Páginas

Mostrando postagens com marcador tortura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tortura. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de outubro de 2011

Córtex mundial


Sinto segredos por todo os lados, sinto a pele das pessoas mentindo todo o tempo - sinto que as pessoas não sabem sentir cheiro, sentir gosto, realmente enxergar ou tocar de coração. O padrão dos cheiros, das cores combinadas, dos gostos artificiais  demais, das imagens que há séculos distorcem as coisas com uma objetividade tramada, calculada.

Ninguém sente a própria alma, ninguém mais sabe o que é sentir vergonha ou pedir ajuda de coração.
Essa expressão parece boba, mas significa a consciência de estar vivo, de sentir. Quem sente de coração não ignora a natureza, não ignora sensações, sente verdadeiramente.

Somos iludidos, destruimos e construímos sem entender o mundo por trás do sistema. Forjamos felicidades, somos alegres e somos específicos demais, numa intensidade que não vejo outra intenção se não a de não saber realmente sentir, apenas identificam o referencial e se encaixam, como se fosse obrigação.

A direita não precisa anular a esquerda, o direito não precisa ser o certo e o esquerdo não precisa ser procrastinador. A política não precisa ser mais crucificada, nem a fé, nem a vontade. Nada disso causa guerra ou fúria de verdade.

Ganhar ou perder, escolher alternativas, achar que grito não é música, que não sentir como o resto
é simplesmente não sentir.
Precisar das coisas, preferir não enxergar, fingir pra sí mesmo e se assustar com os próprios pensamentos quanto a vida e a morte.
Definir únicos, líderes, perdedores, excluídos.
Misturar ciência com estatísticas, prometer, cumprir, destinar, sentir mais a temperatura do que compaixão.

Tudo que eu vejo de baixo são julgamentos de massas, culturas falidas por guerras, cópias de cópias,
idéias que não tiveram apoio e idéias que destruíram vidas. As pessoas se jogam para a morte,
esperam por um Deus ou buscam na crítica sobre Deus também um sentido, um ateísmo que o possa libertar das carências tanto quanto a reencarnação para os esperançosos que não aguentam.

Quando formos sacrificar nosso tempo,  nossos sonhos prontos, ambições e vaidades;
Vamos sacrificar nossas verdades e ordem fálica em troca de libertação?


segunda-feira, 16 de maio de 2011

athem


Painel e blablabla



(Quando interpretamos o que sonhamos e o que fazemos o bastante pra expor de alguma forma, nós temos nossa própria obra prima; e como todas as nossas obras, um dia serão lembranças, não exatamente como todos os nossos sonhos...)


Tento sentir seu cheiro (misto de canela, água de coco, algodão doce, livro velho e caixa vazia), tento formar nosso diálogos na minha cabeça doentia e desenhar seus traços com todas as cores que me fazem esquecer do resto e trazer você a tona;
Eu penso nos comodos claros e limpos da sua casa, na sua roupa branca, em como você vê a eleição que passou, o que você vê nos quadros que vemos, o que acha de comprar coisas que adoramos, o que voce gasta seu tempo e dinheiro; como voce tem dinheiro e como você deixa de ter, na sua mania de correr e de paralisar, na sua mania de me alongar, se você faz comida bem e se o seu mundo é quente ou frio;
A idéia que eu faço é que eu te faço idêntico a minha outra metade, na linha tênue de todas as vezes que também a sou; então você é como eu, e como eu, aonde você vive?
31/10/08 - fotolog



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Arnaldo Jabor_

'' Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.''

obs_síndromes

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sabe?

Tudo tá estranho,
existe um desespero mudo me fazendo quase engolir em seco o mundo inteiro,

será essa uma sensação de estar tudo errado?
  Sensaçãode não conseguir parar o tempo,
o receio aumenta, estou longe de ser, de estar

acho que preciso desenhar pra conseguir voar,
não imagino o mundo inteiro agora sabe?
só sinto uma energia ensurdecedora,
uma sinestesia atrapalhada de querer me esconder entre as nuvens,
o ar, a água, todos os sons do mundo

é incompreensível, isso não é prelúdio de nada
me ensinei a resistir a essas coisas e agora preciso ir o mais rápido possível,
se não eu páro, sabe? páro que nem uma idiota. 



[Toulouse-Lautrec - art print, poster - The Bed]

Henri de Touslouse Lautrec_ The Bed

Avefall 07


Deixe-me ir. Talvez eu prefira vagar, por que não?

