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domingo, 22 de janeiro de 2012

Ilusão


Pornografia, a ilusão do prazer

A partir de making of de filmes pornográficos, filme francês reflete sobre a representação idealizada do sexo e do prazer.

Por Bruno Carmelo, do Discurso-Imagem.
Il n’y a pas de rapport sexuel (“Não há relação sexual”) nasceu do encontro improvável entre Raphaël Siboni, famoso artista plástico, e HPG, diretor e ator de filmes pornográficos. Por coincidência, o trabalho de ambos é financiado pela mesma produtora, a marginal Capricci filmes, que propôs a Siboni pegar milhares de horas de making of do diretor pornô e fazer um documentário a respeito. Cada um impôs suas condições: Siboni exigiu que HPG não tivesse influência nenhuma na escolha das imagens, enquanto este último impôs que não se falasse na remuneração dos atores. Acordo fechado.
O título, o irônico “não há relação sexual”, faz referência ao psicanalista Jacques Lacan, que sugeria que mesmo no ato sexual a dois, o verdadeiro prazer não está na outra pessoa, e sim nos fantasmas projetados nela. Assim, o prazer seria mental mais do que corporal, e principalmente individual. Esta escolha dá uma boa noção do conteúdo bastante acadêmico e teórico que se pode ver, contra todas as expectativas, nesta colagem de cenas de coito, esperma, pênis, vaginas, penetrações duplas, sodomia, sexo grupal e todos os tipos de fetiches.
O início representa de maneira excepcional o discurso do diretor: uma bela atriz pornô espera sentada numa cadeira, enquanto HPG prepara a iluminação e a câmera. Ao seu lado, um homem se masturba para manter a ereção. Ela boceja de um lado, cutuca algumas pequenas feridas da pele, enquanto seu parceiro aumenta o ritmo frenético da masturbação. HPG grita: “Ação!”. Imediatamente, ela monta sobre seu parceiro, faz caras e bocas, geme, insinua todos os tipos de posa. A cena termina, ela volta para o seu canto, novamente entediada. Ele continua a se masturbar para a cena seguinte.
Este filme não é um ataque moralista sobre a “objetificação dos corpos”, sobre a exploração das mulheres nem nada do gênero. Ele tampouco é um tratado social, do tipo que observa a integração da profissão pornográfica com a vida cotidiana dos atores, com a família, amigos, salário, planos de carreira etc. Evitando a narração ou o desenvolvimento de uma história, a direção prefere colar cenas, uma ao lado da outra, sem grandes explicações, “como se faz nos vídeos da Internet de hoje em dia”, comenta Siboni.
Assim, o efeito produzido não é de crítica, nem de excitação – poucos filmes com tal quantidade de sexo explícito conseguiram ser tão pouco excitantes, aliás. Esta foi uma das razões pela qual Il n’y a pas de rapport sexuel foi classificado “apenas” um filme proibido para menores de 18 anos, e não um filme X, o que teria reservado sua projeção às salas de cinema pornográficas. E para a surpresa geral, a obra chegou aos cinemas independentes coroada de excelentes críticas.
De fato, Siboni efetua um mosaico um tanto triste, patético e mecânico da ilusão de prazer, da idealização do sexo, tanto heterossexual quanto gay. Os atores são vistos na espera entre as cenas, ensaiando frases ridículas como “Ai, como é gostoso o esperma dos desconhecidos!”, proferida por uma jovem cercada por três pênis em ereção. Raramente os atores se olham no rosto, de tão concentrados em suas performances individuais. A ausência voluntária de contexto, o confronto constante entre os personagens fetichizados e as pessoas comuns que os encarnam gera um efeito cômico, despretensioso, e uma certa forma de distanciamento em relação ao material – o que é contrário ao próprio princípio de imersão da imagem pornográfica.
Curiosamente, este discurso sobre a ilusão do sexo faz referência à ilusão da própria imagem. Enquanto os making of tradicionais, publicitários, revelam a parte técnica da realização mas mantém o fetiche do estrelato, Il n’y a pas de rapport sexuel ignora o aspecto técnico para humanizar estas figuras dotadas de uma imagem sobre-humana, com pênis imensos, seios superdimensionados e orgasmos múltiplos. O filme escolhe as imagens que as mostram apenas como pessoas comuns, sem prazer particular pelo que fazem, sendo penetradas com o mesmo profissionalismo indiferente de um operário padrão que produz a mesma peça dez vezes por dia. A pornografia é acima de tudo um trabalho, e as aulas de “como simular uma felação” dadas pelo diretor aos atores iniciantes no “softporn” (filmes sem penetração nem imagem de órgãos genitais) é um ótimo exemplo disso.
A cereja do bolo é o fato de Siboni ter conseguido aproveitar, e muito bem, a estética involuntária deste making of. A câmera está colocada num tripé, numa altura fixa, e ela permanece nesta posição por muitas horas, de modo que tanto o diretor quanto os atores se esquecem da sua existência. Esse enquadramento aleatório produz momentos interessantes do uso do extra-quadro, além de algumas composições que dificilmente teriam sido escolhidas por HPG ou o próprio Siboni (uma atriz, de pernas abertas sobre o sofá, geme enquanto sua vagina e seu ânus ocupam praticamente todo o enquadramento, durante longos minutos). Os corpos são reduzidos a um material plástico, órgãos genitais são vistos como ferramentas de trabalho e os gemidos de prazer parecem tão artificiais quanto os sorrisos em propagandas de margarina. Il n’y a pas de rapport sexuel é um excelente estudo sobre a ilusão e o fetiche dos corpos, do sexo, da imagem e do cinema.
——–
Il n’y a pas de rapport sexuel (2011)
Filme francês dirigido por Raphaël Siboni.
Com HPG, William Lebris, Phil Hollyday, Cindy Dollar, Stacey Stone, Dolce Elektra, Sexy Black, Nymphy, Superpussy.

