, nem você mesmo, então pare de temer e tentar se esconder do que crê, reflita se a sua vida é mesmo um amontoado de traumas e ultrapasse esse limite físico que o cega, deixando de olhar o que o novo dia no poente o oferece como um recomeço.

Consciente de seu potencial espiritual, desfaça as amarras que o mundo impôs pra que ultrapassasse o que acha que ainda é limite, o que vê como trauma encare como desafio.


Atrás da cortina ha desafios realmente difíceis, que pedem esforço das suas entranhas mais do que dor de cabeça no dia seguinte.

Não é a ultima vez que você cai, não é a primeira vez que você se joga no chão. Então não se esqueça de usar mais do que existe dentro de você e se preocupar menos com o que você mesmo menospreza, mas acaba por encontrar-se também atado a parte física das coisas.


O amor verdadeiro não o faz sofrer, a jornada verdadeira não o angustia - a verdadeira dificuldade do seu rumo não é o destino dele, não é a vitória, e sim as amarras de que ainda se encontra preso e estas sim não só dependem de você, mas também não só de outros.

Poderia ser simples e fazer meus olhos se enxerem d'água ao dizer que tudo isso depende do amor.

O amor das atitudes com senso comum, do respeito que não é só hierarquia, é um sentimento de admiração espiritual, um sentimento de preocupação que talvez te assuste por ter e por ser "preso". Mas não é prisão alguém se preocupar por te amar como você é, e é um engano achar que não lhe conhecem de coração, até por que seu coração dói e quem esteve com você as vezes que nem você estava com você mesmo, foram as pessoas que te amam e ainda te amam.

´

Precisamos compreender tambem que o mundo está cheio de ilusões, falso moralismo, leis artificiais, hipocrisia, carência e as tais influências que qualquer pessoa está sujeita, é difícil achar que é diferente, as vezes é ótimo se achar diferente, as vezes é apenas um fardo sentir mais que os outros parecem sentir, mas as pessoas sentem muito e profundamente e, mesmo que eu nao tenha muita propriedade, posso dizer que tocar profundamente alguém é algo difícil que se estivermos em contato com nosso âmago, será mais fácil que dizer apenas "sim" a alguém.

O amor é duro, é árduo, o amor é uma determinação infinita difícil de se lidar, você escorrega em suas lágrimas e se levanta novamente, por mais que não queira, está lá com ele e ele muitas vezes fisicamente longe, está tão perto quanto seu âmago.


A compaixão é difícil agora e talvez piore. A insegurança das pessoas é enorme, o medo que se instala já que a coragem só se direciona as coisas que podemos alcançar materialmente e facilmente, como paixões e padrões altos. Nós sabemos que ambos fazem parte daqui, mas é só desse plano substancial e não da nossa verdadeira parte, é só perguntar-se: O que faz parte de você?

Olhos negros, manchas vermelhas no branco que vai se acabando, formas indefinidas ao olhar.

Essas subjetividades só mostram a distância que tens do material, das coisas mundanas como paixões e uma energia extra dada por substâncias que também não fazem parte de você.

Quais são as verdadeiras coisas que fazem parte de nós?


É algo que reflito todos os dias, é algo que todos nós vamos refletir e deixar que as coisas que não nos fazem bem se apaguem, dando lugar ao novo dia em que podemos começar a plantar as coisas que fazem mesmo parte de nós e sermos o que queremos, somos, precisamos e sentimos.

Transmitirmos o que queremos é fácil quando todos estão de coraçao aberto. Estar de coraçao aberto é mais corajoso que todo o resto, e é uma força absurda sentir afastando as vozes ao nosso redor, ao que nos quer ver sucumbir pra ter companhia no proprio medo.

Nao subestime o amor que sente e a capacidade que tens.

Mesmo que vire as costas pras pessoas que te dão as mãos pra ter companhia na própria evolução, nunca estaremos longe.