Só que não mais por aqueles cantos oprimidos, eu não mereço?

Por que não posso? Por que não devo? O que mais devo? O que mais devo matar por dentro, a fim de renovar tudo à minha volta...? Em circulos escuros, um clarão no meio sem medida e sem alcance, estou jogada a sete palmos do céu, caindo, caindo, caindo e dele cada vez mais longe...
[Henri Matisse - art print, poster - Fall of Icarus]

 Matisse -  Fall of Icarus

                                  

empavecer-lhe


Argucioso,
subterfúgio de êxtase,
Enlevo como lasso:
Ora amparo ora resguardo;
Na meia luz da meia vida;
Do inteiriço belle époque: (meu cântico sussurrado);
No espelho se espelha traços ambíguos;


Essa languidez de alma fugida (fudida)
De volta ao subterfúgio
Não me rendo
Nem ao enlevo, mesmo volúvel ao léu
O que faz o significado em teste lascivo?
...Tudo é emparvecer.


2008, diário

[kandinsky_improvisation30.jpg]
kandisnsky
 

domingo, 10 de abril de 2011

meio

http://kateduffyartpaintings.files.wordpress.com/2008/05/mondrian-grey-tree-painting.jpg
Mondrian, grey tree



Quando me vejo sendo outra pessoa, não me vejo fazendo o que eu faço
nem lidando como eu lido.

Quando eu penso em lidar como outra pessoa,
sinto dor e faço sentir.

Quando sou eu, a dor é libertadora, a verdade é libertadora e
ao mesmo tempo não consigo olhar pra ela. Não consigo sentir
o calor do sol e saem lágrimas dos meus olhos só de olhar pra ele,
já que arde demais.

Fujo da dor - quando me coloco em outra pessoa ainda sim sinto minha dor, mesmo com atitudes diferentes - e não quero me colocar nela. Ao mesmo tempo só consigo vivê-la pra ter uma alegria feliz, algo que me faz ser normal até o momento que demonstro as anomalias.

Ninguém é capaz de entender uma dor multiplicada,
nem uma felicidade multiplicada.
Só entendem as divisões.




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lapa PeB

Lugar sujo, poças de lama e tanta gente pra lá e pra cá.
Uma barraca parecida com aquelas que colocam brincos e cordoes etc
nas ruas cedo, fora transformada em um bar itinerante com garrafinhas pet
de várias cores fluorescentes diferentes, verde, rosa shock, laranja shock, amarelo-marca texto. Achei que as bebidas seriam servidas ali, mas não, era em um copo grande desses de plástico - de colocar guaraná e cantar parabéns com música da xuxa.
Pedi  uma caipirinha de morango que mais tarde parecia tripa, em um vermelho fígado tenebroso. Mas era alimento e bebida ao mesmo tempo, valia a pena.
Um rapaz de cabelo comprido chama o ''barmen'' da tal barraca de família. "E AÍ FAMÍLIA, ME VÊ UMA FODCA". Rio alto, ele olha pra mim risonho, comento que achei engraçado chamar de "família" e ele: "somos todos uma família, esse aqui é meu primo".
Eu disse que o barmen era meu irmão. Meu irmão nos ofereceu mais açúcar.

Dos becos molhados músicas diversas, um funk antigo e mulheres grandes
dançando com gays pequenos. Do meu lado cai um cara, empurrado por outro,
que mais parecia ter saído da possa de lama (e assim levava o outro em seu lugar).


Marchando, tudo estranho, pessoas conhecidas, tudo aquilo parecia um maldito bloco fora de época teoricamente. Prático era ser daquele jeito mesmo. 
Um garoto extremamente bêbado tinha o nome do meu pai e repetia coisas caóticas que bebados repetem, pois era um menino ainda, queria parecer um velho bêbado que fala coisas caóticas que bêbados falam e por isso assim agia e dizia que amigo meu era um irmão pra ele, apontando, abraçando e discorrendo várias bandas de gosto comum aos dois.
Vejo uma cara conhecida, ali fico até sair dali e ir pro tal gramado "calvo''. Achei
isso engraçadinho. Caras de cabelo comprido, projetos de mutantes.
Apresentações de meninas simpáticas.
Signos à parte. ''Vamos no banheiro perto do arco íris"
Ok, vamos.
Era um bar/restaurante, não podia entrar com bebida - então deixei minha tripa com cachaça no lado de fora e entramos no banheiro quente. As meninas mijaram, acho que falei coisas de meninas e saímos, estava quente demais mesmo.