domingo, 30 de outubro de 2011

Córtex mundial


Sinto segredos por todo os lados, sinto a pele das pessoas mentindo todo o tempo - sinto que as pessoas não sabem sentir cheiro, sentir gosto, realmente enxergar ou tocar de coração. O padrão dos cheiros, das cores combinadas, dos gostos artificiais  demais, das imagens que há séculos distorcem as coisas com uma objetividade tramada, calculada.

Ninguém sente a própria alma, ninguém mais sabe o que é sentir vergonha ou pedir ajuda de coração.
Essa expressão parece boba, mas significa a consciência de estar vivo, de sentir. Quem sente de coração não ignora a natureza, não ignora sensações, sente verdadeiramente.

Somos iludidos, destruimos e construímos sem entender o mundo por trás do sistema. Forjamos felicidades, somos alegres e somos específicos demais, numa intensidade que não vejo outra intenção se não a de não saber realmente sentir, apenas identificam o referencial e se encaixam, como se fosse obrigação.

A direita não precisa anular a esquerda, o direito não precisa ser o certo e o esquerdo não precisa ser procrastinador. A política não precisa ser mais crucificada, nem a fé, nem a vontade. Nada disso causa guerra ou fúria de verdade.

Ganhar ou perder, escolher alternativas, achar que grito não é música, que não sentir como o resto
é simplesmente não sentir.
Precisar das coisas, preferir não enxergar, fingir pra sí mesmo e se assustar com os próprios pensamentos quanto a vida e a morte.
Definir únicos, líderes, perdedores, excluídos.
Misturar ciência com estatísticas, prometer, cumprir, destinar, sentir mais a temperatura do que compaixão.

Tudo que eu vejo de baixo são julgamentos de massas, culturas falidas por guerras, cópias de cópias,
idéias que não tiveram apoio e idéias que destruíram vidas. As pessoas se jogam para a morte,
esperam por um Deus ou buscam na crítica sobre Deus também um sentido, um ateísmo que o possa libertar das carências tanto quanto a reencarnação para os esperançosos que não aguentam.

Quando formos sacrificar nosso tempo,  nossos sonhos prontos, ambições e vaidades;
Vamos sacrificar nossas verdades e ordem fálica em troca de libertação?


terça-feira, 21 de junho de 2011



Nesses momentos que o silêncio não diz mesmo nada e a poesia vai embora,
escorre pra não me apavorar.
Foi por isso que fugi e agora sinto essas coisas em câmera lenta.
Dois dias parecem dois meses agora.
O estômago que antes se revoltava, agora padece em uma conformidade já conhecida, onde a digestão é lenta e voltar só causa um vômito triste,
nada sobre falhas poéticas, apenas uma lucidez vista por um olho mágico, sem qualquer chance de me abrir, mesmo chamando na porta.
Uma dor que dilacera não me faz aguentar outra, não faz sentido,
pra quê dores dilacerantes?
Nunca existiu um complemento naquilo que resultava em alguma coisa
capaz de me fazer fugir.
Só por que fugia, não quer dizer que era bom e que eu poderia perder.
Simplesmente significa que nunca foi bom e eu já sabia que só poderia ganhar
ao explorar e organizar o que é importante.
E pra que?
Viver essa importância agora vale como?
Não me sinto ótima, contudo menos ainda preferia uma ignorância.
Preferia uma distância, perceber que não vale a pena nem fingir,
não vale a pena mentir se não existe por quê ser sincero.
O incerto sempre foi o agora, o amanhã nem mesmo existiu.
Agora o certo é apenas um ontem?


