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terça-feira, 3 de abril de 2012

Ciência e espiritualidade I


Um Diálogo Fraterno sobre Ciência e Espiritismo I

Ademir Xavier e Alexandre Fontes da Fonseca

Apresentação

Durante o final de 2003 e início de 2004 diversos e-mails encaminhados ao GEAE versavam sobre a relação entre a Ciência e o Espiritismo. Questões e Comentários que nos levaram a discutir o tema e buscar uma forma de sintetizá-lo.
Desta busca nasceu este artigo, em forma de diálogo, onde os participantes são Ademir Xavier e Alexandre Fontes da Fonseca. A apresentação de cada um deles se fará mais detalhadamente no início do diálogo, mas basicamente são dois Espíritas de formação cientifica e especialização na área da Física.
Além destes participantes diretos, tivemos também a participação dos editores do GEAE, comentando e ajudando no encaminhamento do diálogo. De minha parte fiz o papel de moderador e de compilador das respostas. A ordem das perguntas e sua organização final refletem a estruturação em um artigo para o Boletim mas foram originariamente e-mails trocados durante o debate.
Com o propósito de organizar o debate adotamos por regra colocar inicialmente a questão debatida e a seguir a resposta de cada um dos participantes, ordenadas por ordem alfabética. As réplicas e tréplicas, quando houverem, seguirão após as respostas originais.
Muita Paz,
Carlos Iglesia

Definição de Escopo

Na definição de Allan Kardec o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações (KARDEC, 1995)
Decorre já desta definição um relacionamento entre a metodologia de pesquisa da Doutrina Espírita e a das ciências ordinárias, bem como uma correlação entre seus avanços e o aperfeiçoamento da compreensão filosófica do mundo - conceito que os filósofos alemães celebrizaram com o nome de "Weltanschauung" (visão de mundo) - proposta pelo Espiritismo.
Aparentemente simples estes relacionamentos tem levado defensores e opositores da doutrina a repetidas confusões. Desde as mais simples - como atribuir a cada nova descoberta cientifica foros de comprovação ou reprovação de afirmações espíritas pontuais - até as mais refinadas como as que buscam enquadrar a ciência espírita dentro dos estreitos limites obedecidos pela epistemologia[1] das ciências ordinárias, esquecendo-se que o Espiritismo não só lida com fenômenos espirituais que escapam a mensuração direta por instrumentos materiais como também é em parte “Revelação”.
É portanto no esclarecimento destes relacionamentos que focaremos nossa atenção. O que se pode dizer sobre a relação Espiritismo e Ciência ordinária? Como as descobertas nos dois campos se relacionam e como podem ser extrapoladas de um para outro. Qual o ferramental para estas análises e o seu critério de validade.

Os Participantes

Uma vez que estaremos tratando de temas bastante especializados é importante que sejam apresentados os participantes, indicando o seu nível de conhecimento no campo científico. Ambos prefeririam ser identificados da forma mais singela possível, mas neste caso em especial, precisaremos nos ater mais as regras que seguem publicações especializadas em ciência do que propriamente as que costumamos usar. Assim:
[Ademir] Recebeu seu PhD em Física em 1997 na Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP trabalhando com aproximações semiclássicas a sistemas quânticos unidimensionais e bidimensionais. Após um curto estágio na Universidade de Freiburg in Breisgau, Alemanha, publicou vários trabalhos em física de aceleradores com especial atenção à otimização de anéis aceleradores de elétrons de altas energias. Atualmente dedica-se à pesquisa operacional, geração automática de programação de produção, desenho de sistemas ópticos e de RF e reconhecimento de imagens. É membro do conselho editorial do GEAE desde 1997, com particular interesse em epistemologia e na relação Ciência-Espiritismo.
[Alexandre] Freqüenta o centro espírita desde pequeno mas passou a se interessar pela leitura e estudo da doutrina espírita aos 15 anos de idade. É Físico formado pela Unicamp onde também realiza os cursos de mestrado e doutorado. Atualmente é pós-doutorando no Instituto de Física da USP. Já visitou como estágios de período mais ou menos curto o Departamento de Matemática da Universidade do Arizona, o Instituto de Física Teórica no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e o Departamento de Química de RUTGERS, The State University of New Jersey. É cientista, físico, em inicio de carreira com alguns poucos artigos publicados.