Tinha um bar com nome tipo ''deleite'', com luz vermelha e uma escada misteriosa.
Queria ir ali, mas supostamente era caro. Uma menina dava dicas de como varrer
para um lixeiro que varria uma porrada de coisas do chão, onde as pessoas acham super normal jogar copos e papéis. Sabe, é como se limpo não fosse o lugar que queriam
estar e sabiam que estavam. Ou seja, se lá estivesse limpo eles não estariam ali, ficariam desconfigurados. Enfim, rinocerontes de Ionesco em seu Teatro nonsense.
 
Pés doendo, bares fechados - isso é a famosa lapa? ok, ali todos eram irmãos,
mas as coisas boas fechavam cedo. Desculpa, se for assim prefiro rio das trevas, perto da roça. Nos restara um bar com forró que as 8 da manhã tocava "chupa que é de uva". Achei justo, tinha um cara que parecia o hit - o palhaço  que come crianças na obra prima do medo. Uma das bebidas era gengibre  com cachaça. ''Quero isso aí mesmo''. Pombos voavam meio putos da vida e construções históricas me deixavam menos perturbada com aquilo tudo.
 
Dá pra beber e voltar pela manhã sem problema se é justamente nessa hora
que  a bebedeira te rouba a consciência e assim não se cansa de andar e andar.
MAS estava consciente e por isso essa parte não foi legal - tirei os sapatos
e andei pela lama nada poética já que era dia. Um casal colocou uma toalhinha
em cima de uma mesa no meio da calçada e pôs-se a vender café, chocolate quente e café com leite. Ela nos deu um copinho (estilo copo grátis de café do mercado) com um outro copinho embaixo, já que estava muito quente. Tentamos comprar um pão com manteiga,
mas cobraram quase 5 reais, achei um absurdo e quase coloquei as mãos pro alto.
"Pastel chinês, pastel chinês", amigo meu repetia, e  repetia também "cigarro, cigarro,
varejo!" há, e parando no meio do caminho pra comentar com olhar sensacional, completando: "ficarei por aqui, o bar numseioquê (nao lembro o nome e seria antiético dizer também) precisa de mim".
"Se comprar um cigarro a varejo eu juro que vou embora daqui no 1o ônibus". -
digo. 

Treme o ônibus e pra mim é como estar em um berço, já que meus pés estavam doendo demais e finalmente havia sentado.

Mais um tempo e páro em um ponto, pensando: "ó, e agora, quem poderá me defender?".
Antes do chapolim colorado aparecer, um cara de moto amarela parou e disse: "oi, sou eu". Eu disse: "não conheço você" e ele ficou olhando. Repeti: "não te conheço". Bem, finalmente ele se foi - fiquei pensativa, será que era o chapolim? Não era.
Logo estou sã e salva, com os pés em uma água maravilhosa. Uma hora acordo e sou feliz por lavar os pés durante mais duas horas.




foto


Só fica legal em preto e branco.

domingo, 20 de março de 2011

Abismo em carne viva

Existem muitas imagens difíceis de ver e procurar, mas é preciso. Quando muito pequena, perguntei pro meu irmão: - Nós matamos os animais pra comer? . Ele disse: "Não, quando eles morrem naturalmente, de velhinhos, é que usamos sua carne". 
É ridículo confessar que acreditei nisso durante muito tempo, julgando que criavam bois em uma fazenda feliz pra depois, quando morressem naturalmente, recolhessem pra alimentação. 
Hoje em dia temos muita informação, mas antigamente era um problema. Imagine ainda em uma família que têm carne todos os dias e vê caminhões da ricca passando com desenhos de galinhas felizes =s.
Depois que meu irmão me respondeu isso, fiquei pensando porque então não comemos carne de pessoas que já morreram, sei lá, de um avô morto por ex. ''de repente nossa carne não é comestível (...)". E cheguei a ler também: "Não podemos comer carne de animais mortos por velhice etc. pela doenças que podem ser causadas (...)". Até concordei um pouco e escapei ainda ao pensar que não é algo horrível comer carne, já que jesus comia peixe. Escapismos de merda, confesso². Depois, já tendo parado de comer carne, li um pequeno livro (quase que folheto) com perguntas  feitas por para Srila Prabhupada (fundador da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna e responsável por trazer a mesma filosofia para o ocidente) que continha algo muito interessante:  comemos comidas feitas de várias formas, inclusive estragadas propositalmente. Tem uma porrada de exemplos desse tipo, além de lembrar que bebemos bebidas prejudiciais, fumamos cigarros e outras coisas que também não são "apropriadas". Coca-cola por exemplo, cadê o benefício? É bizarro. Desconhecemos pelo menos 70% do que é constituído as coisas que compramos e comemos! 
Enfim, não gosto de interferir no livre-arbítrio de ninguém e nem mesmo julgar as pessoas, não faz sentido fazer algo assim se a sociedade ocidental inteira alimenta nossos pensamentos com essas coisas. 
Acho que também seria legal colocar os malefícios da carne e tal, só que ao mesmo tempo perde o sentido da questão da matança, toda aquela questão da dor que cada ser vivo sente. Dizem que o mais importante é nossa consciência - mas como se não temos informação?
 