Um amanhã com a desventura do sofrimento,
engolido como as palavras que nunca mais vi,
causando um esquecimento que nunca mais lembrei.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

times deserved technology

Fico com medo pensando em merecimentos. 
Fico horas olhando fotos, imagens, matérias, desenhos, pinturas. 
É como fazer um tour por várias mostras culturais, exposições do mundo inteiro.
A internet é um veículo maravilhoso, como alguém pode julgar? 
Quando menor sentia vontade de conseguir ler vários livros ao mesmo tempo,
daí deixava os mais importante ao lado da minha cama, pra pelo menos ter a segurança
de saber que qualquer coisa é só pegar e procurar. Na internet é como se
tudo fosse interdisciplinar, um momento estou vendo desenhos geniais de Norma Bar, outro fotos de castelos de Roma, outro tatuagens das mais diversas, outro kawais, outro quadrinhos de piadas nerds anos 90 que rio abeça. 
Merecemos ter tanta informação, sim, espero poder dizer isso. Somos fruto de muitos estudos, experiências, sonhos. 
Eu agradeço todos os dias por tudo isso que a humanidade alcançou.
É uma ciência movida pela paixão, aquela em que esquecemos de pensar no depois de amanhã, achando que até lá já teremos resolvido. Assim é nossa questão ambiental.  
A natureza nos inspira a tudo que fazemos, absolutamente. Sem ela, não tem o que
pesquisar, o que deslumbrar-mo-nos. A reciclagem não é um paliativo, ela é genial se posta em prática realmente. Nossos sentimentos são da natureza de nossos pensamentos, também frutos de um sistema biológico complexo, lindo. Nossos pensamentos também podem ser reciclados.
Contudo, ainda considero os humanos frágeis demais. Talvez a tecnologia nos esteja mimando, já que com ela deixamos de nos interiorizar e assim, carentes, nos apoiamos demais em redes sociais virtuais e riquezas materiais, nos tornando dependentes dessas coisas. Não as acho erradas, mas depender
e viver apenas na superficialidade (nem sempre fútil) que todos apresentam nesses meios, já que viramos vitrines, é negativo. 
Pra nós dos anos 90 esse avanço enorme tecnológico pode ser ou muito bom ou muito ruim. Para os mais antigos essa tecnologia atual costuma a ser desesperadora e dá pra entender o por quê. Rapidez, informação, plágio. A trivialidade passa em bandejas, o sexo também. A energia sexual faz o marketing, o marketing faz de nossas mentes mecanismos mais fáceis. 
As teorias borbulham. O preconceito ainda existe, não importa, sempre existirá. Os padrões são pra rotular, os rótulos excluem muitos. A mídia ilude porque nós gostamos de nos iludir. Talvez seja fácil reparar isso... Difícil é tentar não se influenciar por nada disso. Diria impossível. Na busca do sentido a curtição é inevitável, o deleite em tantas formas grosseiras. Antigamente usávamos melhor o ócio? 
Mas há muitos que transformam em arte o que vêem e sentem. É maravilhoso! Meus olhos brilham. a criatividade que o jovem atual apresenta é impressionante. As teorias de estudos antropológicos e sociológicos não servem só pra livros de auto-ajuda. 
Papo furado sempre existiu. A quantidade de pessoas aumenta, é normal, mas a porcentagem produtiva é maior, a democracia fez isso brilhantemente.  
Enfim, agradeço, tudo é interessante e o mundo merece tanto quanto merece o caos que também se cria com as sobras. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Arnaldo Jabor_

'' Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.''

obs_síndromes

domingo, 10 de abril de 2011

meio

http://kateduffyartpaintings.files.wordpress.com/2008/05/mondrian-grey-tree-painting.jpg
Mondrian, grey tree



Quando me vejo sendo outra pessoa, não me vejo fazendo o que eu faço
nem lidando como eu lido.

Quando eu penso em lidar como outra pessoa,
sinto dor e faço sentir.

Quando sou eu, a dor é libertadora, a verdade é libertadora e
ao mesmo tempo não consigo olhar pra ela. Não consigo sentir
o calor do sol e saem lágrimas dos meus olhos só de olhar pra ele,
já que arde demais.

Fujo da dor - quando me coloco em outra pessoa ainda sim sinto minha dor, mesmo com atitudes diferentes - e não quero me colocar nela. Ao mesmo tempo só consigo vivê-la pra ter uma alegria feliz, algo que me faz ser normal até o momento que demonstro as anomalias.

Ninguém é capaz de entender uma dor multiplicada,
nem uma felicidade multiplicada.
Só entendem as divisões.




sexta-feira, 11 de março de 2011

Um site genial


http://www.confiometro.com.br/

Relate sua experiência com alguma empresa agora mesmo.
O Confiômetro divulga, vai atrás da empresa e ajuda
a fazer valer os seus direitos como consumidor.


Sem glamour algum

Por quê eu demoro tanto tempo escolhendo roupa?

- A pesquisa de preço é árdua. Não consigo comprar
algo sem ver em mais 3 lojas de diferentes bairros
o preço - e em ocasiões específicas de ir a tal bairro de qualquer forma.