Debate

1) É importante começarmos pela definição do que estamos discutindo, assim é natural que a primeira pergunta seja o que é “Ciência”?
[Ademir] Uma definição popular diz que a ciência é a parte do conhecimento que estuda a Natureza. Uma resposta precisa, clara e definitiva é entretanto impossível de ser feita em tão curto espaço, requerendo conhecimentos específicos da área da filosofia conhecida como epistemologia. Ver Boletim 300 para maiores explanações nessa área por Silvio S Chibeni.
A resposta na primeira frase acima está muito longe de ser definitiva e torna-se importante saber o que caracteriza uma determinada disciplina como tendo status de "ciência". Isso é mais fácil de fazer do que o contrário. A reivindicação por parte de muitas disciplinas (tais como biblioteconomia, história, psicologia, estudos sociais etc) desse status tornou-se algo muito procurado hoje em dia, dado o prestígio de que a atividade científica - gerada pelo trabalho de ciências tais como biologia, física, química - tem na sociedade. O prestígio vem sobretudo (no meu entender) das conseqüências palpáveis na vida moderna da atividade científica tais como as inumeráveis aplicações tecnológicas, a prevenção e cura de doenças, a projeção de sistemas biológicos com propriedades específicas etc.
Em geral, o que caracteriza uma ciência bem estabelecida após atingir o estágio de maturidade é a existência de um paradigma que coordena, direciona e estabelece a pesquisa científica. O conceito de paradigma como princípio organizador da atividade genuinamente científica suplanta as concepções populares sobre a existência de um "método científico". Mas uma imensa maioria de pessoas (bem instruídas diga-se a verdade) ainda acredita que toda atividade científica deve seguir rigorosamente um método (científico) e que os resultados das pesquisas são "rigorosamente comprovados". Assim, pelo critério do método costuma-se desqualificar uma determinada disciplina - mormente se é o caso de o objeto de estudo ser de observação indireta (como veremos abaixo é o caso da Cosmologia, radioastronomia etc.) como tendo caráter científico. O Espiritismo - principalmente quando analisado em sua superfície e com visão pré-concebida, também tem seu caráter científico rejeitado, o que não é o caso.
Dentro da Doutrina Espírita podemos dizer que a atividade das chamadas ciências ordinárias (que seguem modelos ou paradigmas científicos bem estabelecidos) está intimamente relacionada ao estudo do elemento material. Obviamente que essa afirmação é válida dentro das visões de mundo onde o Espírito é elemento integrante da realidade. Nas visões onde esse elemento não é reconhecido, a única realidade é a matéria e disciplinas que pretendam estudar o elemento espiritual tem seu reconhecimento rejeitado.
[Alexandre] Uma definição (não sei é popular) de "método cientifico" é tal que diz que o conhecimento é construído/obtido a partir dos estágios:
1) Observação da natureza
2) Proposição de um modelo teórico
3) Teste do modelo através de experimentos
Porém, essa definição está longe de acontecer na realidade. O que a gente vê (e faz no nosso trabalho) é as vezes primeiro propor modelos, depois observar a natureza ou fazer testes através de experimentos e perceber algo novo ou etc. A ordem acima pode ser quebrada e como o Ademir respondeu em outras questões abaixo muitas predições dos modelos teóricos só foram verificados experimentalmente no futuro.
Portanto, como o Ademir escreveu acima, produzir conhecimento que mereça o adjetivo "científico" não requer seguir um método específico mas sim estar de acordo com o paradigma maior que define o campo de estudo.
O que eu gostaria de acrescentar é que, independente do campo de estudo, existe uma necessidade de verificar a descrição da realidade que criamos, isto é, verificar o modelo teórico. Esse é um ponto que é comum a todos os campos de estudo. E Kardec foi muito cuidadoso com esse aspecto ao criar um forte laço entre a codificação e os "fatos". No item VII da introdução do Livro dos Espíritos Kardec diz que os fatos é que dão a palavra final sobre a realidade. Em física, os "fatos" são verificados experimentalmente enquanto que em Cosmologia os "fatos" são apenas observados. Mas, dentro desse critério de verificação através dos fatos, a física, a cosmologia e o espiritismo são legítimos.