Abismo cercado




No mundo grosseiro existe uma intensidade que se renova, mas não deixa
de ser um maldito círculo, e por que não dizer "Circo"? Aberrações,
sons que fazem seu fígado tremer, dias testados em um laboratório falsário,
imagens distorcidas de coisas ao contrário, herois e vilões de mentira, bichos escravizados (...) e ainda sim pagamos pra ver tudo isso, mesmo caro - mesmo sabendo que nos atrasará. É divertido fazer parte de um circo, assistir palhaços e, enfim, eles não tem uma vida - e é nós que a forjamos. Agora é uma condição para continuar indo e vindo sem atraso no que agora parece exterior, mas
sempre será um interior esquecido, desconhecido - um inconsciente que ninguém
quer ser pontual...
A intensidade não é grossa, a intensidade depende da entrega. A entrega
é tão fácil se não misturamos com nossos propósitos... E é tão difícil nos entregar a nós mesmos, admitir o mundo sem nos distanciar ou conseguindo desatar tantos nós, como é difícil fechar os olhos se andamos em uma corda suspensa no céu, meu Deus, quando vamos nos libertar até das metáforas?

O sutil é uma sensação, a ternura é um estágio da liberdade pouco explorado.
Preferimos explorar a liberdade de outras formas, marginalmente, imitando
uma democracia ilusória até desgostar da realidade.

A continuidade não existe, os pedaços quebrados se estilhaçam, que
sentido fará o que não existirá daqui a 20 anos?
A existência não é uma piada, mas mesmo assim é de mau gosto, solvida
em crenças que no final das contas são apenas uma insegurança agindo como
um camaleão, só não indefeso por isso. 

Consigo perceber algumas coisas agora e assim outras vão pra casa do caralho,
logo sou apenas um sonho que teme nunca virar realidade.






sexta-feira, 11 de março de 2011

Sem glamour algum

Por quê eu demoro tanto tempo escolhendo roupa?

- A pesquisa de preço é árdua. Não consigo comprar
algo sem ver em mais 3 lojas de diferentes bairros
o preço - e em ocasiões específicas de ir a tal bairro de qualquer forma.

Em copacabana tem uma loja bem parecida com
uma aqui da freguesia/JPA/zonaoeste: só que
as camisas de 10 reais são menos feias do que
as daqui, que também são 10 reais. Além dessas, também vestidos de 70, 35, 60, 55 reais, aí é óbvio que vou dizer: "estamos em copacabana, uma loja aqui é muito mais cara". É até por esse mesmo motivo que prefiro não comprar roupas em shopping.

Fui então até a Taquara/JPA/zonaoeste, o lugar mais perto (praquemmoranazonaoeste) pra se comprar roupas baratas. Show... Fui em mais de 5 lojas e, cara, coisas menos piores lá estavam por 60 reais - e ainda sim não eram do meu feitio.

Tem gente que acha 60 reais baratíssimo, o pessoal de copacabana por ex.. Agora, o pessoal da Taquara não acha o vestido de 60 caro? Não!
Pois acho caro e feio, meu Deus, pra quê tanta estampa? Céus, eu não quero estampa.

- Esse é feio, não dá não.
- Ué, mas é parecido com o que você está.
- Sim, e você acha que eu gosto do que eu tô?
É prático: barato e leve, por isso comprei e uso.

Aí as mulheres na loja repetem coisas como: "mulheres demoram muito pra escolher, não adianta!!" - etc.. Acho que outras mulheres, e homens
inclusive, fazem essa pesquisa de preço... Não são grande parte, mas sinceramente toda vez que compro roupa eu penso o que eu poderia estar comprando de produtivo com o dinheiro extra que pagaria se fosse em qualquer loja sem pesquisa alguma.
E aí, sou prática?

