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terça-feira, 17 de maio de 2011

ns 100%


Eu sei exatamente que música você está escutando enquanto finge que quer o mundo. Digo que não me importa, pressuponho demais, lido com meus pensamentos seus.

Sinto que todas as intimidades estão ao meu alcance, enquanto um momento pessoal desencadeia tantos outros, estarei ali todos os seus dias, no mesmo lugar que sentou pra pensar da ultima vez, recobrando alguma consciência.

Existe uma espécie de vivência paralela, parece que estou vivendo muitas realidades ao mesmo tempo, sempre presente apenas certa porcentagem em cada momento diferente simultâneo. A outra parte é comum em todos os outros momentos concomitantes, ou seja, 70% é comum em todas elas ( as vezes 60, de repente.), portanto 30% é um eu verdadeiro, não consciente, cheio de fantasias que só se realizam com 90% da felicidade de quem me acompanha.

_Percebo que esses 70% é a parte que garante o poder de viver todos eles(os momentos...) ao mesmo tempo, todos os 30%. A parte "ruim" é não me entregar 100% em nenhum momento, tendo consciência de sua simultaneidade. É como um clipe, uma situação é dividida em várias telas: uma faço sanduíches pra comermos antes de sair para nossos respectivos afazeres, outra faço brigadeiro pra vermos filme ao invés de estudarmos, outra faço suco de todas as frutas do mundo pra nós bebermos rindo antes de irmos a praia. Na outra cena faz comida pra nós (do nada, viro nós) comermos em uma mesa redonda. Em outra estou desenhando na parede de uma casa que não é minha, enquanto faço comida. Outra estou deitada enquanto diz eu te amo repetidas vezes. Outra cena o 'te amo' é dito com o rosto escondido, outra com resistência.

_Perceba que em todos os momentos vivo também outra pessoa, ou seja, essa coisa de não estar 100% ali é meio relativa, já que ninguém percebe, só os que querem arranjar um motivo pra fugir sem dizer que não aguentam e me decepcionar.

Mas que mal faz? Por que não poderiam todas essas cenas simultâneas serem reais, se até um dia temi que fossem sonhos? Me refiro ao que é melhor não dizer.
Tiro do começo das frases todos os "eus", como
eu gosto, eu me refiro, eu me dou conta, eu me assusto, eu acho, eu tenho, eu sou. Fica feio na norma culta.

Então sonhei que estávamos no meu primeiro colégio primário, misturado com o seu primeiro colégio primário.
Sonhei que a distância que percorria até meu destino colegial era enorme enquanto hoje posso ir andando até mesmo no perigo da noite e perder só 4 minutinhos, isto é, até viver a emoção de pegar um ônibus, ter um "registro de pessoa civil", é assim?
Bem, mas você já não estava mais quando o caminho de volta foi se tornando cada vez mais longo. (milvezes)

Enfim, finalmente não haviam cúmplices, admirei o mundo, percebi pouca movimentação dos traumas.
É engraçado, o que seria um terrível pesadelo, vejo como uma emoção tão pessoal e íntima agora,100% estável.

Ok, vou parar de dizer que o 100% é relativo só porque não sei decepcionar dizendo que não aguento.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Arnaldo Jabor_

'' Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.''

obs_síndromes

quarta-feira, 13 de abril de 2011

inconscientize-se


Da forma inconsciente explicite o que é e viva a sinceridade.
Prometa ao mundo a vida feita para ser continuação de si.
Em todas as mensagens aspire o extrair delas:
julgar apenas o que você mesmo escolhe para sua própria vida.
Respeitar o próximo e até mesmo crer que os que mais cometem o desumano são os que mais precisam de ajuda. 

A inocência de que as pessoas ''são o que são'' e as verdades são somas da sociedade é tão pouco quanto se auto-flagelar. É preciso ver além da sociologia.
Confiar que nunca será magoado é o mesmo que além de se iludir, mentir e assim, magoar.
A falta de dialogo sincero e de coração nas relações é imensa.
A dor e a violência, por conseguinte, também são. Precisamente imensa como o mundo e todos nós.
Basta termos a consciência de levar a luz e a paciência do dialogo de coração, juntamente aos projetos do mesmo. 

