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terça-feira, 17 de maio de 2011

Robôs que não são

Quando estamos bem com uma idéia e determinados em realizá-la, nada é tão difícil que não podemos sobrepor.
Existe a autocrítica e a pressão social, a pressão familiar e a sentimental; estamos sendo pressionados todo o tempo, mas também estamos pressionando as pessoas todo o tempo também, até involuntariamente. A verdade é que não precisamos provar nada pra ninguém, mas sempre tentamos provar, assim como achamos sempre que as pessoas precisam provar que são assim, assim, assim.
Podíamos parar de pensar tanto e falar mais, viver mais, ter menos medo de parecer tão infantil, tão estúpidos, tão folgados e simplesmente sermos humanos e entendermos com compaixão os motivos e as carências dos outros... Mas só podemos fazer isso quando admitimos os nossos.
x²- Quando temos um vislumbre do que realmente queremos, não há nada nem ninguém que atrapalhe, principalmente quando só queremos que as pessoas sejam um pouco mais humanas que são e menos metidas a robôs que não são.
Então não levamos tão a sério nossos pequenos conflitos internos a ponto de atrapalhar nosso convívio com quem também tem conflitos nesse mundo de solidões colecionadas que deviam ser solidões unidas, numa individualidade saudável.

É fácil falar mesmo?

'Quem tira a foto sempre diz mais do que quem está sendo fotografado, com certeza - e é uma forma tão boa de unir um só pensamento, mesmo que seja com duas pessoas completamente diferentes. ' -

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lapa PeB

Lugar sujo, poças de lama e tanta gente pra lá e pra cá.
Uma barraca parecida com aquelas que colocam brincos e cordoes etc
nas ruas cedo, fora transformada em um bar itinerante com garrafinhas pet
de várias cores fluorescentes diferentes, verde, rosa shock, laranja shock, amarelo-marca texto. Achei que as bebidas seriam servidas ali, mas não, era em um copo grande desses de plástico - de colocar guaraná e cantar parabéns com música da xuxa.
Pedi  uma caipirinha de morango que mais tarde parecia tripa, em um vermelho fígado tenebroso. Mas era alimento e bebida ao mesmo tempo, valia a pena.
Um rapaz de cabelo comprido chama o ''barmen'' da tal barraca de família. "E AÍ FAMÍLIA, ME VÊ UMA FODCA". Rio alto, ele olha pra mim risonho, comento que achei engraçado chamar de "família" e ele: "somos todos uma família, esse aqui é meu primo".
Eu disse que o barmen era meu irmão. Meu irmão nos ofereceu mais açúcar.

Dos becos molhados músicas diversas, um funk antigo e mulheres grandes
dançando com gays pequenos. Do meu lado cai um cara, empurrado por outro,
que mais parecia ter saído da possa de lama (e assim levava o outro em seu lugar).


Marchando, tudo estranho, pessoas conhecidas, tudo aquilo parecia um maldito bloco fora de época teoricamente. Prático era ser daquele jeito mesmo. 
Um garoto extremamente bêbado tinha o nome do meu pai e repetia coisas caóticas que bebados repetem, pois era um menino ainda, queria parecer um velho bêbado que fala coisas caóticas que bêbados falam e por isso assim agia e dizia que amigo meu era um irmão pra ele, apontando, abraçando e discorrendo várias bandas de gosto comum aos dois.
Vejo uma cara conhecida, ali fico até sair dali e ir pro tal gramado "calvo''. Achei
isso engraçadinho. Caras de cabelo comprido, projetos de mutantes.
Apresentações de meninas simpáticas.
Signos à parte. ''Vamos no banheiro perto do arco íris"
Ok, vamos.
Era um bar/restaurante, não podia entrar com bebida - então deixei minha tripa com cachaça no lado de fora e entramos no banheiro quente. As meninas mijaram, acho que falei coisas de meninas e saímos, estava quente demais mesmo.