Em copacabana tem uma loja bem parecida com
uma aqui da freguesia/JPA/zonaoeste: só que
as camisas de 10 reais são menos feias do que
as daqui, que também são 10 reais. Além dessas, também vestidos de 70, 35, 60, 55 reais, aí é óbvio que vou dizer: "estamos em copacabana, uma loja aqui é muito mais cara". É até por esse mesmo motivo que prefiro não comprar roupas em shopping.

Fui então até a Taquara/JPA/zonaoeste, o lugar mais perto (praquemmoranazonaoeste) pra se comprar roupas baratas. Show... Fui em mais de 5 lojas e, cara, coisas menos piores lá estavam por 60 reais - e ainda sim não eram do meu feitio.

Tem gente que acha 60 reais baratíssimo, o pessoal de copacabana por ex.. Agora, o pessoal da Taquara não acha o vestido de 60 caro? Não!
Pois acho caro e feio, meu Deus, pra quê tanta estampa? Céus, eu não quero estampa.

- Esse é feio, não dá não.
- Ué, mas é parecido com o que você está.
- Sim, e você acha que eu gosto do que eu tô?
É prático: barato e leve, por isso comprei e uso.

Aí as mulheres na loja repetem coisas como: "mulheres demoram muito pra escolher, não adianta!!" - etc.. Acho que outras mulheres, e homens
inclusive, fazem essa pesquisa de preço... Não são grande parte, mas sinceramente toda vez que compro roupa eu penso o que eu poderia estar comprando de produtivo com o dinheiro extra que pagaria se fosse em qualquer loja sem pesquisa alguma.
E aí, sou prática?

Não importa, ali sou mais uma mulher que demora pra comprar roupa.
Não tenho orgulho disso, não acho o máximo do feminino e engraçadinho a mulher se importar tanto com a aparência, ter tantos padrões e competição. Isso ainda é consequência de um machismo, ainda é a mulher se tornar escrava de uma beleza idealizada por homens ou para homens ou mulheres que pensam em padrões que nem sabem da onde vem - menos ainda se perguntam porquê. É bonito se tornar fantoche do capitalismo? É feminino gastar muito dinheiro em roupa?

Não julgo tecidos e o quanto são confortáveis, esquentam ou são frescos, concordo também com essa procura - afinal, quem pode, por que não comprar um tecido que lhe agrada mais, mesmo sendo mais caro? Trabalhou, manda vê, compra sim... Mas cara, poucas as pessoas que falam em tecido relacionando a conforto. O normal é relacionar ao preço, a "finura". 

Lembro de uma roda de discussão da faculdade em que o professor levantou a questão dos preços das coisas, influências etc.. Na sala a maioria das meninas falava bastante de bolsas. Há, e na sala inteira só tinha um cara - que faltava - o resto era mulher. ótimo? Bem, então uma mulher foi comentar que não ligava nem um pouco pra isso, que estava mais preocupada com outras coisas e tentava economizar sempre etc. Perguntei onde ela ia comprar roupa. "Vou ali no barra shopping mesmo, pra minha filha compro na bicho comeu blablabla". A bicho comeu é uma das lojas de roupa infantil mais caras do Rio, é uma marca conhecida e tal, assim como qualquer loja de shopping você vai encontrar preços maiores... Isso não é se importar? É ser alienada? E a alienação é culpa dela só? Não é só culpa dela e é sim um sintoma de influência, capitalismo, vaidade. Ninguém está livre da vaidade seja lá em quê área da vida, mas não querendo ser tão chata (mas já sendo chata), se  não se importa com marca etc. o que diabos fará na bicho comeu? No  barra shopping? Tem cartão da renner? leeder? Não têm. Foi uma discussão interessante e desinteressante é alfinetar as pessoas,
sabia que estava ali pra colocar em prática o que tanto falo: a união. 

A mulher é insegura, o homem é inseguro. Todos somos vítimas e também propulsores do capitalismo.

Nós alimentamos isso aí, sorrindo e achando graça de comerciais de lojas que exploram a busca da beleza padronizada. 


FEITIO

1. Forma, configuração, feição, conformação.
2. Corte; talho.
3. Fig. Espécie, laia, qualidade.
4. Carácter!Caráter, modo de pensar ou de proceder, génio, índole.
5. Mão-de-obra; preço do trabalho (do alfaiate, modista, etc.)
6. Excremento de coelho, raposa e outros animais.