Uma das certezas de nós é que fazemos parte um do outro, desculpe as vezes que caí e não acreditei em mim, por que foram elas que me fizeram não acreditar em nós.

Sinta-se a vontade pra nos abraçar, eu me sinto a vontade pra dizer que essa dor que sinto

talvez seja necessária, mas espero que você volte pra rirmos juntos.

Eu te amo


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Invernal



“Nem pense em ser romântico mais uma vez”. A idade já passou, estamos em uma época de distúrbios sentimentais no mundo, tecnologia avança, o que temos por dentro vai ficando para trás, incompreendido.
''Não que eu mesma me inclua nisso tudo'', mas tentar reaver isso tudo nas pessoas é uma parte boa para se explorar. É meio irresistível até.

O pior disso tudo é você mesmo não saber sobre o seu interior, não expor, ninguém sabe o que sente de fato, e ninguém um dia lerá seus olhos com a precisão do espelho - que, como você, também não se lê. 

Quem me conheceu na tenra infância, conhece uma parte que tentava ser compreendida, tentava mostrar alguma coisa, e era carinhosa, bastante; então fica até mais fácil, como um contraponto para hoje em dia, “que não é nada, que não penso nada; que não quero nada”. 

Em matéria de apaixonar-se, realmente não desejo nada, mas esse clima começa a ficar agudo para as pessoas no outono-inverno. Se é pelos filmes no frio (cobertor, chocolate), pela impossibilidade de sair em plena chuva, não sei, talvez os doces que engordam também tem a ver. 

A questão é que duas pessoas diferentes, com vidas opostas ou até parecidas (mas segredos individuais) namoram nessas épocas. Um ou outro traem, continuam, são hipócritas, pensam em oportunidades com outras pessoas, acham normal e coisas assim. Presenciar isso é meio nojento, mas ao menos reafirma que não podemos cair em ilusões imbecis, mesmo que eu sempre insista em dizer: “depende de cada pessoa”, hoje em dia, todas elas estão borbulhando de incertezas que fazem a insegurança (já que todos somos inseguros) amassar seus projetos românticos –
Mas...
e o que é o romance além de teatro? 

Nunca deixarei de pensar no romance como um teatro, no sexo casual como um teatro, em relacionamentos simplórios cujos segredos mantêm-se guardados, nada se divide e ambos têm intenções que, para mim, já destroem uma relação. Portanto, não existe relação que não seja a dita perversa, dividindo pessoas, conflitos e etc, como na em uma série da GNT, casais “modernos”, do qual os protagonistas são casais bem velhos que transam com outros casais ou com outro individuo, mas tem uma sinceridade e um “amor” que não “acaba”, afinal, a liberdade existe dentro da relação – e como existe – porém em comum acordo de sexo e bens. É justo.

"O que é amor de verdade?" - É o clássico, por sendo clássico poderia citar tantos poemas ou até Nelson que mesmo fazendo todas aquelas putarias só se referia a como as pessoas veem o amor, e não como ele acredita: " sendo eterno". Mas vamos lá, citar pessoas é muito flou.

Amor de verdade não acaba nunca, é uma preocupação genuína, uma intimidade com outra personalidade, algo de saber seus limites e suas partículas mais sensíveis, conversar durante horas sem preocupar-se com tempo e o tempo passa rápido mesmo, é assustador, te deixa nervoso de verdade, por isso essa linha tênue com o ódio – como podes querer tanto alguém, e mais do que isso, a querer bem? – é meio angustiante pra quem vê, mas pra quem sente é algo natural e quando posto em distância, é algo no começo desesperador, mas a maturidade nos faz crer em outras coisas sobre caminho e vida. Quem ama não faz exatamente as coisas mais lindas ou ditas mais lindas ou certas, faz coisas menos estúpidas que os apaixonados, é claro, mas as vezes é difícil lidar com algo tão grandioso, algo que nos completa mesmo longe, algo que nos conquistou e não sabemos nem por onde, por onde tal pessoa pegou meus pesadelos e sonhos? É desagradável, vai. Mas quando conversamos com ela, é sempre tão agradável, não tem fim, você gosta de escutar a alma de quem fala, e não os acontecimentos exteriores, você gosta de falar com a voz da sua alma, e não sobre os acontecimentos exteriores, e fala dela se referindo a tudo, já que amor é de alma para alma, diria, portanto mais que intenso, a intensidade dos apaixonados é ilusória – você “ama” momentos, você se aproxima do que quer parecer da perfeição que poderia gerar ou ver em outros casos, apenas ver em alguém – e essa tal perfeição é tão estúpida, que eu não entendo por que da paixão. 

