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domingo, 22 de maio de 2011

Paz em ti - Joanna de Angelis

PAZ EM TI
  É muito importante a paz.
Governos a estabelecem fomentando guerras, gerando pressões, submetendo as vidas que se estiolam sob jugos implacáveis.
A paz é imposta, dessa forma, mediante a coação e, depois, negociada em gabinetes.
Vem de fora e aflige, porque é aparente. 
Faz-se legal, mas nem sempre é moralizada.
Tem a aparência das águas patanosas, tranqüilas na superfície, asmáticas e mortíferas na parte submersa.
Assim se  apresenta a paz do mundo, transitória, enganosa.
A paz legítima emerge do coração feliz e da mente que compreende, age e confia.
É realizada em clima de prece e de amor, porque, da consciência que se ilumina ante os impositivos das Leis Divinas, surge a harmonia que fomenta a dinâmica da vida realizadora.
Essa paz não se turba, é permanente. Não permite constrangimento, nem se faz imposta.
Cada homem a adquire a esforço pessoal, como coroamento da ação bem dirigida, objetivando os altos ideais.
Não basta, no entanto, programar e falar sobre a paz. Mas, visualizando-a, pensar em paz e agir com pacificação, exteriorizando-a de tal forma que ela se estableça onde estejas e com quem te encontres.
Seja a paz, na Terra, o teu anseio, em oração constante, que se transforme em realização operante como resposta de Deus.
Orando pela paz, esse sentimento te invade, e o amor, que de Deus se irradia, anula todo e qualquer conflito que te domine momentaneamente.
A paz em ti ajudará a produzir a paz no mundo.


Joanna de Ângelis (espírito), psicografia de Divaldo P. Franco; Filho de Deus; LEAL, Salvador, BA, Brasil, 1997


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tumbalalaika

De Andreia Guerra

Shtyl a boccher, on un tracht
Tracht un tracht a gatze nacht
Vemen tsu nemen un nit far shemen,
Vemen tsu nemen nit zu far


Tumbala, tumbala, tumbalalaika,
tumbala, tumbala, tumbalalaika
Tumbalalaika, shpiel balalaika
Shpiel balalaika, freylacvh zol zayn

Meydl, meydl, ch´vel bay dir fregen,
vos kan vaksn, vaksn on regn?
Vos kon brenen un nit oyfhern?
Vos kon beken, veynen on treren?

Narisher bocher vos darfstu fregn?
A shteyn ken vaksn, vaksn, on regn.
Libeh ken brenen un nit oyfhern
A harts kon benkn, veynen on treren


http://www.youtube.com/watch?v=E1K1bRYJieI&feature=player_embedded

Música tema Homenagem a Sabina Spielrein, em Prendimi l'anima

terça-feira, 14 de outubro de 2008




Você foi embora novamente e me deixou confabulando as lembranças que você quer esquecer.

Lembranças que já não temos mais, mas que em algum lugar dentro de nós nos conduz a luz que procuramos, tal luz que não encontramos enquanto não olharmos pra dentro de nós.

Desculpe-me não ter olhado pra dentro de ti novamente, só não queria me perder em equívocos, em mágoas que já não aguento que se repitam, a ilusão que vem de uma expectativa de que um orvalho suavemente vire pérola dentro de nós.

Queria poder explicar de forma menos redundante as coisas da vida.

Mesmo que a complexidade dos pensamentos que giram acabe em algo clichê, o clichê parece simples, mas é de uma dificuldade de se realizar imensa, enquanto só queremos recomeçar e desfazer as raízes.

Essas raízes não serão arrancadas, você pode puxar o mais forte que sua força física conseguir, mas sua força espiritual ainda existe escondida por você, porém guiando-te como se estivesse te assombrando nos cantos que você se esconde achando que na escuridão a luz não chega.

Foi no meio da escuridão que surgimos quando o universo explodiu em um choque de receber e dar energias infinitas.

Agora é a hora de darmos e isso é o que escolhemos quando nos submetemos a essa vida de influências negativas, de futilidades, egoísmo, de coisas que precisamos usar um instindo diferente do que estamos acostumados.

O sol só vai ter o mesmo impacto se afastarmos essa cortina que nos impede de achar que fazemos parte dessa natureza perfeita, e acabamos por nos destruir destruindo o que nos rodeia e com medo de algo nos destruir.