2) Dentro da ciência, qual é a posição da Física?
[Ademir] A física é a parte da ciência que estuda a matéria em seu estado mais elementar e primitivo. Essa definição também é muito limitada e, para ser complementada satisfatoriamente, exigiria uma grande explanação sobre os principais ramos de pesquisa da física moderna.
O que nos parece ser relevante conhecer a respeito do status científico da Física é sua estruturação completamente dentro dos moldes de paradigma. O exemplo mais marcante (e que influenciou a pesquisa na física desde o século 17) foi o desenvolvimento da mecânica. Rigorosamente a mecânica tem como objetivo estudar o estado de movimento da matéria. Aqui, por "matéria" podemos entender um simples "ponto material", ou seja, uma abstração teórica que se consegue tomando um objeto material de qualquer tamanho e reduzindo infinitamente suas dimensões (termo usado aqui em sentido não próprio da física), mantendo-se contudo inalterável sua "massa".
O estado de movimento em nosso "espaço" é definido na mecânica por um conjunto de seis coordenadas, três para a posição segundo um sistema de referência preferencialmente "inercial" e mais três para o momento ou quantidade de movimento igualmente medida nesse referencial.
Segundo a mecânica, dado uma descrição completa das forças que atuam nesse "ponto" é possível conhecer o estado futuro desse movimento. O conhecimento é tanto mais preciso quanto mais preciso forem nosso conhecimento a respeito do estado inicial. O fato é que com essas e outras noções foi possível explicar e prever admiravelmente uma grande quantidade de fenômenos observáveis. As leis da mecânica para o ponto material podem ser generalizada para distribuições arbitrárias de matéria e, juntamente com leis complementares (tais como as leis da gravitação, as forças de atrito etc), permitem explicar quase que a totalidade dos fenômenos de movimento observáveis (e muito mais complexos) tais como: fenômenos meteorológicos (uma extensão da mecânica aos fluidos), vibração de estruturas (teoria da elasticidade), levitação de objetos mais pesados que ar (dinâmica de fluidos), dinâmica dos planetas, cometas, origem do sistema solar etc.
De todos as divisões da física não é exagero dizer que a mecânica exerceu maior influência em outros ramos paralelos tais como os desenvolvimentos tecnológicos nas engenharias. De olho nesse sucesso, muitas disciplinas procuram se esforçar para atingir um nível de madureza como atingido pela mecânica na física.
O caráter científico da mecânica vem assim de sua estruturação na forma de um "paradigma". Esse se confunde com as leis de movimento de Newton complementados por leis particulares que servem para conectar o paradigma à realidade da Natureza. A noção de paradigma é estendida a outros ramos da física sem exceção: eletromagnetismo, física nuclear, termodinâmica, física estatística, mecânica quântica, óptica etc. A noção de paradigma ou a estruturação do conhecimento científico como um paradigma não foi feito de caso pensado na física. Antes, desenvolveu-se de maneira totalmente independente entre os vários campos e pode ser inferido posteriormente pelas pesquisas em história da ciência.
Repetimos que o paradigma é um indício muito forte de amadurecimento de uma disciplina como científica - independentemente do campo de estudo. Assim, se uma disciplina se dispõe a estudar o elemento espiritual -através de suas inúmeras manifestações - e conseguir atingir o nível paradigmático, terá atingido maturidade científica. Esse é o caso do Espiritismo (ver referências abaixo).
[Alexandre] Nada a acrescentar às palavras do Ademir.
3) Dentro da Física, quais são os campos de estudos que lidam com a física quântica e com a cosmologia? Em que diferem seus métodos de trabalho e objetivos?
[Ademir] Mais propriamente falando a "mecânica quântica" (sinônimo para física quântica) é o ramo da física que se formou como uma extensão da mecânica - é uma mecânica de fato - mas que dispõe de um paradigma completamente diferente da mecânica clássica. A mecânica quântica tem como objeto de estudo os estados da matéria em seu nível mais elementar, lidando com quantidades de movimento ínfimas se comparadas às quantidades de movimento associados aos fenômenos do dia-a-dia.
A cosmologia é uma área intermediária entre a astronomia (através da astrofísica) e da física cujo objetivo é formular modelos de universo. Diferentemente da física, a astronomia seguiu um caminho próprio. A astronomia é uma ciência muito mais "fenomenológica" no sentido que tende a formular modelos que se adaptem ao máximo ao que se observa no céu (lembremos do caso do sistema de Ptolomeu dos planetas orbitando a Terra, inclusive o Sol).