Entenderia a paixão de 2 dias. O respeito, mas quem tem certa consciência, recobra com a mesma força que volta a vida. Pessoalmente digo isso, pois é emocionante conhecer traços e a vida de mais alguém, é emocionante escuta-las sorrir, vê-las acordar, lidar com seus medos estúpidos, suas alegrias estúpidas, e é mais emocionante ainda fazer parte disso, ajudando, confraternizando sentimentos – dividindo-os sem por que nem para quê – apenas para sentir a alma do mundo, dos acontecimentos, do acaso. Fora isso, não conseguiria deglutir seu sono, sua estupidez, seu sorriso egoísta, e nada disso mais dia nenhum, pois existe a consciência, e ela, como sua alma, não ficaria tão confortável com a vida de um outro estúpido se remexendo com a sua, se intrometendo no cotidiano mesmo que ele não seja lá tão rotineiro, mas sua alma é uma rotina de valores e sendo assim não existe forma de continuar achando belo o feio, a não ser naqueles um dia e meio dos quais decifrou sentimentos, conquistou pensamentos, e foi paixão, realmente paixão. E é claro, paixão acaba e quando isso acontece vira arrependimento – e para não virar esse chato arrependimento o bom é não seguir, seguir paixão já não entendendo suas raízes ou seus frutos (pois não existem) é o que os casais corriqueiros fazem e por isso não dividem nada, não vivem em si mais que os momentos arrastados e com carência, mais tempo arrastados. Então a paixão dura dois dias.
O amor dura para sempre, como podes conhecer a alma de alguém – e sentir conforto e vontade de confortá-la perante um mundo fútil – e isto acabar? Só acaba se não for verdadeiro, pois a alma, o âmago, não muda, por mais que as experiências aconteçam e os sofrimentos a iludam.
E quem não acredita em alma, tem alma também, mas caso realmente não acredita, é daquelas que amam um determinado ex e vivem procurando esquece-lo toda a vida, com paixões, com terapias, com casualidades, com trabalho ou talvez, nem encontrar tenha encontrado aquele amor, aquele conforto, mas há de acontecer, é inevitável.
E é clássico: "Pode o amor virar amor de amigo". Foi sempre discutido isso, já ouvi falar sobre isso e já falei sobre isso. Mas descrever mais profundamente é diferente.
Acredito que sim, mas internamente não será, se virar será sempre aquele amor contido. A questão é: depois de tanto tempo, depois de sofrimentos ou intempéries, já que o ser humano criado em tal sociedade não poderia engolir seu amor vivenciando uma paixão, uma possível outra situação, mesmo que esta exista longe do tempo em que ambos eram eles e agora apenas são ele e ele, e tal faz isso e outro faz aquilo – vivem suas vidas – iludem-se, morrem. Mas quem é capaz de entender que mesmo com a distancia, mesmo com os casos enfadonhos, os casos ilusórios, os casos do contratempo o outro só sente com tua própria alma, e a sua é da mesma forma, mesmo contracenando com mediocridades emocionais da vida, irão seguir pelo caminho que os conforta. E o depois?
É aí que está: quem ama não se preocupa muito com isso, não existe um depois assustador.
A pior parte foi conhecer-se, a pior parte foi entender, foi rebuscar seus sentidos e se deparar com outros, portanto, o que resta é uma família, a verdadeira família.