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terça-feira, 3 de abril de 2012

Ciência e espiritualidade I


Um Diálogo Fraterno sobre Ciência e Espiritismo I

Ademir Xavier e Alexandre Fontes da Fonseca

Apresentação

Durante o final de 2003 e início de 2004 diversos e-mails encaminhados ao GEAE versavam sobre a relação entre a Ciência e o Espiritismo. Questões e Comentários que nos levaram a discutir o tema e buscar uma forma de sintetizá-lo.
Desta busca nasceu este artigo, em forma de diálogo, onde os participantes são Ademir Xavier e Alexandre Fontes da Fonseca. A apresentação de cada um deles se fará mais detalhadamente no início do diálogo, mas basicamente são dois Espíritas de formação cientifica e especialização na área da Física.
Além destes participantes diretos, tivemos também a participação dos editores do GEAE, comentando e ajudando no encaminhamento do diálogo. De minha parte fiz o papel de moderador e de compilador das respostas. A ordem das perguntas e sua organização final refletem a estruturação em um artigo para o Boletim mas foram originariamente e-mails trocados durante o debate.
Com o propósito de organizar o debate adotamos por regra colocar inicialmente a questão debatida e a seguir a resposta de cada um dos participantes, ordenadas por ordem alfabética. As réplicas e tréplicas, quando houverem, seguirão após as respostas originais.
Muita Paz,
Carlos Iglesia

Definição de Escopo

Na definição de Allan Kardec o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações (KARDEC, 1995)
Decorre já desta definição um relacionamento entre a metodologia de pesquisa da Doutrina Espírita e a das ciências ordinárias, bem como uma correlação entre seus avanços e o aperfeiçoamento da compreensão filosófica do mundo - conceito que os filósofos alemães celebrizaram com o nome de "Weltanschauung" (visão de mundo) - proposta pelo Espiritismo.
Aparentemente simples estes relacionamentos tem levado defensores e opositores da doutrina a repetidas confusões. Desde as mais simples - como atribuir a cada nova descoberta cientifica foros de comprovação ou reprovação de afirmações espíritas pontuais - até as mais refinadas como as que buscam enquadrar a ciência espírita dentro dos estreitos limites obedecidos pela epistemologia[1] das ciências ordinárias, esquecendo-se que o Espiritismo não só lida com fenômenos espirituais que escapam a mensuração direta por instrumentos materiais como também é em parte “Revelação”.
É portanto no esclarecimento destes relacionamentos que focaremos nossa atenção. O que se pode dizer sobre a relação Espiritismo e Ciência ordinária? Como as descobertas nos dois campos se relacionam e como podem ser extrapoladas de um para outro. Qual o ferramental para estas análises e o seu critério de validade.

Os Participantes

Uma vez que estaremos tratando de temas bastante especializados é importante que sejam apresentados os participantes, indicando o seu nível de conhecimento no campo científico. Ambos prefeririam ser identificados da forma mais singela possível, mas neste caso em especial, precisaremos nos ater mais as regras que seguem publicações especializadas em ciência do que propriamente as que costumamos usar. Assim:
[Ademir] Recebeu seu PhD em Física em 1997 na Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP trabalhando com aproximações semiclássicas a sistemas quânticos unidimensionais e bidimensionais. Após um curto estágio na Universidade de Freiburg in Breisgau, Alemanha, publicou vários trabalhos em física de aceleradores com especial atenção à otimização de anéis aceleradores de elétrons de altas energias. Atualmente dedica-se à pesquisa operacional, geração automática de programação de produção, desenho de sistemas ópticos e de RF e reconhecimento de imagens. É membro do conselho editorial do GEAE desde 1997, com particular interesse em epistemologia e na relação Ciência-Espiritismo.
[Alexandre] Freqüenta o centro espírita desde pequeno mas passou a se interessar pela leitura e estudo da doutrina espírita aos 15 anos de idade. É Físico formado pela Unicamp onde também realiza os cursos de mestrado e doutorado. Atualmente é pós-doutorando no Instituto de Física da USP. Já visitou como estágios de período mais ou menos curto o Departamento de Matemática da Universidade do Arizona, o Instituto de Física Teórica no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e o Departamento de Química de RUTGERS, The State University of New Jersey. É cientista, físico, em inicio de carreira com alguns poucos artigos publicados.