A interdisciplinaridade entre a astronomia e a física é algo de há muito bem estabelecido, seja através da astrofísica ou da mecânica celeste (uma aplicação da mecânica clássica determinista mais considerações geométricas de transformação entre sistemas de referência). Rigorosamente falando, do ponto de vista histórico, a evolução da compreensão do estado de movimento dos astros (um dos objetivos da astronomia) teve que esperar o desenvolvimento da física, principalmente a formulação do paradigma da mecânica. A pesquisa astronômica é independente contudo, sendo complementada através de modelos da física. Por exemplo, tomemos as observações de sistemas de estrelas binários muito próximos, a busca por discos de "acreção" adicionados os modelos para esses discos, a descrição estatística da distribuição e propriedade das estrelas - que desenvolveu-se independentemente da física, mas complementada por esta etc. Podemos dizer que a pesquisa astronômica vai muito longe, mas vai muito mais se feita em companhia da física.
A cosmologia desenvolve-se como um programa de pesquisa na forma de proposições de modelos de universo. Ligada à astronomia, a origem da cosmologia é muito antiga e todos os povos desenvolveram noções cosmológicas.
Mais modernamente, a cosmologia estrutura-se seguindo paradigmas da física tais como a relatividade geral, a mecânica de Newton e geometria. A adequação empírica das teorias cosmológicas é muito restrita dada a natureza do objeto de estudo: não se podem fazer experimentos, não é possível reproduzir os fenômenos e muito menos controlá-los. Podemos fazer um paralelo entre a cosmologia e a meteorologia: da mesma forma que aquela, a meteorologia sofre da impossibilidade de se fazer experimentos, tendo-se que contentar com a busca de modelos que representem fielmente o que é visto, dentro de noções mais abstratas de fundamentos que impedem a construção de modelos por mera geração ou proposição de leis que se adicionam infinitamente. O objetivo de uma atividade científica desse tipo é construir modelos que sejam simples e ao mesmo tempo suficientemente abrangentes para cobrir vasta gama de fenômenos.
Assim, se formos observar a base dos modelos dinâmicos para descrição de fenômenos meteorológicos, veremos que são bastante simples, fundamentados em conceitos primitivos da dinâmica de fluidos, termodinâmica e mecânica de Newton. A cosmologia, baseando-se em conceitos mais primitivos da física tais como a relatividade, a dinâmica e a geometria, propõe modelos de universo que visam descrever o estado do universo inicial - como uma extrapolação do que se observa hoje e, se possível, seu futuro. Não é difícil imaginar que diante da possibilidade de que as leis da física se alterem com o passar de muitos anos (o que não é admitido por princípio, mas é plausível) e de outros problemas teóricos, a descrição do universo primitivo e do futuro do universo sofre de inúmeros problemas, e conferem à cosmologia uma roupagem de "crença" aparente, visto que a idéia de crença se baseia popularmente na noção de algo que se acredita simplesmente.
Entretanto, a cosmologia enquadra-se no conceito de ciência pois possui um paradigma: atualmente o chamado "modelo padrão" (a despeito de problemas de adequação empírica que surgem pela descoberta de novos fatos e disponibilidade de novas observações), é o paradigma em uso pela cosmologia.
[Alexandre] Segundo o livro "Quantum Questions" do filósofo Ken Wilber (Shambhala Publications, Boston 2001), os grandes físicos (Heisenberg, Schroedinger, Planck,etc) tinham consciência de que a física (suas teorias) se alteram com o tempo. Inclusive, Wilber afirma que todos eles eram ao mesmo tempo religiosos e não concordavam que a física deve ser usada para explicar os fenômenos "místicos" justamente porque a física do amanhã pode vir a ser bem diferente da física do hoje. Wilber também menciona uma critica atual ao livro O Tao da Fisica (Fritjof Capra) porque o modelo usado pelo Capra (teoria do bootstrap) não é a mais aceita hoje (que é o modelo padrão).
André Luiz, no mecanismos da mediunidade, de forma muito interessante, ao meu ver, também menciona, como um cuidado a se tomar, que a ciência de um século muitas vezes é suplantada pela do século seguinte. Isso é um cuidado básico que devemos lembrar (que o Ademir lembrou bem).