Tinha um bar com nome tipo ''deleite'', com luz vermelha e uma escada misteriosa.
Queria ir ali, mas supostamente era caro. Uma menina dava dicas de como varrer
para um lixeiro que varria uma porrada de coisas do chão, onde as pessoas acham super normal jogar copos e papéis. Sabe, é como se limpo não fosse o lugar que queriam
estar e sabiam que estavam. Ou seja, se lá estivesse limpo eles não estariam ali, ficariam desconfigurados. Enfim, rinocerontes de Ionesco em seu Teatro nonsense.
 
Pés doendo, bares fechados - isso é a famosa lapa? ok, ali todos eram irmãos,
mas as coisas boas fechavam cedo. Desculpa, se for assim prefiro rio das trevas, perto da roça. Nos restara um bar com forró que as 8 da manhã tocava "chupa que é de uva". Achei justo, tinha um cara que parecia o hit - o palhaço  que come crianças na obra prima do medo. Uma das bebidas era gengibre  com cachaça. ''Quero isso aí mesmo''. Pombos voavam meio putos da vida e construções históricas me deixavam menos perturbada com aquilo tudo.
 
Dá pra beber e voltar pela manhã sem problema se é justamente nessa hora
que  a bebedeira te rouba a consciência e assim não se cansa de andar e andar.
MAS estava consciente e por isso essa parte não foi legal - tirei os sapatos
e andei pela lama nada poética já que era dia. Um casal colocou uma toalhinha
em cima de uma mesa no meio da calçada e pôs-se a vender café, chocolate quente e café com leite. Ela nos deu um copinho (estilo copo grátis de café do mercado) com um outro copinho embaixo, já que estava muito quente. Tentamos comprar um pão com manteiga,
mas cobraram quase 5 reais, achei um absurdo e quase coloquei as mãos pro alto.
"Pastel chinês, pastel chinês", amigo meu repetia, e  repetia também "cigarro, cigarro,
varejo!" há, e parando no meio do caminho pra comentar com olhar sensacional, completando: "ficarei por aqui, o bar numseioquê (nao lembro o nome e seria antiético dizer também) precisa de mim".
"Se comprar um cigarro a varejo eu juro que vou embora daqui no 1o ônibus". -
digo. 

Treme o ônibus e pra mim é como estar em um berço, já que meus pés estavam doendo demais e finalmente havia sentado.

Mais um tempo e páro em um ponto, pensando: "ó, e agora, quem poderá me defender?".
Antes do chapolim colorado aparecer, um cara de moto amarela parou e disse: "oi, sou eu". Eu disse: "não conheço você" e ele ficou olhando. Repeti: "não te conheço". Bem, finalmente ele se foi - fiquei pensativa, será que era o chapolim? Não era.
Logo estou sã e salva, com os pés em uma água maravilhosa. Uma hora acordo e sou feliz por lavar os pés durante mais duas horas.




foto


Só fica legal em preto e branco.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Trajetória

'Um toque e já está imóvel por dentro, tentando fugir por fora.
A negação é uma mentira gostosa, mais intensa que o charme.

Um toque
e um ano passa - agora os toques são de origem questionadora, os segredos tentam fugir de uma situação criada.

E mais um ano.

O toque não parece existir, é preciso entender a identidade.
Mais um e os toques existem, parecendo uma auto-carícia.
Se mover é demorado e a intimidade é um templo.
A vida vai agir e os anos poderão se tornar meses, depois dias, logo uma noite apenas, só mais uma. E não mais. 

Dez anos luz no escuro

A lembrança é agora um toque agressivo. Encurralados, pensam em voltar. Não existe toque mais intenso que o ultimo?
A esperança encontra abrigo onde as tristezas parecem lhes trancar. A tristeza, assim como pecado, parece pesar.
O que mais seria um toque se não uma promessa mansa e hipócrita?

Um tempo em comum e os toques se multiplicam, já existe o divino ali.
Tudo se acalma, mesmo as ondas que nunca cessam parecem não interferir. Nada mais lindo que o primeiro toque divino, unindo mais que laço.
O amor é, mas não parece.
Fagulhas de uma pequena explosão futura, a corrente estoura.

O que mais seria um primeiro toque do novo? A história não é mais tão doce. A doçura era então daquelas mentiras gostosas...