Debate

1) É importante começarmos pela definição do que estamos discutindo, assim é natural que a primeira pergunta seja o que é “Ciência”?
[Ademir] Uma definição popular diz que a ciência é a parte do conhecimento que estuda a Natureza. Uma resposta precisa, clara e definitiva é entretanto impossível de ser feita em tão curto espaço, requerendo conhecimentos específicos da área da filosofia conhecida como epistemologia. Ver Boletim 300 para maiores explanações nessa área por Silvio S Chibeni.
A resposta na primeira frase acima está muito longe de ser definitiva e torna-se importante saber o que caracteriza uma determinada disciplina como tendo status de "ciência". Isso é mais fácil de fazer do que o contrário. A reivindicação por parte de muitas disciplinas (tais como biblioteconomia, história, psicologia, estudos sociais etc) desse status tornou-se algo muito procurado hoje em dia, dado o prestígio de que a atividade científica - gerada pelo trabalho de ciências tais como biologia, física, química - tem na sociedade. O prestígio vem sobretudo (no meu entender) das conseqüências palpáveis na vida moderna da atividade científica tais como as inumeráveis aplicações tecnológicas, a prevenção e cura de doenças, a projeção de sistemas biológicos com propriedades específicas etc.
Em geral, o que caracteriza uma ciência bem estabelecida após atingir o estágio de maturidade é a existência de um paradigma que coordena, direciona e estabelece a pesquisa científica. O conceito de paradigma como princípio organizador da atividade genuinamente científica suplanta as concepções populares sobre a existência de um "método científico". Mas uma imensa maioria de pessoas (bem instruídas diga-se a verdade) ainda acredita que toda atividade científica deve seguir rigorosamente um método (científico) e que os resultados das pesquisas são "rigorosamente comprovados". Assim, pelo critério do método costuma-se desqualificar uma determinada disciplina - mormente se é o caso de o objeto de estudo ser de observação indireta (como veremos abaixo é o caso da Cosmologia, radioastronomia etc.) como tendo caráter científico. O Espiritismo - principalmente quando analisado em sua superfície e com visão pré-concebida, também tem seu caráter científico rejeitado, o que não é o caso.
Dentro da Doutrina Espírita podemos dizer que a atividade das chamadas ciências ordinárias (que seguem modelos ou paradigmas científicos bem estabelecidos) está intimamente relacionada ao estudo do elemento material. Obviamente que essa afirmação é válida dentro das visões de mundo onde o Espírito é elemento integrante da realidade. Nas visões onde esse elemento não é reconhecido, a única realidade é a matéria e disciplinas que pretendam estudar o elemento espiritual tem seu reconhecimento rejeitado.
[Alexandre] Uma definição (não sei é popular) de "método cientifico" é tal que diz que o conhecimento é construído/obtido a partir dos estágios:
1) Observação da natureza
2) Proposição de um modelo teórico
3) Teste do modelo através de experimentos
Porém, essa definição está longe de acontecer na realidade. O que a gente vê (e faz no nosso trabalho) é as vezes primeiro propor modelos, depois observar a natureza ou fazer testes através de experimentos e perceber algo novo ou etc. A ordem acima pode ser quebrada e como o Ademir respondeu em outras questões abaixo muitas predições dos modelos teóricos só foram verificados experimentalmente no futuro.
Portanto, como o Ademir escreveu acima, produzir conhecimento que mereça o adjetivo "científico" não requer seguir um método específico mas sim estar de acordo com o paradigma maior que define o campo de estudo.
O que eu gostaria de acrescentar é que, independente do campo de estudo, existe uma necessidade de verificar a descrição da realidade que criamos, isto é, verificar o modelo teórico. Esse é um ponto que é comum a todos os campos de estudo. E Kardec foi muito cuidadoso com esse aspecto ao criar um forte laço entre a codificação e os "fatos". No item VII da introdução do Livro dos Espíritos Kardec diz que os fatos é que dão a palavra final sobre a realidade. Em física, os "fatos" são verificados experimentalmente enquanto que em Cosmologia os "fatos" são apenas observados. Mas, dentro desse critério de verificação através dos fatos, a física, a cosmologia e o espiritismo são legítimos.