''A existência da moda é uma das grandes sacadas da estrutura do sistema capitalista. As roupas, calçados, maquiagens, penteados, etc. mudam no mínimo a cada estação, isso faz com que os produtos se renovem a cada momento, mas a grande sacada desse setor é que muitas vezes podem ser apresentadas modas espelhadas em outras épocas, o que faz com que compremos novamente os produtos que tínhamos na década de 1970, ou seja, acabamos comprando duas vezes o mesmo produto só que em épocas diferentes, não necessariamente porque gostamos, mas porque o grupo social assim exige.
Cabe aqui ressaltar que a moda não trará novamente algo de cinco anos atrás, pois se corre o risco de eu ainda ter guardado no meu armário e, dessa maneira, não necessitarei fazer a compra.
Essa é a nossa famosa lógica do consumo, a qual está fundamentada na nossa cultura, na estrutura do sistema capitalista, e faz com que, por intermédio de vários patamares, sendo um deles a MODA, o fluxo financeiro continue fluindo concretizando a estrutura do sistema capitalista.
Revista Sociologia/Tatiana Martins Alméri é socióloga pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, mestre em Sociologia Política e professora na Unip e na Fatec (taalmeri2@hotmail.com)''

willtirando

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Inconsequências didáticas

A culpa não é do cérebro!
Por que temos tantos “Pitágoras” para tão poucas “Theanos”?! Será que o cérebro das mulheres é menos inclinado a entender a Matemática?! Não é o que diz o estudo de Janet Hyde e Janet Mertz da Universidade de Wisconsin-Madison, publicado em junho de 2009, na PNAS. Para as pesquisadoras o potencial “biológico” feminino para a Matemática é igual ao dos homens, mas elas acabam tendo menos incentivo para se empenhar nesta área de conhecimento. O que não ocorre no Oriente, já que meninas criadas em países asiáticos costumam ter, em média, notas maiores que as dos EUA. Sendo assim, ao invés de uma diferença biológica inerente ao sexo, a chave do problema parece ser uma questão sociocultural! (LSBP, jun 2009)
Hyde J S, Mertz J E (2009). Gender, culture, and mathematics performance. PNAS 106 (22), 8801-8807.''


  "Matemática em meninas não vem do berço, e sim de estereótipos... e da professora...

O gosto pela matemática divide as opiniões dos estudantes desde que estão nos primeiros anos do ensino fundamental. Há os que adoram o mundo dos números e há os que torcem o nariz só de pensar em fazer uma multiplicação. Muitos destes últimos manifestam uma grande ansiedade em relação à matemática, que pode ser definida como uma resposta emocional desagradável à matemática, e que é mais comum em mulheres do que em homens. O fato dessa ansiedade em relação à matemática ser mais comum em mulheres, ou meninas, é usado por alguns como evidência de que já na infância as mulheres seriam menos aptas para a matemática do que os homens.
Isso, no entanto, não é necessariamente verdade – e, aliás, há evidências de que não há uma inaptidão inata de qualquer dos sexos para a matemática. Ao contrário, a ansiedade em relação à matemática poderia ser... aprendida. E aprendida, por exemplo, da própria professora de matemática.
Isso é o que descobriram Sian Beilock e colegas, da Universidade de Chicago, em uma pesquisa com estudantes e professoras do ensino fundamental nos EUA, onde 90% dos professores do ensino fundamental são mulheres. O grupo testou as habilidades matemáticas e o grau de ansiedade com relação à matemática de 17 professoras da 1ª e 2ª série do ensino fundamental (mas não professores). Também os estudantes, nos três primeiros meses de aula e nos dois últimos, tiveram testadas suas habilidades matemáticas e sua crença no estereótipo acadêmico de gêneros (“meninos são melhores em matemática e meninas são melhores em leitura”). Afinal, seria possível que a ansiedade matemática das professoras levasse a um menor desempenho das alunas em matemática se estas se acreditassem intrinsicamente ineptas, como sua professora, para a matemática.
Para avaliar a crença no estereótipo acadêmico, os pesquisadores contavam duas histórias isoladas sobre um estudante (sem distinção de sexo, o que funciona em inglês) bom em matemática e um estudante (também sem distinção de sexo) bom em leitura e pediam às crianças para desenhar cada um dos personagens. Os cientistas perguntavam, então, às crianças se os personagens que haviam desenhado eram menino ou menina. O exercício foi realizado duas vezes: no início e no fim do ano letivo.
Resultado: no fim, mas não no início do ano letivo, as meninas lecionadas por professoras com ansiedade matemática tinham maior propensão a acreditar no estereótipo “meninos são bons em matemática e meninas são boas em leitura”. Ao final do ano, essas meninas, alunas de professoras com ansiedade matemática, também tinham menor desempenho matemático em relação aos meninos de sua classe e em relação às meninas da mesma classe que não acreditavam no estereótipo – embora no começo do ano todos tivessem desempenho igual. Os meninos, aliás, não parecem ser afetados pela ansiedade da professora, tenham eles ou não crença no estereótipo acadêmico.
A influência da ansiedade das professoras somente sobre as meninas pode ser atribuída ao fato de crianças em idade escolar (1a e 2a séries) tenderem a se espelhar nos adultos de mesmo sexo para compor seu repertório de comportamentos socialmente aceitáveis. Além disso, essas crianças já conhecem crenças comumente aceitas sobre gêneros e habilidades a elas atribuídas, e tendem a adotar comportamentos e atitudes que elas pensam ser adequados a cada sexo. Sendo assim, se a professora demonstra ansiedade em relação à disciplina e o senso comum diz que os meninos são melhores do que as meninas em matemática, muitas meninas acreditam nisso e sentem-se desmotivadas em desafios matemáticos. Essa falta de motivação tem uma influência direta no desempenho dessas meninas, que acaba sendo pior do que o esperado. Aliada à aceitação do estereótipo, a ansiedade matemática da professora, portanto, leva a queda do desempenho na disciplina, mesmo que a pessoa tenha habilidades suficientes para obter sucesso com os números.
Não se deve, contudo, colocar a culpa só na professora: há muitas outras fontes prováveis de influência no desempenho matemático das meninas, como professoras anteriores, pais, mães e irmãos, que reforçam ou não o estereótipo de habilidades acadêmicas.
O importante é lembrar que o desempenho geral de meninas e meninos não apresenta diferenças inatas: as habilidades são as mesmas entre os sexos, e o que difere é o estímulo que é dado a meninos e meninas para desenvolver suas competências.
(SAC, 12/03/10).