(Publicado no Boletim GEAE Número 476 de 15 de junho de 2004)
(Continua no próximo Boletim GEAE
fonte  (E continuação, vai até VI)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Bhagavad-gita verso 35




ksetra-ksetrajnayor evam
aantaram jnana-caksusa
bhuta-prakrt-moksam ca
ye vidur yanti te param

Bhagavad-gita, Cap. 13, Verso 35



Tradução:
Aqueles que com os olhos do conhecimento vêem a diferença entre o corpo e o conhecedor do corpo, e podem também compreender o processo que consiste em libertar-se do cativeiro da natureza material, alcançam a meta suprema.





domingo, 5 de junho de 2011

Shemá


Shemá Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um

A Shemá é parte importante das orações judaicas e há o costume de recitá-la pela manhã ao rezarmos por mais uma noite de sono na qual fomos resguardados pela misericórdia divina e ao deitarmos quando damos graça por tudo o que nos aconteceu ao longo do dia.
Mas o que essa frase quer dizer? De acordo com o genial Aryeh Kaplan: 
A Shemá nos pede para ouvirmos com cada fibra de nosso ser, dizendo-nos para abrimos nossas percepções completamente, de modo a experimentarmos a unidade de Deus.
O nome Israel, usado no começo, é o nome dado a Jacó depois que ele luta com o anjo (Gênesis 32:28). De acordo com a Torá, o nome Israel quer dizer “ele que luta com o Divino”. Há uma série de discussões a respeito da natureza do anjo que Jacó enfrentou no caminho de volta para casa – se esse era um anjo de luz ou sombra. Independente disso, o ponto aqui é que quando uma pessoa luta com o divino, ela se abre tanto para o bem quanto para o mal – ao combater as forças do bem ou do mal.
Comentários afirmam que a luta entre Israel e o anjo deu-se em um estado meditativo, ao invés de um estado físico. O nome Israel pertenceria, portanto, ao estado espiritual e aos enfrentamentos nesse plano.
Uma vez em estado meditativo, nos conectamos ao espiritual. A Shemá se remete a qualquer um que medite em busca de uma resposta e faz um chamado ao Israel arquetípico dentro de nós.
Esse Israel arquetípico é a parte de nós que deseja transcender os limites físicos e busca o espiritual. A Shemá diz para esse Israel ouvir, para silenciar a mente completamente e perceber a mensagem da unidade de Deus. No entanto, só é possível ouvir perfeitamente e sem nenhuma intereferência em estado meditativo.
Quando dizemos Adonai, falamos daquilo para o qual a mente ainda não tem uma categoria definida. Ainda assim, na próxima palavra “Eloheinu” chamamos Adonai de “nosso Deus”, e reconhecemos que podemos nos relacionar com Deus e experimentar sua proximidade de tal maneira que podemos chamá-Lo de “nosso”. Esse é um conceito notável: podemos pensar a respeito do infinito e ainda assim chamá-lo de nosso. O fato de Deus permitir que O chamemos de noso  Deus é o maior presente possível.
A Shemá termina com “o Senhor é UM”. Aqui estamos a dizer que não importa de quantas maneiras diferentes experimentamos Deus, todas elas têm uma mesma fonte.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Onde estiveres

Onde estiveres, não percas a oportunidade de semear o bem.
Se a conversa gira em torno de uma pessoa, destaca-lhe as virtudes, recordando que todos ainda nos encontramos muito longe da perfeição.
Se o assunto descamba para comentários maliciosos, à cerca de certos acontecimentos, procura, discretamente, imprimir um novo rumo ao diálogo, sem te julgares superior a quem quer que seja.
Onde estiveres, não permitas que o mal conte com o teu apoio para se propagar.
Se muitos falam em tom de pessimismo sobre os problemas que afligem a Humanidade, demonstra a tua confiança no futuro, recordando aos interlocutores que nada acontece sem a permissão de Deus.
Se outros se transformam em profetas da descrença, quais se fossem eles mesmo os únicos a se salvarem do naufrágio dos valores morais em que o homem se debate neste ocaso de milênio, trabalha com todas as tuas forças na construção de um mundo melhor, porquanto um só exemplo tem mais poder de persuasão sobre as almas do que um milhão de palavras.
Onde estiveres, não te esqueças de que o bem necessita de ti como instrumento para manifestar-se e não cruzes os braços, como se nada tivesses a ver com o que acontece ao teu redor.


(Do livro "Confia e Serve", André Luiz, Francisco Cândido Xavier, Carlos A. Baccelli)

 

terça-feira, 27 de julho de 2010

Visão da kabbalah sobre Almas gêmeas


|existem almas gêmeas?|




De acordo com a Kabbalah, sim. Antes de virem para este planeta, os aspectos femininos e masculinos da alma eram unidos. Quando vieram para este mundo, e não vieram necessariamente ao mesmo tempo, o masculino e o feminino se separaram, criando assim o conceito de almas gêmeas, que são almas que se complementam totalmente.

O casamento entre almas gêmeas é muito raro, e podemos dizer que atualmente, 90% dos casamentos são processos de correção. Antes de se reunir a sua alma gêmea, é necessário que cada pessoa encontre o seu caminho espiritual, seja ele qual for, e trabalhe para o seu crescimento individual. Só então é que terá o mérito de encontrar sua alma gêmea, para reunir-se a ela e continuarem juntos o seu trabalho espiritual. Por esse motivo são necessários os casamentos entre pessoas que não são almas gêmeas, e são muitos os aspectos pelos quais os parceiros podem ser necessários um ao outro, até que chegue o momento apropriado para a reunião com a alma gêmea. Podemos até ter um bom casamento, termos bons filhos, sermos felizes nesse relacionamento, sem significar que este seja o encontro com nossa alma gêmea. Pode se passar muitas vidas sem que se encontre a alma gêmea, até que o homem e a mulher alcancem o nível de consciência espiritual para se reconhecerem, e no momento propício, o encontro acontecerá.