Não importa, ali sou mais uma mulher que demora pra comprar roupa.
Não tenho orgulho disso, não acho o máximo do feminino e engraçadinho a mulher se importar tanto com a aparência, ter tantos padrões e competição. Isso ainda é consequência de um machismo, ainda é a mulher se tornar escrava de uma beleza idealizada por homens ou para homens ou mulheres que pensam em padrões que nem sabem da onde vem - menos ainda se perguntam porquê. É bonito se tornar fantoche do capitalismo? É feminino gastar muito dinheiro em roupa?

Não julgo tecidos e o quanto são confortáveis, esquentam ou são frescos, concordo também com essa procura - afinal, quem pode, por que não comprar um tecido que lhe agrada mais, mesmo sendo mais caro? Trabalhou, manda vê, compra sim... Mas cara, poucas as pessoas que falam em tecido relacionando a conforto. O normal é relacionar ao preço, a "finura". 

Lembro de uma roda de discussão da faculdade em que o professor levantou a questão dos preços das coisas, influências etc.. Na sala a maioria das meninas falava bastante de bolsas. Há, e na sala inteira só tinha um cara - que faltava - o resto era mulher. ótimo? Bem, então uma mulher foi comentar que não ligava nem um pouco pra isso, que estava mais preocupada com outras coisas e tentava economizar sempre etc. Perguntei onde ela ia comprar roupa. "Vou ali no barra shopping mesmo, pra minha filha compro na bicho comeu blablabla". A bicho comeu é uma das lojas de roupa infantil mais caras do Rio, é uma marca conhecida e tal, assim como qualquer loja de shopping você vai encontrar preços maiores... Isso não é se importar? É ser alienada? E a alienação é culpa dela só? Não é só culpa dela e é sim um sintoma de influência, capitalismo, vaidade. Ninguém está livre da vaidade seja lá em quê área da vida, mas não querendo ser tão chata (mas já sendo chata), se  não se importa com marca etc. o que diabos fará na bicho comeu? No  barra shopping? Tem cartão da renner? leeder? Não têm. Foi uma discussão interessante e desinteressante é alfinetar as pessoas,
sabia que estava ali pra colocar em prática o que tanto falo: a união. 

A mulher é insegura, o homem é inseguro. Todos somos vítimas e também propulsores do capitalismo.

Nós alimentamos isso aí, sorrindo e achando graça de comerciais de lojas que exploram a busca da beleza padronizada. 


FEITIO

1. Forma, configuração, feição, conformação.
2. Corte; talho.
3. Fig. Espécie, laia, qualidade.
4. Carácter!Caráter, modo de pensar ou de proceder, génio, índole.
5. Mão-de-obra; preço do trabalho (do alfaiate, modista, etc.)
6. Excremento de coelho, raposa e outros animais.




''A existência da moda é uma das grandes sacadas da estrutura do sistema capitalista. As roupas, calçados, maquiagens, penteados, etc. mudam no mínimo a cada estação, isso faz com que os produtos se renovem a cada momento, mas a grande sacada desse setor é que muitas vezes podem ser apresentadas modas espelhadas em outras épocas, o que faz com que compremos novamente os produtos que tínhamos na década de 1970, ou seja, acabamos comprando duas vezes o mesmo produto só que em épocas diferentes, não necessariamente porque gostamos, mas porque o grupo social assim exige.
Cabe aqui ressaltar que a moda não trará novamente algo de cinco anos atrás, pois se corre o risco de eu ainda ter guardado no meu armário e, dessa maneira, não necessitarei fazer a compra.
Essa é a nossa famosa lógica do consumo, a qual está fundamentada na nossa cultura, na estrutura do sistema capitalista, e faz com que, por intermédio de vários patamares, sendo um deles a MODA, o fluxo financeiro continue fluindo concretizando a estrutura do sistema capitalista.
Revista Sociologia/Tatiana Martins Alméri é socióloga pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, mestre em Sociologia Política e professora na Unip e na Fatec (taalmeri2@hotmail.com)''

willtirando

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Todas as coisas se misturam e giram longe de mim
por que caralho estou rodando, então?
Quem disse que eu quis essa tontura?
Quem me torturou pra isso, dessa vez?




segunda-feira, 6 de outubro de 2008

pinéu

Olha o hoje: ele ainda é escuro e talvez chova cólera nessa madrugada. Talvez você não entenda, mas talvez não seja mesmo pra entender aqui e agora.
As palavras precisam ser vistas como vislumbre do que sentimos. O que passamos é de certo menos que isso. Os únicos que sabem o que se passa são os que desejam passar, cientes de sua única forma de evolução.
Não fiz compreender, eu sei, mas quando não é de repente eu não sei dizer o que é melhor para o entendimento. Então é melhor nem tentar. É?