Fontes: Beilock SL, Gunderson EA, Ramirez G, Levine SC (2010) Female teacher´s math anxiety affect girls’ math achievement. PNAS 107, 1860-1863.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sobre alguns "bugs" da Mente

A mente é o aspecto da inteligência e da consciência experiente com combinações de pensamento, percepção, memória, emoção, vontade e imaginação, incluindo todos os processos do inconsciente cognitivo. A mente manifesta-se subjetivamente como um fluxo de consciência. Neuroanatomistas costumam considerar que o cérebro é a unidade central do que chamamos de mente. Aqui é o momento de jogar com o truque do cérebro humano.


Processo Ganzfeld


No começo isso pode soar como uma piada de mau gosto prática. Comece por sintonizar o rádio em uma estação de reprodução estática. Em seguida, deite-se em um sofá e coloque com uma fita dupla com a metade de uma bola de pingue-pongue em cada olho. Dentro de minutos você deve começar a sentir um bizarro conjunto de distorções sensoriais.
Algumas pessoas vêem os cavalos atropelando as nuvens ou ouvem a voz de um parente morto. Acontece que a mente está viciada em sensações de modo que quando há pouca sensação (que é a finalidade das bolas de pingue pongue e estática) o seu cérebro acaba por inventar suas próprias.


Reduzir sua dor

No caso de sentir uma lesão, e depois ver a parte lesada com a parte inversa do binóculo, logo sua dor parece diminuir sua magnitude.
Recentemente, um reasearch na Universidade de Oxford levou à descoberta de um novo assassino de dor – a inversão dos binóculos. Os cientistas demonstraram que os indivíduos que olharam para suas mãos feridas através do lado errado do binóculo, fazendo com que as mãos parecessem menores, experimentaram menos dor, diminuindo significativamente o inchaço. Segundo os pesquisadores, isso demonstra que até mesmo as sensações corporais básicas, tais como a dor, são modulados por aquilo que vemos.


Confundir sua percepção
Isso requer duas cadeiras e uma venda para os olhos. A pessoa usando a venda deve se sentar na cadeira de trás, olhando para as costas da pessoa sentada na frente. A pessoa de olhos vendados, deve colocar a mão no nariz da outra pessoa. Ao mesmo tempo, ela deve colocar sua mão sobre o seu próprio nariz e começar a acariciar os narizes. Após cerca de um minuto, mais de 50% dos sujeitos relatam que seu nariz parece estar incrivelmente longo, por isso chamado “Efeito Pinóquio”. O efeito Pinocchio é uma ilusão que o nariz está crescendo mais, como aconteceu com o personagem literário, Pinocchio, quando ele contou uma mentira.


Confundir seus movimentos

 Levante o pé direito a alguns centímetros do chão e então comece a movê-lo em sentido horário. Enquanto estiver fazendo isso, use um dedo indicador direito formando um número 6 no ar. Seu pé vai girar em sentido anti-horário e não há nada que você possa fazer sobre isso!
O lado esquerdo de seu cérebro, que controla o lado direito do corpo, é responsável pelo ritmo e timing. O lado esquerdo de seu cérebro não consegue lidar com a operação de dois movimentos ao mesmo tempo e por isso combina-os em um único movimento.


Confundir sua percepção de profundidade

Percepção de profundidade é a habilidade visual de perceber o mundo em três dimensões (3D). Olhando para uma visão que você não tenha visto antes ou entrar em um cinema 3D com os olhos fechados um irá alterar a forma como a mente percebe as coisas.
Percepção de profundidade surge de uma variedade de sugestões de profundidade. Estes são tipicamente classificados em pistas binoculares que requerem a entrada de imagem em ambos os olhos e sugestões monoculares que requerem a entrada de apenas um olho. Sugestões binocularares incluem estereoscópica, cedendo a profundidade da visão binocular, através da exploração de paralaxe. Uma vez que (por definição), a percepção binocular de profundidade requer dois olhos a funcionar, uma pessoa com apenas um olho em funcionamento não tem a percepção de profundidade binocular. E, portanto, entrando em um cinema 3D não será um fenômeno surpreendente quanto costumava ser.