Em geral, almas gêmeas são pessoas bastante diferentes, com criação e educação distintas, e dificilmente são pessoas que se conhecem desde pequenas. Normalmente, são pessoas que viveram por tempos distantes uma da outra, ou até próximas, mas sem se conhecerem até o momento do encontro. Geralmente são aqueles relacionamentos que parecem impossíveis de dar certo, e muitas vezes o casal enfrenta muitas dificuldades para poderem ficar juntos. Mas apesar das diferenças, gostos e necessidades individuais, existem grandes semelhanças e afinidades em termos de ideologias e objetivos de vida. Há entre eles uma habilidade quase telepática, o que é a pista mais evidente de que se trata de almas gêmeas. Entretanto, um casamento entre almas gêmeas não significa que seja perfeito, que não haja discussões e problemas a serem enfrentados. Tudo faz parte do processo de crescimento individual ou do casal. Quando se encontra a alma - gêmea sem ainda ter completado o tikun (correção), o relacionamento ainda não é perfeito. Mas uma parte de nosso tikun (correção) só pode ser realizada junto com a nossa alma gêmea. Essa é a razão pela qual existe o divórcio no judaísmo. Se uma pessoa casada encontrasse sua alma gêmea e não existisse o divórcio, seu parceiro teria que morrer para que ela pudesse se reunir a sua alma - gêmea, já que esse encontro é muito forte e tem que acontecer de qualquer jeito. Mais do que a plenitude do casal , o encontro das almas - gêmeas ocorre por uma causa maior, em benefício do universo, por isso esse encontro é tão necessário e poderoso.

Por Rabino Joseph Saltoun *


*Rabino Joseph Saltoun é formado como Rabino da Cabala há  mais de 20 anos pelo Rabino P. S. Berg, grande mestre da Cabala e atual dirigente geral do Centro de Estudos da Cabala Internacional. Rabino Joseph Saltoun é estudante do Zohar e tem atuado como professor de Cabala em vários países, como Israel, França, Estados Unidos, México e, atualmente, no Brasil, onde dirige o Centro de estudos da Cabala, em São Paulo. Dedicando a sua vida aos ensinamentos da Cabala, Rabino Joseph Saltoun continua o caminho de todos os grandes cabalistas da história, que é o cumprimento da finalidade das profecias cabalísticas sobre iluminação da consciência messiânica da Nova Era.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Desfato"

Navegando no maior meio de informação livre (me limitando,
obviamente, ao método de abordagem sobre informações interligadas
ou vividas no dia dia das pessoas etc etc etc....)a Internet, encontrei algo
maravilhosamente interessante, um texto, simples texto e complexo em seu tema.

((((Pausa pra observação: tento explicar o que digo de um jeito formal, isso é bonito, mas percebo que a clareza tem a ver com acessibilidade de conhecimento comum.))))))

Enfim, o que quis dizer sobre "etc etc etc", é que navegar na internet nos abre uma porrada de informações verídicas ou não, depende de quem as aborda, as repassa. Ou seja, somos limitados ao impreciso, portanto se algo é interessante pesquisaremos antes suas raízes, e assim refletimos a respeito por meios de informação básica, sem necessariamente copiar. Como disse: se algo é interessante, não só pesquisaremos no google, temos que realmente pensar a respeito, ponderando informações! Bem comum as pessoas concluírem as coisas apenas pelo que lêem nos meios mais populares. Assim, quanto mais lêem coisas em sites, mais "sabem" por achar real (aliás, nem contestarem se é ou não, acham-se "conhecedores"!) e aí caem na contradição de não ter como acreditar em informações diferentes de um mesmo caso, elitizarem opiniões, o mais popular é considerado a verdade. Normalmente isso acontece com assuntos de ordem divina. Essa elitização é que causa a desigualdade, pensam: "ou é uma coisa ou é outra coisa", ninguém vê todas as manifestações ricas em mitos, fatos e culturas, que podemos nos conectar, não escolhendo uma, e sim realizando nossa própria. Mas, precisam ter uma informação formadíssima sobre a realidade - realidade relativa, ninguém tem a verdade!-, por isso
se dividem as religiões, opiniões sexuais e muitas outras coisas de muitas outras formas diferentes de canal desigual.
Isso não é conceito! Sócrates não pensou na dialética como verdade,
e sim um meio, e um meio necessariamente não requer conceitos, os conceitos são usados pra facilitar o diálogo, e não como uma opinião.
( Por que eu cismo que opinião tem o "p" mudo? Sempre, sempre! )