2) Dentro da ciência, qual é a posição da Física?
[Ademir] A física é a parte da ciência que estuda a matéria em seu estado mais elementar e primitivo. Essa definição também é muito limitada e, para ser complementada satisfatoriamente, exigiria uma grande explanação sobre os principais ramos de pesquisa da física moderna.
O que nos parece ser relevante conhecer a respeito do status científico da Física é sua estruturação completamente dentro dos moldes de paradigma. O exemplo mais marcante (e que influenciou a pesquisa na física desde o século 17) foi o desenvolvimento da mecânica. Rigorosamente a mecânica tem como objetivo estudar o estado de movimento da matéria. Aqui, por "matéria" podemos entender um simples "ponto material", ou seja, uma abstração teórica que se consegue tomando um objeto material de qualquer tamanho e reduzindo infinitamente suas dimensões (termo usado aqui em sentido não próprio da física), mantendo-se contudo inalterável sua "massa".
O estado de movimento em nosso "espaço" é definido na mecânica por um conjunto de seis coordenadas, três para a posição segundo um sistema de referência preferencialmente "inercial" e mais três para o momento ou quantidade de movimento igualmente medida nesse referencial.
Segundo a mecânica, dado uma descrição completa das forças que atuam nesse "ponto" é possível conhecer o estado futuro desse movimento. O conhecimento é tanto mais preciso quanto mais preciso forem nosso conhecimento a respeito do estado inicial. O fato é que com essas e outras noções foi possível explicar e prever admiravelmente uma grande quantidade de fenômenos observáveis. As leis da mecânica para o ponto material podem ser generalizada para distribuições arbitrárias de matéria e, juntamente com leis complementares (tais como as leis da gravitação, as forças de atrito etc), permitem explicar quase que a totalidade dos fenômenos de movimento observáveis (e muito mais complexos) tais como: fenômenos meteorológicos (uma extensão da mecânica aos fluidos), vibração de estruturas (teoria da elasticidade), levitação de objetos mais pesados que ar (dinâmica de fluidos), dinâmica dos planetas, cometas, origem do sistema solar etc.
De todos as divisões da física não é exagero dizer que a mecânica exerceu maior influência em outros ramos paralelos tais como os desenvolvimentos tecnológicos nas engenharias. De olho nesse sucesso, muitas disciplinas procuram se esforçar para atingir um nível de madureza como atingido pela mecânica na física.
O caráter científico da mecânica vem assim de sua estruturação na forma de um "paradigma". Esse se confunde com as leis de movimento de Newton complementados por leis particulares que servem para conectar o paradigma à realidade da Natureza. A noção de paradigma é estendida a outros ramos da física sem exceção: eletromagnetismo, física nuclear, termodinâmica, física estatística, mecânica quântica, óptica etc. A noção de paradigma ou a estruturação do conhecimento científico como um paradigma não foi feito de caso pensado na física. Antes, desenvolveu-se de maneira totalmente independente entre os vários campos e pode ser inferido posteriormente pelas pesquisas em história da ciência.
Repetimos que o paradigma é um indício muito forte de amadurecimento de uma disciplina como científica - independentemente do campo de estudo. Assim, se uma disciplina se dispõe a estudar o elemento espiritual -através de suas inúmeras manifestações - e conseguir atingir o nível paradigmático, terá atingido maturidade científica. Esse é o caso do Espiritismo (ver referências abaixo).
[Alexandre] Nada a acrescentar às palavras do Ademir.
3) Dentro da Física, quais são os campos de estudos que lidam com a física quântica e com a cosmologia? Em que diferem seus métodos de trabalho e objetivos?
[Ademir] Mais propriamente falando a "mecânica quântica" (sinônimo para física quântica) é o ramo da física que se formou como uma extensão da mecânica - é uma mecânica de fato - mas que dispõe de um paradigma completamente diferente da mecânica clássica. A mecânica quântica tem como objeto de estudo os estados da matéria em seu nível mais elementar, lidando com quantidades de movimento ínfimas se comparadas às quantidades de movimento associados aos fenômenos do dia-a-dia.
A cosmologia é uma área intermediária entre a astronomia (através da astrofísica) e da física cujo objetivo é formular modelos de universo. Diferentemente da física, a astronomia seguiu um caminho próprio. A astronomia é uma ciência muito mais "fenomenológica" no sentido que tende a formular modelos que se adaptem ao máximo ao que se observa no céu (lembremos do caso do sistema de Ptolomeu dos planetas orbitando a Terra, inclusive o Sol).