Confundir sua fotorecepção


Olhe para o ponto central (sinal) da imagem em preto e branco por pelo menos 30
segundos e depois olhe para uma parede perto de você, você vai ver um ponto brilhante, brilho, algumas vezes, o que você vê? ou mesmo, quem você vê?

 

Olhe para o olho do papagaio, enquanto você lentamente conta até 20, logo em seguida olhe para uma mancha na gaiola vazia. A imagem, fantasma tênue de um pássaro azul-verde deve aparecer na gaiola. Tente a mesma coisa com o cardeal verde, e uma ave magenta fraca deve aparecer.
Quando uma imagem é vista por um período de tempo (geralmente em torno de 30 segundos) e, em seguida substituído por um campo em branco, um tipo de efeito chamado de pós-imagem pode ser visto. A explicação comum dada para uma pós-imagem é a de que os fotorreceptores (cones e bastonetes) do olho ficam “cansados”, e não funcionam tão bem como os fotorreceptores que não foram afetados (a “fadiga” é realmente causada pela descoloração temporária dos pigmentos sensíveis à luz contida dentro da fotorreceptores). Isso resulta em informações que são fornecidas pelos fotorreceptores em desequilíbrio, fazendo com que as imagens fixas apareçam. Quando os fotorreceptores tornam-se menos “cansados”, entre dez e trinta segundos, o equilíbrio é recuperado, resultando no desaparecimento da imagem.

Minilua, Adaptado de smashinglists

sábado, 10 de julho de 2010

O que mais fazem na internet



 http://www.krcdesign.com.br/fotos/pessoas.jpg

  O que as pessoas mais fazem na internet? 

Particularmente adoro saber esses dados, adoro gráficos e as porcentagens
e enfim.... Existem muitas pesquisas, eis algumas:


"O Instituo Nielsen acabou de divulgar uma pesquisa que aborda o comportamento das pessoas na internet. Esse instituto trata os usuários como consumidores, estejam     eles usufruindo de produtos ou apenas consumindo conteúdo.
Segue o resultado da pesquisa:
  • Visualização de conteúdos (navegação em sites, tais como blogs úteis ou engraçadinhos): 42%
  • Redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter): 22%
  • Outras Atividades (incluindo e-mails, comércio eletrônico e buscas): 36%
  • Porcentagem em relação as redes sociais:
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(Imagem do lado: Percentual de pessoas que usam redes sociais, divididas por país.)
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Pesquisa realizada com usuários americanos revelou o que eles fazem na internet:

Envio ou leitura de emails: 45%
Utilização de mecanismos de busca: 40%
Visualização de notícias: 30%
Internet banking: 18%
Visualização de vídeos: 15%
Redes sociais: 15%
Leitura de blogs: 10%
Compras on-line: 5%
Jogos virtuais on-line: 5%


 *   55% das pessoas fazem todas essas coisas na internet com regularidade.
 ...

Mas peraí, a pornografia fica aonde?

"Novas pesquisas revelaram que a pornografia anda meio “murcha” nesses últimos tempos, pelo visto as pessoas andam mais interessadas em redes sociais do que qualquer outra coisa.
Atualmente, apenas 2,7% do tempo gasto na internet é relacionado a sites adultos, já as redes sociais ocupam 22,7% do tempo que se passa navegando (esses dados são de pesquisas realizadas na Europa).
Hoje em dia até os sites de relacionamentos andam tendo melhores resultados que sites pornográficos. O portal Online Schools revelou que esse tipo de site movimenta incríveis 1,5 bilhões de dólares por ano.

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 (O analista de mídias José Calazans, garante que aqui no Brasil a pornografia continua em alta, ele acredita que os vídeos estão fazendo com que os internautas naveguem menos, mas vejam mais. “A navegação em sites adultos não foi afetada pela popularização dos sites de redes sociais”, comenta Calazans.
Segundos dados do Ibope, 30% dos brasileiros têm o costume de entrar em sites adultos, além disso, sabe-se que existe muita pornografia em redes sociais. ¬ ¬)

 Dados sobre o conteúdo pornográfico
- São Francisco é a capital mundial da pornografia (nada de novo)
- 12% dos sites são de conteúdo pornográfico
- 25% das pesquisas efectuadas são relativas a pornografia
- 35% dos downloads efectuados na Internet são pornografia
- A cada segundo que passa 28.258 internautas estão a ver pornografia
- Gastam-se 89USD/segundo em pornografia
- Surgem 266 sites de pornografia por dia
- “Sex” é a palavra mais pesquisada na Internet
- Os resultados financeiros dos EUA em pornografia na Internet são 2.84 mil milhões de dólares
- 72% dos “clientes” a pornografia são homens
- 70% do tráfego relativo à pornografia ocorre durante o horário normal de trabalho
- Estima-se em 372 milhões o número de páginas pornográficas
- Destes 372 milhões, 4% são do Reino Unido (capital do puritanismo), 3% da Alemanha e 89% dos EUA
- Países como a Arábia Saudita, Barém, Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Malásia, Indonésia, Singapura, Quénia, Índia, China e Cuba baniram a pornografia!