Pode parecer confuso e normalmente as pessoas acham que refletir e pesquisar sobre várias "concepções" é irreal, dando preferência ao olhar científico, que dão nomes pras coisas já ditas (o que seria perfeito se as pessoas não começassem a achar todo o resto, uma mentira)Causa o fanatismo religioso ou ateísta, dividindo pessoas e relacionando opiniões à classes.
A verdade é que acreditam que questionar o dito "realidade" é é perguntar demais, é ser vagabundo ocioso com tempo de fazer isso. É mentira? Só a parte do vagabundo. Essa é, na verdade, uma crítica não às classes e sim à desigualdade de informação. Li uma parte de "A política", e frisado estava sua afirmação: Operários trabalham pra outros e outros pra outros e pra outros, e assim nascem os filósofos, que são os que não precisam trabalhar, menos ainda com a força física. - Ele não falou assim, obviamente, mas a idéia é essa. *

"Do sistema é banida toda forma de inatismo, também os elementos primeiros do conhecimento - conceito e juízos - devem ser, de um modo e de outro, tirados da experiência, da representação sensível, cuja verdade imediata ele defende, porquanto os sentidos por si nunca nos enganam. O erro começa de uma falsa elaboração dos dados dos sentidos: a sensação, como o conceito, é sempre verdadeira. Por certo, metafisicamente, ontologicamente, o universal, o necessário, o inteligível, é anterior ao particular, ao contigente, ao sensível: mas, gnosiologicamente, psicologicamente existe primeiro o particular, o contigente, o sensível, que constituem precisamente o objeto próprio do nosso conhecimento sensível, que é o nosso primeiro conhecimento"


Opa, Brasil?
No caso do Brasil é complicado (melhor dizer "complicado" do que definir sem tantas certezas)e é óbvio que há uma manipulação de informações. Como alguém pode ser burro se nem sabe da existência de certas informações, por falta de acesso? As pessoas são inteligentíssimas, sabem conduzir a vida e isso é pura inteligência também ocasionada pela necessidade. A escola das informações pra muitas comunidades são as vivências dificultosas.

Estou a embaralhar tudo? Não! Tudo é interligado, é só pensar o por quê de cada coisa, até chegar o momento de simplesmente não ter o que responder, somente refletindo de verdade. A gente precisa disso, por mais difícil que seja o dia-dia, a mente não deve ser anulada por toda a movimentação social e urbana existente. Parece fácil, mas não é. Temos conceitos isolados enraizados em nós, e é difícil pensar o que está fora da própria realidade. Televisão,
boate, slogans, revistas, jornais, cacete, é muita informação, muita imagem fixada como ideal, muitos valores relacionados ao material, cacete, o Estado é manipulador. Generalizar demais dizer isso? A verdade é que os que estão no comando foram criados de diversas formas diferentes, valores diferentes. Isso exerce vital influência e ninguém tem coragem de ''se libertar'' desses conceitos, por pura insegurança. Somos todos extremamente inseguros. O Brasil ainda não é independente, dependemos da "sabedoria" do primeiro mundo, que afinal, em suas respectivas culturas é que foi introduzida nossa Cultura, somos fruto deles, eles nos criaram e por isso achamos impossível estarmos no caminho certo sendo alheios a certas tecnologias do primeiro mundo, com isso tentamos sempre nos atualizar com tudo isso. Mas não olhamos o que temos! E é justamente o que temos, que o primeiro mundo queria ter. Quando deixaremos de depender das tendências internacionais? Cacete, estamos importando até os desastres naturais do primeiro mundo! Meu Deus, ninguém quer viver no paraíso, colocaram máquinas, grandes construções, urbanizaram o paraíso! Imagine um paraíso, veja sua degradação e conclua
o quanto, até mesmo sem perceber, influenciamos nisso. Devemos lutar pra nos libertar. Uma vez puta da vida, contei ao diário que o Brasil é uma criança afro-descendente com uma arma na mão. Não temos papai ou mamãe em outro País, e se muitas vezes não nos libertamos, é por medo de apanhar, e somos frágeis. Existem um meio termo e o Brasil acontece em todos os atos das pessoas. Muita gente realmente capaz (experientes pela vida) não tem acesso
a informação que os rebelariam - e é esse o tema inicial, a questão inicial - a maioria dos que têm acesso à muita informação são 'burros' e nem mesmo as valorizam. Pode isso?
Queremos mais, sempre, não conseguimos ser inferiores. Mas essa questão de inferioridade não é real! Somos inferiores no que diz respeito à tecnologia e organização sócio política etc, mas se não dependêssemos disso, não seríamos inferiores e sim diferentes. Se for pensar assim, somos superiores na maioria das coisas naturais! Mas não é essa a comparação que valorizam, e sim a da tecnologia. Por quê? Por que eles não conseguem valorizar o que são inferiores. A inferioridade natural não é discutida, e sim a tecnologia que implementaram.
Tudo isso é relativo, e na realidade ia falar sobre o texto a seguir, que não só diz respeito à religião, mas à subjetividade de nossas ações também!