Eu passei dois séculos procurando alguma coisa que eu achei só pela metade, e a metade não é o que eu quero, por que o que eu sinto não é pela metade. Mas muita gente encontrou em mim metade só e achou que era inteiro - tão inteiro quanto o verdadeiro sentimento. Mas não era e nem nunca será. Não me importo com a importância que todos, achando serem peças de um quebra cabeça.
Me iludo sim, me iludo por que meu inteiro não é meu.
De quem ou aonde serei meu inteiro eu não sei, já tive vislumbres e por isso não estou perdida como parece, batendo cabeça por aí ou tentando ocupar meu tempo com o ócio da arte. Talvez faça isso por que... O ócio dá vazão à arte e sem saída não tenho recursos para procurar. Me sinto presa a estradas, mesas, despertadores.

Sinto-me presa a palavras repetidas, a bocas risonhas, a mesas, a canetas azuis, a fumaça do cigarro, o bafo de cerveja das pessoas, a música caótica sem som, ao tráfego caótico, aos gritos das brigas, as crianças se drogando, as drogas legais, as drogas do mundo banal, a estereótipos, a isqueiros perdidos, a rodas sem freio, a ruas cheias de carros, ao barulho dos carros, aos cavalos presos, aos bois e as vacas, as galinhas, aos peixes, a procura do dinheiro, e política que não se acredita mais e a democracia que não é mais política, aos dados sendo jogados, a cara e o coroa, ao fim dos filmes que não tiveram fim, ao clássico ser clássico, a religião limitada, a descrença, o fanatismo escondido em ambos, ao violão que arrebentei a corda, ao inglês, a língua, o preconceito na mistificação, as pessoas na espera de atendimento nos postos de saúde, aos olhos vermelhos pedindo dinheiro, as tangerinas estragadas, os cupins, os abutres, os sanguessugas, ao bem que é mal e o bom que não é tão mau, ao português acentuado, ao português antigo, ao português, a quantidade do verde, a quantidade do branco, as listras das cadeiras nas praias, ao lixo jogado na rua e a rua jogada ao esgoto, as doenças precárias, a assistência suja, a animais em notas, a promiscuidade escondida, as mentiras meio-verdades e as verdades meio mentiras, as pedras cinzas do meu primeiro colégio, ao balanço de píneo, a comprimidos revestidos azuis, verdes, beges.
Sinto-me presa como uma mosca numa teia, como uma borboleta no arame, como peixes que se debatem na rede, como pássaros na gaiola, como o ferro no imã, como aos presentes só no natal, como ouvidos no carnaval, como chocolates na páscoa, como objetos à objetividade analítica, como o subjetivo à esquerda, como direita aos direitos, como chineses, como iraquianos, como movimentos às sombras, como o Brasil no comodismo, como as idéias nas folhas que ainda não são rascunho, como a metade no inteiro e o inteiro sem metade, como as complexidades às comparações, como a vida no tempo, o sonho no sono, o sono no pesadelo, a vida na morte, a morte na vida, a esperança ao humano, o humano ao mundo e o mundo ao humano.
Sinto-me presa nas contradições, no barulho irritante, no desregrado e no regrado, no frio e no calor.
Sinto-me presa ao dicionário, aos mapas, o tempo, a redundância, a incapacidade, a insônia e a vontade de dormir.
Porque a vida está impregnada e depende disso e o mundo depende de nós. Por que não tenho asas, não posso curar o pior, não posso pensar que não posso e as pessoas também não. A confiança não existe, eu sei, mas a perseverança pode existir na esperança e na igualdade de senso comum, ao menos.
Estou presa por que isso é uma prisão cheia de pessoas que dependem de mim e ao mesmo tempo querendo me matar. Estou presa aos meus sons, gestos, palavras, a vocês.
A liberdade é um sonho que se matou por um ideal... Esse ideal é a nossa liberdade e como a expressamos e o que sentimos.
Não sei quem fez isso e não quero saber enquanto não concertar alguma coisa, aí sim, posso tentar descobrir.
Pinéu.