Quanto mais se é você mesmo e se quer a felicidade sincera, buscando sabedoria coletiva e harmonia, mais isto se multiplica entre nós e suas metas.
É o plano, meta, destino ou o que eu acreditar como fonte da minha luz eterna.
A fortaleza se constrói em si mesmo, mas é preciso criar a ponte que socorre os que precisam.
Não sinta a inveja, use a admiração como propulsora e siga no melhor propósito.
 

Viver bem é saber lutar, saber reaver, saber que o erro é necessário para o acerto e que a sorte não existe e sim a força interior. 

Usar as palavras, prosa ou música (ou a forma que mais o agrada de arte), como o melhor de sí -  para levantar-se e levantar o mundo. 
Posso levantá-lo sozinha, porque todos sem exceção precisam de mim, precisam de alguém, precisam de você. 
 
E meu maior sonho não é covarde: Ele é o que eu faço para realizá-lo e ser sempre eu mesma, a maior ferramenta para o bem, honestidade e compaixão. 

Não sugiro religião, sugiro sua própria personalidade e o que você sente ser verdade neste mundo e a evolução dele e de si mesmo.
A consciência universal: O bem como corrente, que não me basta dizer.
Sinto na pele a dor e a felicidade de ser honesta à mim e a isto. Mas juro, prometo à mim a capacidade de continuar, mesmo eu sendo o sacrifício, trago a mesma ferida que me fez estar aqui, para ascender aonde for.
As feridas do sofrimento e trauma é o que mais precisamos para sermos felizes, realmente felizes.

 
Felicidade é sabedoria interna. 


diário 2007

Salvador Dali


terça-feira, 29 de março de 2011

BARATA

Uma Barata Chamada Kafka

Inimigos Do Rei 

Composição : Luiz Guilherme/Marcelo Marques/Paulinho Moska

Encontrei uma barata na cozinha
Eu olhei prá ela
Ela olhou prá mim
Ofereci a ela
Um pedaço de pudim
O curioso foi que ela...
Ela disse: Sim!
Vem cá ficar comigo
Sim! Goste de tudo que eu gosto
Sim! Vem cá ficar comigo
Sim! Vem, kafka...
Ofereci a ela
Um disco do Sex pistols
Ofereci a ela
Uma batida de limão
Perguntei se ela
Gostava dos Beatles
Perguntei se ela
Era de escorpião...
Ela disse: Sim!
Vem cá ficar comigo
Sim! Goste de tudo que eu gosto
Sim! Vem cá ficar comigo
Sim! Vem, kafka...
Você mora na barata ribeiro
Num edifício
Que tem um buraco
Perto do chuveiro
Já se drogou com detefon
Insetizan, fumou baygon
Tudo quanto é tipo de veneno
Você acha bom...
Sim!
Vem cá ficar comigo
Sim! Goste de tudo que eu gosto
Sim! Vem cá ficar comigo
Sim! Vem, kafungá...
Como posso evitar
Essa coincidência
Encontrar uma barata
Com a minha aparência
Como posso evitar...
La Cucaracha La Cucaracha
Tome cuidado com a
Sandália de borracha...(2x)
Sim!
Vem cá ficar comigo
Sim! Goste de tudo que eu gosto
Sim! Vem cá ficar comigo
Sim! Vem, kafka...
La Cucaracha La Cucaracha
Tome cuidado com a
Sandália de borracha...(2x)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sem glamour algum

Por quê eu demoro tanto tempo escolhendo roupa?

- A pesquisa de preço é árdua. Não consigo comprar
algo sem ver em mais 3 lojas de diferentes bairros
o preço - e em ocasiões específicas de ir a tal bairro de qualquer forma.

Em copacabana tem uma loja bem parecida com
uma aqui da freguesia/JPA/zonaoeste: só que
as camisas de 10 reais são menos feias do que
as daqui, que também são 10 reais. Além dessas, também vestidos de 70, 35, 60, 55 reais, aí é óbvio que vou dizer: "estamos em copacabana, uma loja aqui é muito mais cara". É até por esse mesmo motivo que prefiro não comprar roupas em shopping.

Fui então até a Taquara/JPA/zonaoeste, o lugar mais perto (praquemmoranazonaoeste) pra se comprar roupas baratas. Show... Fui em mais de 5 lojas e, cara, coisas menos piores lá estavam por 60 reais - e ainda sim não eram do meu feitio.