Minha mão tá doendo, quero fazer xixi, queria escrever mais, só que me incomoda pensar que em cadernos tenho esses mesmos temas mais explicados, e que aqui não está acessível o suficiente. Que merda, por que não pensar no prazer que temos de nos comunicar indiretamente com o mundo, de nos preocupar e interagir? A internet é pra isso, considero. Toda explicação aflita é verídica e compreensível. Creio que preciso explicar de uma forma mais clara, mas se assim fosse eu copiaria do que já escrevi antes. É como se eu reaquecesse algo que tava na geladeira, no microondas! Fica horrível!


Enfim, o texto!
"O Buda, muito longe de negar que havia um Absoluto, garantiu que aqueles que alcançassem a iluminação deveriam se fundir com Isso e assim perceber a Realidade em oposição ao mundo das ilusões e dos fenômenos. O que ele realmente disse, contudo, que tem levado pessoas a acusarem-no de ateísmo, é que não temos nenhum meio de expressar qualquer coisa sobre Isso. Palavras pertencem ao universo dos fenômenos e são aplicáveis apenas à ele. Quando alguém vai além dos fenômenos, em direção à Realidade, palavras precisam obrigatoriamente ser deixadas para trás. Nenhum ensinamento, nenhuma descrição, nenhum pensamento podem expressar o Absoluto -- mas podemos experimentá-lo, se suficientemente evoluídos.

O que Buda combateu foram as numerosas tentativas que foram feitas, estão sendo feitas e continuarão a ser feitas, de dizer que o Absoluto é isso ou aquilo, um Deus pessoal, um Criador, um Deus-Pai. Ele insistentemente recusou responder qualquer pergunta sobre o assunto porque isso era inexprimível em palavras. Ele não iria permitir a seus discípulos imaginar um Absoluto a semelhança deles, como é a tendência do homem em todo lugar. Ele assinalou sutilmente que é melhor se ajustar para tentar alcançar a iluminação e, assim, experimentar o Absoluto por si próprio, em vez de perder tempo tentando ineficazmente falar sobre isso, já que nada que possa ser dito sobre Isso pode ser verdade em absoluto. Palavras iriam inevitavelmente modificá-Lo e moldá-Lo, resultando no máximo em uma aproximação grosseira. Palavras podem ser verdadeiras apenas em certo nível, mas apenas nesse nível, portanto serão apenas verdades relativas. Assim, como um entendimento que só funciona por meio de palavras pode conter o que não pode ser colocado em palavras? Apenas pela experiência direta.

Se esse fato tivesse sido assimilado, às custas do orgulho humano, teria havido muito menos intolerância, violência e sofrimento cometidos em nome da religião, entre os vários adeptos de seus seus próprios credos; todos afirmando de maneira confiante e dogmática que somente eles receberam a Verdade e que todos os outros estão errados e devem ser salvos de sua ignorância voluntária.

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Então, se não há nenhum Deus no sentido de um Deus pessoal -- ou se for compreendido que conceitos de um Deus pessoal, um Criador ou um Deus-Pai, são apenas relativamente verdadeiros e adequados apenas a alguns estágios do desenvolvimento humano -- porque há tantas referências aos "deuses" [no budismo tibetano], sugerindo toda uma hierarquia?

A palavra páli "deva" é traduzida como "deus", mas na verdade significa "espírito", um ser de um reino superior que, no budismo, pode influenciar seres humanos, ajudar e protegê-los. A Terra não é o único mundo de seres da cosmologia budista. Há incontáveis universos em diferentes planos de existência, isto é, em diferentes estágios de desenvolvimento (espiritual). Alguns são mais elevados que nós (que somos a maioria). Alguns são inferiores. Há muitas referências a seres humanos renascendo em reinos superiores ou inferiores.

Mas, no budismo, não há lugar para a hierarquia massiva da religião Hindu, que acrescentou o próprio Buda a essa hierarquia (até os cristãos fizeram Dele um dos seus santos), nem para a Trindade de Criador, Preservador e Destruidor, nada exceto um Absoluto inexprimível. Em Sua direção as pessoas estão evoluindo ou involuindo, alguns se tornando espíritos de planos superiores, outros afundando em mundos inferiores. E todos pertencem ao mundo dos fenômenos, não à Realidade. Apenas o Absoluto é Real. E nem podemos realmente dizer isso sem declarar algo menor que a Verdade. Mas Ela está lá para ser realizada por alguém com o desejo e determinação como os de Milarepa.

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Todo ser humano, todo ser, é um Buda em potencial. Depende de cada um realizar sua própria Natureza Búdica.


Lobzang Jivaka
"The Life of Milarepa"