A interdisciplinaridade entre a astronomia e a física é algo de há muito bem estabelecido, seja através da astrofísica ou da mecânica celeste (uma aplicação da mecânica clássica determinista mais considerações geométricas de transformação entre sistemas de referência). Rigorosamente falando, do ponto de vista histórico, a evolução da compreensão do estado de movimento dos astros (um dos objetivos da astronomia) teve que esperar o desenvolvimento da física, principalmente a formulação do paradigma da mecânica. A pesquisa astronômica é independente contudo, sendo complementada através de modelos da física. Por exemplo, tomemos as observações de sistemas de estrelas binários muito próximos, a busca por discos de "acreção" adicionados os modelos para esses discos, a descrição estatística da distribuição e propriedade das estrelas - que desenvolveu-se independentemente da física, mas complementada por esta etc. Podemos dizer que a pesquisa astronômica vai muito longe, mas vai muito mais se feita em companhia da física.
A cosmologia desenvolve-se como um programa de pesquisa na forma de proposições de modelos de universo. Ligada à astronomia, a origem da cosmologia é muito antiga e todos os povos desenvolveram noções cosmológicas.
Mais modernamente, a cosmologia estrutura-se seguindo paradigmas da física tais como a relatividade geral, a mecânica de Newton e geometria. A adequação empírica das teorias cosmológicas é muito restrita dada a natureza do objeto de estudo: não se podem fazer experimentos, não é possível reproduzir os fenômenos e muito menos controlá-los. Podemos fazer um paralelo entre a cosmologia e a meteorologia: da mesma forma que aquela, a meteorologia sofre da impossibilidade de se fazer experimentos, tendo-se que contentar com a busca de modelos que representem fielmente o que é visto, dentro de noções mais abstratas de fundamentos que impedem a construção de modelos por mera geração ou proposição de leis que se adicionam infinitamente. O objetivo de uma atividade científica desse tipo é construir modelos que sejam simples e ao mesmo tempo suficientemente abrangentes para cobrir vasta gama de fenômenos.
Assim, se formos observar a base dos modelos dinâmicos para descrição de fenômenos meteorológicos, veremos que são bastante simples, fundamentados em conceitos primitivos da dinâmica de fluidos, termodinâmica e mecânica de Newton. A cosmologia, baseando-se em conceitos mais primitivos da física tais como a relatividade, a dinâmica e a geometria, propõe modelos de universo que visam descrever o estado do universo inicial - como uma extrapolação do que se observa hoje e, se possível, seu futuro. Não é difícil imaginar que diante da possibilidade de que as leis da física se alterem com o passar de muitos anos (o que não é admitido por princípio, mas é plausível) e de outros problemas teóricos, a descrição do universo primitivo e do futuro do universo sofre de inúmeros problemas, e conferem à cosmologia uma roupagem de "crença" aparente, visto que a idéia de crença se baseia popularmente na noção de algo que se acredita simplesmente.
Entretanto, a cosmologia enquadra-se no conceito de ciência pois possui um paradigma: atualmente o chamado "modelo padrão" (a despeito de problemas de adequação empírica que surgem pela descoberta de novos fatos e disponibilidade de novas observações), é o paradigma em uso pela cosmologia.
[Alexandre] Segundo o livro "Quantum Questions" do filósofo Ken Wilber (Shambhala Publications, Boston 2001), os grandes físicos (Heisenberg, Schroedinger, Planck,etc) tinham consciência de que a física (suas teorias) se alteram com o tempo. Inclusive, Wilber afirma que todos eles eram ao mesmo tempo religiosos e não concordavam que a física deve ser usada para explicar os fenômenos "místicos" justamente porque a física do amanhã pode vir a ser bem diferente da física do hoje. Wilber também menciona uma critica atual ao livro O Tao da Fisica (Fritjof Capra) porque o modelo usado pelo Capra (teoria do bootstrap) não é a mais aceita hoje (que é o modelo padrão).
André Luiz, no mecanismos da mediunidade, de forma muito interessante, ao meu ver, também menciona, como um cuidado a se tomar, que a ciência de um século muitas vezes é suplantada pela do século seguinte. Isso é um cuidado básico que devemos lembrar (que o Ademir lembrou bem).