Tem gente que acha 60 reais baratíssimo, o pessoal de copacabana por ex.. Agora, o pessoal da Taquara não acha o vestido de 60 caro? Não!
Pois acho caro e feio, meu Deus, pra quê tanta estampa? Céus, eu não quero estampa.

- Esse é feio, não dá não.
- Ué, mas é parecido com o que você está.
- Sim, e você acha que eu gosto do que eu tô?
É prático: barato e leve, por isso comprei e uso.

Aí as mulheres na loja repetem coisas como: "mulheres demoram muito pra escolher, não adianta!!" - etc.. Acho que outras mulheres, e homens
inclusive, fazem essa pesquisa de preço... Não são grande parte, mas sinceramente toda vez que compro roupa eu penso o que eu poderia estar comprando de produtivo com o dinheiro extra que pagaria se fosse em qualquer loja sem pesquisa alguma.
E aí, sou prática?

Não importa, ali sou mais uma mulher que demora pra comprar roupa.
Não tenho orgulho disso, não acho o máximo do feminino e engraçadinho a mulher se importar tanto com a aparência, ter tantos padrões e competição. Isso ainda é consequência de um machismo, ainda é a mulher se tornar escrava de uma beleza idealizada por homens ou para homens ou mulheres que pensam em padrões que nem sabem da onde vem - menos ainda se perguntam porquê. É bonito se tornar fantoche do capitalismo? É feminino gastar muito dinheiro em roupa?

Não julgo tecidos e o quanto são confortáveis, esquentam ou são frescos, concordo também com essa procura - afinal, quem pode, por que não comprar um tecido que lhe agrada mais, mesmo sendo mais caro? Trabalhou, manda vê, compra sim... Mas cara, poucas as pessoas que falam em tecido relacionando a conforto. O normal é relacionar ao preço, a "finura". 

Lembro de uma roda de discussão da faculdade em que o professor levantou a questão dos preços das coisas, influências etc.. Na sala a maioria das meninas falava bastante de bolsas. Há, e na sala inteira só tinha um cara - que faltava - o resto era mulher. ótimo? Bem, então uma mulher foi comentar que não ligava nem um pouco pra isso, que estava mais preocupada com outras coisas e tentava economizar sempre etc. Perguntei onde ela ia comprar roupa. "Vou ali no barra shopping mesmo, pra minha filha compro na bicho comeu blablabla". A bicho comeu é uma das lojas de roupa infantil mais caras do Rio, é uma marca conhecida e tal, assim como qualquer loja de shopping você vai encontrar preços maiores... Isso não é se importar? É ser alienada? E a alienação é culpa dela só? Não é só culpa dela e é sim um sintoma de influência, capitalismo, vaidade. Ninguém está livre da vaidade seja lá em quê área da vida, mas não querendo ser tão chata (mas já sendo chata), se  não se importa com marca etc. o que diabos fará na bicho comeu? No  barra shopping? Tem cartão da renner? leeder? Não têm. Foi uma discussão interessante e desinteressante é alfinetar as pessoas,
sabia que estava ali pra colocar em prática o que tanto falo: a união. 

A mulher é insegura, o homem é inseguro. Todos somos vítimas e também propulsores do capitalismo.

Nós alimentamos isso aí, sorrindo e achando graça de comerciais de lojas que exploram a busca da beleza padronizada. 


FEITIO

1. Forma, configuração, feição, conformação.
2. Corte; talho.
3. Fig. Espécie, laia, qualidade.
4. Carácter!Caráter, modo de pensar ou de proceder, génio, índole.
5. Mão-de-obra; preço do trabalho (do alfaiate, modista, etc.)
6. Excremento de coelho, raposa e outros animais.