Nada irá destruir você, nem você mesmo, então pare de temer e tentar se esconder do que crê, reflita se a sua vida é mesmo um amontoado de traumas e ultrapasse esse limite físico que o cega, deixando de olhar o que o novo dia no poente o oferece como um recomeço.

Consciente de seu potencial espiritual, desfaça as amarras que o mundo impôs pra que ultrapassasse o que acha que ainda é limite, o que vê como trauma encare como desafio.


Atrás da cortina ha desafios realmente difíceis, que pedem esforço das suas entranhas mais do que dor de cabeça no dia seguinte.

Não é a ultima vez que você cai, não é a primeira vez que você se joga no chão. Então não se esqueça de usar mais do que existe dentro de você e se preocupar menos com o que você mesmo menospreza, mas acaba por encontrar-se também atado a parte física das coisas.


O amor verdadeiro não o faz sofrer, a jornada verdadeira não o angustia - a verdadeira dificuldade do seu rumo não é o destino dele, não é a vitória, e sim as amarras de que ainda se encontra preso e estas sim não só dependem de você, mas também não só de outros.

Poderia ser simples e fazer meus olhos se enxerem d'água ao dizer que tudo isso depende do amor.

O amor das atitudes com senso comum, do respeito que não é só hierarquia, é um sentimento de admiração espiritual, um sentimento de preocupação que talvez te assuste por ter e por ser "preso". Mas não é prisão alguém se preocupar por te amar como você é, e é um engano achar que não lhe conhecem de coração, até por que seu coração dói e quem esteve com você as vezes que nem você estava com você mesmo, foram as pessoas que te amam e ainda te amam.

´

Precisamos compreender tambem que o mundo está cheio de ilusões, falso moralismo, leis artificiais, hipocrisia, carência e as tais influências que qualquer pessoa está sujeita, é difícil achar que é diferente, as vezes é ótimo se achar diferente, as vezes é apenas um fardo sentir mais que os outros parecem sentir, mas as pessoas sentem muito e profundamente e, mesmo que eu nao tenha muita propriedade, posso dizer que tocar profundamente alguém é algo difícil que se estivermos em contato com nosso âmago, será mais fácil que dizer apenas "sim" a alguém.

O amor é duro, é árduo, o amor é uma determinação infinita difícil de se lidar, você escorrega em suas lágrimas e se levanta novamente, por mais que não queira, está lá com ele e ele muitas vezes fisicamente longe, está tão perto quanto seu âmago.


A compaixão é difícil agora e talvez piore. A insegurança das pessoas é enorme, o medo que se instala já que a coragem só se direciona as coisas que podemos alcançar materialmente e facilmente, como paixões e padrões altos. Nós sabemos que ambos fazem parte daqui, mas é só desse plano substancial e não da nossa verdadeira parte, é só perguntar-se: O que faz parte de você?

Olhos negros, manchas vermelhas no branco que vai se acabando, formas indefinidas ao olhar.

Essas subjetividades só mostram a distância que tens do material, das coisas mundanas como paixões e uma energia extra dada por substâncias que também não fazem parte de você.

Quais são as verdadeiras coisas que fazem parte de nós?


É algo que reflito todos os dias, é algo que todos nós vamos refletir e deixar que as coisas que não nos fazem bem se apaguem, dando lugar ao novo dia em que podemos começar a plantar as coisas que fazem mesmo parte de nós e sermos o que queremos, somos, precisamos e sentimos.

Transmitirmos o que queremos é fácil quando todos estão de coraçao aberto. Estar de coraçao aberto é mais corajoso que todo o resto, e é uma força absurda sentir afastando as vozes ao nosso redor, ao que nos quer ver sucumbir pra ter companhia no proprio medo.

Nao subestime o amor que sente e a capacidade que tens.

Mesmo que vire as costas pras pessoas que te dão as mãos pra ter companhia na própria evolução, nunca estaremos longe.

Uma das certezas de nós é que fazemos parte um do outro, desculpe as vezes que caí e não acreditei em mim, por que foram elas que me fizeram não acreditar em nós.

Sinta-se a vontade pra nos abraçar, eu me sinto a vontade pra dizer que essa dor que sinto

talvez seja necessária, mas espero que você volte pra rirmos juntos.