Ninguem se cansa de sentir, apenas tocar.
O toque a deixa vermelha, seus olhos ardem, uma flor se abre no ventre - só mais um olhar de um dia sem volta,
permeado de sonhos entrelaçados que o mundo nunca verá.


Dois pássaros a namorar

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Noção Zander


Faz uns anos me apaixonei por uma banda, "Noção de Nada". Tudo nela me fazia pensar: "foda". Suas letras
fora do óbvio e do amorzinho me prenderam, além de me amarrarem ainda pelo conjunto do instrumental, variando com Bossa nova e rock (sem rótulos específicos, se não vira viadagem).
Bem, daí que a banda nasceu em 94 e só a conheci em 2006, sendo amor a primeira escutada (e assim foi quase uma foda musical). Lembro-me que não teve tempo de ir a algum show do Noção (ok, teve, mas por falta de companhia pra ir, não fui - a unica pessoa que havia me apresentado era também a que eu não queria relacionar ao NN), a banda acabou por motivos normais dos quais sabemos 2% apenas, já que ter uma banda não é nada fácil, apesar de gostoso pra quem persevera.

Bem, foi na mesma época que conheci Dance of Days e me apaixonei por suas letras poéticas, valem um mundo inteiro de reflexões e "flores aos rebeldes que falharam" me acalmava. No dance conseguir ir em um ou dois shows maravilhosos, pulei e cantei. Comentei do Dance por gostar muito das letras, mas o vocal estilhaçado me assusta, como se fosse um primo rebelde meu. (nao tenho primos, muito menos rebeldes!) e essa é a diferença, não comparo absolutamente nada, mas quis comentar a trajetória não trágica do Dance, porém do Noção, que apesar de misturar Bossa nova e ser potencialmente LINDO, se foi. Adianta? Não sei, mas é verdade que o Dance era alma completamente, a banda inteira, e isso perpetua a banda.

Tá, a questão é que Bill (bill zander) e Phil (collins - sacanag) fizeram uma banda nova, disseram que ja tinham esse projeto e tudo mais. Fiquei puta e não quis escutar, até saber de um show do Zander aqui em JPA, onde moro (RJ!) em um lugar chamado TNQ que por sinal tocou também a banda da tal pessoa que me apresentou o Noçao de nada e que hoje é um amigo irmão. Ou seja, tive que ouvir e tive que ter mais uma foda musical - e foi gostosa de verdade.
Zander é uma banda mais ou menos do mesmo estilo, com bônus de faixas instrumentais que adoro, como "lembra o quê?". Apesar de umas letras tutacamônicas (gostei desse adjetivo, mas não existe nocexiste) ainda me conquista e queria deixar registrado com carinho, apesar de boladona de amor pelo Noção.


Entrevista (meio zuadinha) sobre o Fim do Noção de Nada: uol entrevista


Discografia do Noção de Nada:

    * Manifestos Líricos (1999) - Barulho Records
    * Trajes e Comportamentos de Acordo com os Eventos e as Ocasiões (2001) - Terceiro Mundo Produções Fonográficas
    * Faces do Terceiro Mundo (2002) - (4-way-split c\ Dead Fish, Reffer e Street Bulldogs) Terceiro Mundo Produções Fonográficas
    * Trilogia Suja de Copacabana (2004) - Manifesto Discos
    * Sem Gelo (2006) - Ideal Records/Manifesto Discos/Urubuz Records

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SIte da ZANDER: zanderblues

"vale tudo que não seja nos repetir" (Zander)

OBS: Bem, Zander é uma prova de que existem pessoas que só devem cantar
em português. (eles tem uma musica chamada sunglasses que tem um refrão legal e cola, mas não dá não)

Pegue a senha e aguarde - ridiculamente engraçado e lecal

Dialeto - romântico abeça, meio tudonavida e, por isso, comercial.

Outro Dia mais - Rrasô.
 ''Quem é que dura mais?'' (Pólvora) 







@zanderblues

RJ

29.10 – Espaço TNQ (Jacarepaguá/RJ)

06.11 Heavy Duty (Praça da Bandeira/RJ) c/ Confronto e Carbonize