''A existência da moda é uma das grandes sacadas da estrutura do sistema capitalista. As roupas, calçados, maquiagens, penteados, etc. mudam no mínimo a cada estação, isso faz com que os produtos se renovem a cada momento, mas a grande sacada desse setor é que muitas vezes podem ser apresentadas modas espelhadas em outras épocas, o que faz com que compremos novamente os produtos que tínhamos na década de 1970, ou seja, acabamos comprando duas vezes o mesmo produto só que em épocas diferentes, não necessariamente porque gostamos, mas porque o grupo social assim exige.
Cabe aqui ressaltar que a moda não trará novamente algo de cinco anos atrás, pois se corre o risco de eu ainda ter guardado no meu armário e, dessa maneira, não necessitarei fazer a compra.
Essa é a nossa famosa lógica do consumo, a qual está fundamentada na nossa cultura, na estrutura do sistema capitalista, e faz com que, por intermédio de vários patamares, sendo um deles a MODA, o fluxo financeiro continue fluindo concretizando a estrutura do sistema capitalista.
Revista Sociologia/Tatiana Martins Alméri é socióloga pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, mestre em Sociologia Política e professora na Unip e na Fatec (taalmeri2@hotmail.com)''

willtirando

sábado, 28 de agosto de 2010

Pokesabe




É estranho, as pessoas não se questionam sobre nada.

Pergunto o por que pras pessoas, por ex:
Por que você gosta de amarelo?
"por que sim, é bonito"
Sim, mas por que é bonito?
"Por que eu gosto"
"Certamente. MAS POR QUE VOCE GOSTA?
"Sei la carol, voce é maluca, por que SIM ué.

É normal de cara ter esse tipo de reação, mas depois é bom se perguntar, é libertador, você se conhece melhor. Sei, ninguém tem mais tempo pra se perguntar nada, correria da vida prática nos robotiza.
Mas se ainda sim queremos nos acalmar, uma boa forma é se perguntar as coisas. Dá pra fazer no ônibus, antes de dormir, enquanto come etc, ao invés de remoer coisas mal resolvidas, procurar erros baseados em conceitos gerais. Uma coisa é a forma como se administra alguma coisa, outra é como você se sente. Mas tudo isso se interliga... Enquanto ninguém se questiona seus próprios porquês, continuam vivendo o por quê geral, o que criticam até. Assim o sistema continua da mesma forma e pior que estar de qualquer maneira é não ser assimilado, estudado. Não conseguem (por que não tentam) simplesmente pensar de outra forma que não seja alguma lida ou que lhe ensinaram.
Não são pessoas burras, ninguém o é. Algumas pessoas não tem acesso a informações, outras que têm não aproveitam. Uma boa pergunta é "como aproveitar?"
Parece bobo apenas se perguntar o por quê de gostar de tal coisa, mas esse é o começo de um ciclo.
Nada é óbvio, só o dinheiro (quando vivo).
A intenção é conseguir um dia se perguntar por que de sentir ciúme, por que de sentir tanta preguiça, por que de sentir vergonha de algo... E tudo isso sem se saciar com respostas do tipo: "ah, por que me faz mal!", "me faz sofrer"! Sim, faz, mas por quê?
Se não entendermos o por quê, não nos entenderemos e parte da nossa personalidade será apenas sofrer, se lamentando por coisas que nem mesmo entendemos, mas que é '' normal '' não gostar. Importa mais o que você não gosta do que o que gosta, portanto é melhor começar por saber
exatamente o por quê de se agradar com coisas que muitas vezes sofremos por não ter, mas que se tivermos também sofreríamos, só que com o foco diferente.
É bom entender seu próprio mecanismo.
Ex: Não adianta tomar neusaldina sempre, a gente precisa saber o por quê de sentir sempre dor de cabeça!

Tente se perguntar o por quê das coisas, de todas elas e o por quê do por quê do por quê. Tá em uma fila reclamando? Quer uma revista pra se distrair? Tente pensar! Porra, se ler!

Enfim, "Por que sim" não é resposta
E creia, nem mesmo "sim" é resposta!