Eu te amo


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

pinéu

Olha o hoje: ele ainda é escuro e talvez chova cólera nessa madrugada. Talvez você não entenda, mas talvez não seja mesmo pra entender aqui e agora.
As palavras precisam ser vistas como vislumbre do que sentimos. O que passamos é de certo menos que isso. Os únicos que sabem o que se passa são os que desejam passar, cientes de sua única forma de evolução.
Não fiz compreender, eu sei, mas quando não é de repente eu não sei dizer o que é melhor para o entendimento. Então é melhor nem tentar. É?

Eu passei dois séculos procurando alguma coisa que eu achei só pela metade, e a metade não é o que eu quero, por que o que eu sinto não é pela metade. Mas muita gente encontrou em mim metade só e achou que era inteiro - tão inteiro quanto o verdadeiro sentimento. Mas não era e nem nunca será. Não me importo com a importância que todos, achando serem peças de um quebra cabeça.
Me iludo sim, me iludo por que meu inteiro não é meu.
De quem ou aonde serei meu inteiro eu não sei, já tive vislumbres e por isso não estou perdida como parece, batendo cabeça por aí ou tentando ocupar meu tempo com o ócio da arte. Talvez faça isso por que... O ócio dá vazão à arte e sem saída não tenho recursos para procurar. Me sinto presa a estradas, mesas, despertadores.

Sinto-me presa a palavras repetidas, a bocas risonhas, a mesas, a canetas azuis, a fumaça do cigarro, o bafo de cerveja das pessoas, a música caótica sem som, ao tráfego caótico, aos gritos das brigas, as crianças se drogando, as drogas legais, as drogas do mundo banal, a estereótipos, a isqueiros perdidos, a rodas sem freio, a ruas cheias de carros, ao barulho dos carros, aos cavalos presos, aos bois e as vacas, as galinhas, aos peixes, a procura do dinheiro, e política que não se acredita mais e a democracia que não é mais política, aos dados sendo jogados, a cara e o coroa, ao fim dos filmes que não tiveram fim, ao clássico ser clássico, a religião limitada, a descrença, o fanatismo escondido em ambos, ao violão que arrebentei a corda, ao inglês, a língua, o preconceito na mistificação, as pessoas na espera de atendimento nos postos de saúde, aos olhos vermelhos pedindo dinheiro, as tangerinas estragadas, os cupins, os abutres, os sanguessugas, ao bem que é mal e o bom que não é tão mau, ao português acentuado, ao português antigo, ao português, a quantidade do verde, a quantidade do branco, as listras das cadeiras nas praias, ao lixo jogado na rua e a rua jogada ao esgoto, as doenças precárias, a assistência suja, a animais em notas, a promiscuidade escondida, as mentiras meio-verdades e as verdades meio mentiras, as pedras cinzas do meu primeiro colégio, ao balanço de píneo, a comprimidos revestidos azuis, verdes, beges.
Sinto-me presa como uma mosca numa teia, como uma borboleta no arame, como peixes que se debatem na rede, como pássaros na gaiola, como o ferro no imã, como aos presentes só no natal, como ouvidos no carnaval, como chocolates na páscoa, como objetos à objetividade analítica, como o subjetivo à esquerda, como direita aos direitos, como chineses, como iraquianos, como movimentos às sombras, como o Brasil no comodismo, como as idéias nas folhas que ainda não são rascunho, como a metade no inteiro e o inteiro sem metade, como as complexidades às comparações, como a vida no tempo, o sonho no sono, o sono no pesadelo, a vida na morte, a morte na vida, a esperança ao humano, o humano ao mundo e o mundo ao humano.
Sinto-me presa nas contradições, no barulho irritante, no desregrado e no regrado, no frio e no calor.
Sinto-me presa ao dicionário, aos mapas, o tempo, a redundância, a incapacidade, a insônia e a vontade de dormir.
Porque a vida está impregnada e depende disso e o mundo depende de nós. Por que não tenho asas, não posso curar o pior, não posso pensar que não posso e as pessoas também não. A confiança não existe, eu sei, mas a perseverança pode existir na esperança e na igualdade de senso comum, ao menos.
Estou presa por que isso é uma prisão cheia de pessoas que dependem de mim e ao mesmo tempo querendo me matar. Estou presa aos meus sons, gestos, palavras, a vocês.
A liberdade é um sonho que se matou por um ideal... Esse ideal é a nossa liberdade e como a expressamos e o que sentimos.
Não sei quem fez isso e não quero saber enquanto não concertar alguma coisa, aí sim, posso tentar descobrir.
Pinéu.