Vídeo sobre dados elucidativos sobre o acesso à pornografia =D.

http://www.overbo.com.br/portal/wp-content/uploads/2009/07/crianca_internet_thumb15.jpg

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Para mortais

A cadeira aqui da lan house me deixa nervosa. Não que seja uma merda,
mas me deixa nervosa. Na verdade todas as cadeiras me deixam nervosa.
É aquela parada, ou uma cadeira têm encosto ou não tem... essas punhetinhas
de cadeiras com encosto baixo (pega apenas parte da sua coluna) e sem encosto na parte do assento, sabe? Tipo de aula mesmo, o bagulho não se resolve: ou têm um encosto, ou tem um encosto baixo! Porra, mas esse "pedaço" de encosto não faz sentido, me deixa desesperada!  É pra ficar bonitinho, trabalhadinho, ferrinho em espiralzinhas e acolchoadinhos pra cadeiras escrotas de jantar?
Pessoalmente não que eu jante cadeiras, mas é um desconforto que, se comparado
ao rústico, perde feio*(fugindo da Zeugma, apesar de ser praticamente meu signo
solar). Sabe, é tipo a carteira das nossas aulas, sua bunda fica aonde?
É como sentar de costas pra um penhasco. Céus, alguém quer sentar no penhasco? 
Tente visualizar sua bunda sentando na cadeira e parte dela ficar exposta para quem está atrás de você?  Ainda dá para piorar: se você é uma pessoa boa de coração e deseja sentar corretamente, logo tenta ficar em um ângulo de 90° na cadeira,
levando sua bunda pra trás, no limite do encosto. Mas cadê o encosto?
Sua bunda senta no vão, sua anatomia indiretamente começa a ter
conflitos internos, logo estará lançando um livro. Será que essa comparação
vale pro conotativo dos professores de educação física?

A questão é que esta que estou (Z) (estequestaquiatrás, estequestáquiatrás [...]!) é enorme e alta, não consigo colocar os pés no chão (mais conflitos, nesse caso o platonismo e desilusão), ou seja, fico o tempo inteiro analisando que forma consigo fazer uma respiração diafragmática e como posso ficar quieta em alguma posição, desviando minha atenção do objetivo de estar aqui em uma lan house pequena e fria, cujo principal motivo de ter me convencido a entrar foi a propaganda em sua parte exterior, na entrada.  Mas... Acha mesmo que nada poderia ser tão bom a ponto de te fazer entrar (além da necessidade) em um lugar tão frio e pequeno e cheio ?(cheio em relação às pessoas aqui, porque na verdade  são apenas 5 máquinas, e elas estão ocupadas) e com um banheiro fedendo e um cara  que fica puto quando você pendura sua mochila/bolsa na maçaneta de uma porta completamente  aleatória e fechada, no meio da sala? Bem, existe um motivo e pretendo futuramente tirar uma foto pra provar isso.
Antes disso, explico que é uma imagem bem ampliada de um desktop (compreende-se que seja um desktop, caralho) e uma janelinha aberta, daquelas que te fazem clicar nas respostas referentes às suas perguntas, do tipo: "sim" ou "não", "salvar", "não salvar", "deixar para mais tarde", "não me lembre mais essa mensagem", "cancelar", "executar" ou até mesmo "sim" quando te perguntam se você quer que o entregador de pizza entregue a pizza ou não, ou se quer ir pra cidade ou não, se deseja que seu Sim (the sins, nunca jogou?!) tenha livre arbítrio ou não, etc etc etc. (enfim, deu pra entender). Então, é essa janelinha perguntando: "deseja entrar na cyberbeltrana?" e um cursor normal (setinha branca) clicando no "Ok", do tipo: desejo entrar na cyberbeltrana! \o/ ! ".

Aí as pessoas me perguntam como me distraio e alegam pra qualquer um
essa característica bizarra: minha loucura. ''Pensar demais é uma loucura'', o que dá
s i m  no mesmo que dizer  ''ser louca demais é pensar''. As pessoas conseguem
focar em um assunto e dele extraírem o necessário para executá-lo, é bonito pra caramba e assim o mundo avança e as cadeiras continuam com a mesma eficiência básica: sentar ou ser bonita. "Que isso, claro que existem!" sim, de fato.... Existem as cadeiras que além de poder sentar, são bonitas. Fora isso não são cadeiras,
são pequenas naves mesmo, $3.000.