 fonte>:  Meu fotolog, Livre ILustrado *-*

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Conversando



Nós que lemos crônica mais do que lemos livros normais, por que, como Rubem dizia, somos preguiçosos, ou apenas por que somos mais realistas (ou as duas coisas não exatamente nesta ordem), apesar de escrevermos sobre o paralelo para entreter, lembramos de várias crônicas enquanto vivemos, andamos por aí e até ao abrir os olhos. Acredito que tudo é isso quando se vive atento ou atentado.
Mas a questão é que estava a pensar seriamente sobre clair de lune e vidas passadas quando me bateu uma vontade imensa de praticar a arte de fazer uma crônica - Algo dificílimo já que nunca se sabe quando realmente fez uma. 
Normalmente até na falta de assunto se faz uma crônica, pois, aliás, detalhes escondidos é que fazem as crônicas. Como Rubem Braga era brilhante mesmo sem assunto, alguns outros são ainda mais com assuntos pessoais (Arnaldo, Clarisse).
Confesso que o presente que mais adoro receber é livro, qualquer livro de crônicas. E confesso também que contos valem nesse meio, pois remetem ao mesmo ponto: idealizando uma época, ou denunciando, tudo nas entrelinhas.
Confesso também, algo meio óbvio em minha pessoa, que adoro o quente do escrito. O que é o quente do escrito? Alguns pensariam algo com relação a crônicas apimentadas, contos safados, ou aqueles que conheçam mais: tons mais sarcásticos.
Retruco então: vale tudo que tenha dom característico. Mas o quente do escrito é o que não se reavalia trocentas vezes depois de ser feito, o que não se relê a fim de mudar frases, colocar em outras partes, acrescentar isso ou aquilo que poderia isso ou aquilo para melhorar isso ou aquilo. Eu gosto é do quente do escrito. Originalidade, e isso não passa despercebido para os bons olhos analíticos, ou escreve por gostar ou gosta de escrever, ali e aqui, melhorar alguma coisa por isso e aquilo. Mas não serei sórdida: gostar de escrever é um dom, que também não passa despercebido, até por que, pega-se domínio pela escrita depois de um tempo, e essa é uma outra questão.
O domínio maior da escrita é quando conseguimos passar o que queremos? Acredito que não. Como uma pintura; cada um vê de uma forma, é meio impossível todos verem o que você quis passar, e isso até que é bom demais da conta, em muitos casos. No caso de fazer romance; no caso de ser canalha; no caso de um bom irônico (os três se enquadram em um só, acredite.) .

Fui pressionada emocionalmente muitas vezes, portanto acho que está na hora de falar algo pessoal sem que seja nas entrelinhas como de praxe, e isso eu ia colocar depois do texto a seguir, pois eu lembrei do por quê estaria contando o que estarei a contar, mas vi que seria meio redundante, meio bobo, como já está sendo, mas vamos lá, agora é minha parte "escrita quente" retocando.

Meu caso com a escrita vem de muito tempo, desde que aprendi a escrever. Começou escrevendo meu nome várias vezes, várias e várias, a fim de fazer um poema. O poema Carolina se estendeu por pouco tempo, até que veio outros, com lata (primeira palavra que aprendi) e outras, pois minha mãe me ensinou coisas antes que eu entrasse no colégio, e coisas em inglês também, mas isso que se dane por enquanto.
Então, era uma vez um diário: Tirando detalhes corriqueiros (um deles que eu ainda os tenho até hoje), fazia poemetos subjetivos, e assim foi sempre, assim como desenhar. Tentava até uma linguagem denotativa, mas o conotativo sempre tomou conta das linhas, em "desalento" e isso era um problema nas provas de redação. Bom, a melhor amiga da sala de aula fez um diário também, e trocávamos, e ela escrevia no meu e eu no dela, e isso acontecia até os 16 anos: já outras amigas, já outros diários, já outros assuntos, já outros poemas. E em várias épocas meus poemas eram dados na sala para serem copiados e entregues à namorados, ou para elas proprias sonharem.
Uns amigos aos 14 me pediam para escrever poemas para as sua queridas, até um dizer que na verdade estava apaixonado pela autora. Várias pessoas foram vítimas dos meus poemas sem saber, mas acredito sempre que foi na boa intenção, até começar a acreditar que podia ajudar as pessoas a fazer poemas, e esse foi meu grande pulo. Acho que a parte meio caótica era o melhor amigo que me mandava poema, ou o namoradinho, ou o outro namoradinho: analisar os poemas e pensar, " é... ele tentou, talvez tenha sido de coração?". Sempre acreditei que quem gostava, escrevia o quanto quisesse. E olhando para qualquer poema, acredito que não era tão realmente belo, pois hoje em dia não vejo tanta beleza em poema, em rima, e aquilo era infância, tudo era "grandiosamente profundo" para nós. E foi indo, nessa de " de repente, não mais que de repente..." e meu caso também com a leitura jovial clássica poética (ou não), tal que não era, definitivamente crônicas. Mas talvez isso eu conte outrora.
Hoje em dia, existem mais coisas além das rimas, da luz dos olhos, da dor desenfreada que no fundo era "bonitinho", dos minutos que duram o beijo e da música que escutamos enquanto ele rola, e até da bruma.
Hoje em dia existem mais coisas além de paixão, até por que, para mim, a paixão hoje em dia não me pega, pegava antes pela pouca resistência que tínhamos: éramos pequenos, tudo era "grandiosamente profundo".
Quando repetimos coisas em crônicas, enfatizamos idéias que vagam por nossa mente ou vagaram constantemente. Essa é uma crônica explicativa parcial da minha vida, talvez, ou, talvez não. Lembro então, começo de um diário: "Amar o perdido, deixa confundido, este coração..." . E de ir indo, assim foi.

Em um dado momento, minha perspectiva da escrita foi repassar idéias e assim foi até muito tempo, levando a escrita na boca: a conversa se tornou para mim um folheto explicativo, um livro de auto-ajuda ou até a tal linguagem denotativa, finalmente, só que misturada. Extraía de tudo que eu lia o melhor que podia - e que não podia. ...Constantemente reflito se o fato de querer ajudar é arrogância. É impossível alguém saber mais que outro? Pois é impossível alguém querer ajudar? Eu não sei, só sei que se escrever e ajudar são a mesma coisa na minha perspectiva, então é o que sempre farei, pois me dá vida e acredito que todos precisam fazer o mesmo.
É a única coisa que dou a dica, o resto é implícito e não a jato. Tudo a jato é considerado chatissimo. Tipo agora. Estou chatissima.

A escrita não só é dada como repassar idéias, mas ser subjetivo e expressar sentimentos, portanto não ignoro a poesia, em sí. Adoro-as. As como. Por isso, exatamente assim, continuo com a minha história sem fim com tudo isso, valorizando todas as formas de escrita e de exteriorização da alma.
Pois o que há de ser o humano, se passar a vida, sem expressar-se? Quero entender tudo e todos: e nessa árdua continuação de mim, já pensei em psicologia, serviço social, filosofia, artes e letras. Acabo enfim filosofando sobre o direito da escrita e da arte como veículo, fazendo meu serviço social.
Afinal, todo mundo sabe que facul de psicologia é a maior putaria mesmo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Auto


(Vladimir Kush)

Hoje quis ele fazer uma ponte consigo próprio, quis saber o que sentia para expor. E logo expõe aos montes, e grita, quando descobre-se debruçado em seus sonhos. Pensa se alguns têm o poder de fazer flores desabrocharem dentro de si, mesmo quando a flora intestinal não vai tão bem assim.
Esquece-se de idéias sobre ternura e sobre amargura e se permite fazer piadas com desgraças, que agora, nada mais são, que impulsos da vida.

É complicado até dizer "às vezes". É complicado até dizer que está com frio. Tudo é psicológico e tudo é simples ao mesmo tempo, a complicação vem do ângulo que se esta vendo.
Então como sempre, existe o relativo. E se ele não existisse, nunca existiriam os nossos complexos; que chamamos de ser "complexo".
Para o mundo, ela (e) era a doença ou era a cura. Era a beleza dos risos e ao mesmo tempo do: "por que ri, e se não amargo, por que doce agora? "

Quis responder-se mais do que um dia quis que o mundo o demonstrasse, e aí sim, o mundo lhe mostrou. Normal, não é? Típico dos que dizem que nunca acharam o amor quando o procuravam... E sim, quando nem esperavam por ele.
Também não é normal não. Tudo é mentirinha, cada caso é um caso e vamos lá falar em demasia e tirar ou dissecar a simplicidade das coisas como de praxe.
Ainda sim, a simplicidade das coisas pode vir a ser o tesouro maior delas...

Eis que permite enxergar que ouro é ouro por que não quebra, brilha sempre e nos permite, assim, lapidar... E, ora bolas, muitas brigas, de fato. As analogias deste podem corresponder a muitas coisas, depende de quem lê. Pessoalmente não digo nada mais dramático do que já disse ou já foi dito.
E se um dia disser, será de remeter-me ao crepúsculo. Até por que de nada adianta tudo sem o subjetivo. Cabalistas que o digam. A bíblia é muito ao pé da letra, não é? Seja subjetivo.
Quando escuta, quando fala, quando come queijo minas e quando deixa de comer.

Eis que é subjetivo quando descasca laranja, quando dá um beijo. Seja muito subjetivo ao beijar, se não nunca saberá fazê-lo. Ou nunca será realmente feliz.

E a felicidade, o que é dentro deste mundo? E o mundo não é uma cadeia, ou é, visto pelo ecossistema, mas... Tirando essas psceudobjetivas e ao mesmo tempo subjetivas, veja bem: ecossistema de falhas, de erros, de tentativas, precisa-se do outro e ao mesmo tempo mata-se, por precisar também. Em muitos casos fatais e outros problemas sócio-políticos, problemas "irremediáveis" ( nada que seja chato e sim que deva ser dito, explorado demasiadamente não só por ele, por elas, por telefone ou em mesa de bar fumando, etc. etc.)
Mas enfim, se for falar, demorarei muito mais. Portanto, continuando:
A felicidade, queria este expor, que só está dentro de nós. Muitos ajudam, mas se equilibrar em pessoas é falta de equilíbrio em sua própria “coluna vertebral psicológica”. E em religião, em sorvete, em cigarro, drogas. Drogas que podem chamar-se relacionamentos, compulsões em si, e auto-flagelamentos inesperados.
Mas oras, somos seres complexos, precisamos de coisas imbecis! Nãão, Mesmo assim, somos felizes, feitos para isso, exatamente isso.
Ser feliz e não desencadear discórdia, tentar ser veículo e ainda sim, ter equilíbrio. Não somos deuses, não somos anjos, não somos o Demo.

Eis que ele pensa que é um anjo, ora pois, nada faz para o mal. Mas tudo é relativo. O mal, o bom e principalmente quem nada faz.
Você, parado simplesmente, é o que chamam de: " esse povo que não faz nada" . " Esse povo de merda, acomodado". Você é uma estatística, uma fofoca, uma espécie que não esta em evolução. Esteja, por favor, é o mínimo e o máximo. Eis que não ligue para o que dizem, é o melhor, os que dizem são as piores estatísticas de fato, o que fazem é manipular verdades, como jornalistas de revistinha. Porém, todos de mal grado, com inveja na ponta da língua ou etc. e tal. Eis que é melhor seguir os seus fatos, aqueles que dentro de si gritam: Eu sou feliz assim, assim, assim.
Normalmente se você perguntar-se o que te faz feliz com clareza, terá resposta positiva. Positiva no sentido de: nada destrutivo para si mesmo nem para o mundo. A felicidade é uma fonte pura, quando a consegue, não se precisa de intermediários ilusórios.
E isso é até objetivo, a clareza é subjetiva quando se precisa de paz para isto.
E vamos lá: Como alguém tem paz para parar um tempo, “meditar” do seu modo e perguntar-se: “ o que me faz realmente bem, de fato?”, neste mundo? Se tiver este tempo, pergunte-se. E se não tiver, pergunte-se por que não têm, e verá que não está bem. E por que fazer coisas imbecis se você têm paz para alimentar seus sonhos?
Bom, algum começo.
Todos são capazes. Mas não de julgar. Recrio esta mesma frase de inúmeras formas, pois tenho calado mil formas de fazer o mundo feliz, e ainda sim, infeliz, ao desequilibrá-lo. Então melhor é transmitir tudo pouco à pouco. Cada um só entende o que precisa naquele momento e o melhor é tentar entender: o que precisa, o que o outro precisa e como repassar isto.

É fácil repassar de certo em arte, em música, em escrita.
A música é transmissão. Poucos os que vêem ainda como forma de fazer tocar a alma, fazer valer a pena os momentos mais do que fama, competição, etc. Mesmo assim, ainda é relativo. Mas ainda sim consegue-se perceber o agrado da vida em melodias perfeitas. Perfeitas, pois têm a capacidade de repassar um momento, um timbre de vida e tirar uma lágrima de si, de nós, de emoção - emoção é transbordar. Quem escuta, sente o que um dia sentiu quando escutou ou marcou. Outros, sentem a música, a vida. A amplitude dela se espalhar em cada canto.

Escutar com subjetividade é filosofia? Kant que o diga: o essencial é filosofar com tudo. Um dia eu prometo citar Platão, seria histórico.


Mas enfim, só escute e vá além, pois música é mais que tudo isso, música transforma pessoas, evolui. Não usamos economia nela e algumas vezes tudo é bem vindo. Quem faz, gosta de verdade e têm-se um paradoxo.
Como a pintura e suas adjacentes: vemos como cremos. É a coisa mais interessante saber o que cada um vê. Entender por quê Dora Maria vê um arco íris em um poço ou Mario (Sim, aquele Mario) vê uma grinalda em uma cachoeira. Acho que muita gente perde tempo com pequenezas, imagine se fizessem coisas realmente gostosas como essa... É uma soma fazer, entender algo. Entender o que cada um vê, também é multiplicar-se.
Ao mesmo tempo quem não gosta, que faça a própria arte, pois que diabo, não precisa saber fazer, somos a própria e a transmitimos, já nascemos sabendo. Incrível quem pára e pensa: 'Isso não está bom, não está legal, preciso de um momento, mais imaginação!"
A arte não se esgota como dinheiro se esgota. Faça isso, depois outro. Depois outro...

A arte continua em tudo, palavras, desenhos, pinturas, coisas que só você vê, fotos e gravuras sem pé nem cabeça pra uns, é o seu corpo e sua mente ali, que tudo vê. Um rabisco pode ser mais e uma paisagem morta pode dar vida a um poema sem fim.

A de se ver em cada um, a tristeza e a felicidade e tudo que existe de intermediário de ambos, e até palavras nunca vistas no dicionário e pinturas nunca feitas. Dentro de sí mesmo cada um guarda uma riqueza grandiosa, que é possível com olhos sensíveis, ver. E outras vezes, é possível até entender, outras encantar-se, outras descartar para aprender outras formas. O jeito e a forma de cada um em si já é pura em arte (e bela) e como tal pessoa transmite, dá vida a um desenho, à sua própria imagem.
Ver tudo isso é ter clareza, mesmo na obscuridade de muitos e muitos casos. Ganhar tempo com isto e fazer algo para isso é a melhor forma. O trabalho que vejo na psicologia é único para quem consegue ver a subjetividade de tudo isso, e com isso, ajudar mais, reunir mais. Não é a mulher da zona sul que vai ao analista. Mas quem disse que ela, só por ser rica, também não precisa? E os mais pobres, e quem têm tantos " traumas" por céus, pouco pensam, trabalham apenas e esta sim é sua terapia!. Mas quem disse que vivem plenamente? Quem disse que não estão a causar traumas também? Quem disse que ninguém se magoa?
Eis que é melhor conectar-se com o fator: HUMANO. Todos somos, todos precisamos de certos aspectos. Cada um tem uma área mais desenvolvida dentro de si e, é bom sentir alguém desenvolvendo coisas não destrutivas, coisas que só irão amenizar problemas e, por que não construir um mundo assim?
A ciência cresce mais e mais e cada dia mais pessoas sentem-se perdidas em si próprias. A verdade é que se formos falar de métodos não encontraremos soluções divinas de contos de fadas e mesmo se encontrarmos para uns não será um agrado... Mas, o objetivo comum de todos é sentir-se feliz. E encontrar a felicidade é conectar-se a ela. E nesta historinha não tem como não ser “parcialmente” subjetivo. E o maior veículo é a arte e tudo que existe por trás dela, pois afinal, tudo é e tudo transforma. E precisa-se disto.

Hoje quis ele fazer uma ponte consigo e com o mundo. Hoje quis estar sem rédeas. Hoje quis estar em paz. E esteve, ora, pois, o que tem mais a ver com querer do que fazer? O poder é autocrítico, apenas.

É pensando que se aprende mais e lendo mais que se aprende a criticar mais, pois nada se pode crer apenas por estar publicado. E ao mesmo tempo existe um mundo de coisas para alimentar-se por aí. Difícil é não querer doce de maracujá, mas não impossível, acomodar-se é que é desagradável neste mundo, certo?

Eis que ele quis simplesmente sentar e desenhar em cima de rabiscos.