(Publicado no Boletim GEAE Número 476 de 15 de junho de 2004)
(Continua no próximo Boletim GEAE
fonte  (E continuação, vai até VI)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

expressive writing


O tratamento pela escrita
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Estudos confirmam que escrever sobre a própria doença ajuda na recuperação.
Notícia Postada em: 16/01/2012
Por: Ricardo Santos
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Há muito a psicologia clínica indica que mudar as emoções diante de um evento é uma maneira eficaz de conseguir viver em paz com uma experiência dolorosa. Agora, a ciência confirma que a escrita não só é uma ferramenta importante nesse processo como pode alterar as respostas fisiológicas a doenças crônicas, melhorando o quadro de saúde de pacientes. Ao escrever os doentes tornam suportável uma experiência tida anteriormente como pesada demais. Ela passa a integrar a biografia de quem vive o trauma, abrindo o caminho para a recuperação, como se cada um reescrevesse sua história.

Por essa razão, a chamada “expressive writing” (algo como expressão pela escrita, em inglês) ganha cada vez mais espaço na medicina. Na última semana, por exemplo, dois novos estudos reforçaram o poder do método. O primeiro, aliás, apontou uma evolução interessante. Cientistas da Universidade de Haifa, em Israel, descobriram que a técnica, quando usada em blogs pode ser tão ou mais eficaz que no papel. Os pesquisadores chegaram à conclusão após analisar a reação ao experimento por eles organizado com a participação de 161 adolescentes com ansiedade e fobia social. Os jovens foram divididos em grupos que receberam orientações distintas. Alguns, por exemplo, deveriam escrever em blogs abertos, com comentários, e outros, em blogs fechados.

Depois de dez semanas escrevendo pelo menos duas vezes semanalmente, todos apresentaram melhora na autoestima, na autoconfiança e na capacidade de se sentir confortável em situações sociais que evitavam antes de iniciar a prática da escrita. Mas aqueles que escreveram em blogs com espaço para comentários manifestaram melhora mais significativa. De acordo com os autores do estudo, as características da internet e das qualidades da “expressive writing” podem ser potencializadas no blog. “Ele fornece uma combinação única de espaço confortável para a autoexpressão com um ambiente de interação social”, escreveram.

O segundo trabalho, da Universidade de Waterloo, no Canadá, mostrou a eficiência da técnica no controle do peso. Nele, a psicóloga Christine Logel demonstrou que as mulheres convidadas a escrever sobre seus sentimentos e valores perderam, em média, 3,4 quilos, enquanto as que não participaram da oficina ganharam cerca de 2,7 quilos. “Escrever funcionou como um incentivo”, disse Christine à ISTOÉ. A pesquisadora observou que a escrita ajudou as participantes a se sentir bem com elas próprias na medida em que descreviam o que consideravam importante em suas vidas. “E elas não utilizaram a comida como escape”, explicou Christine.

“A escrita organiza o pensamento e facilita o autoconhecimento”
Solange Pereira Pinho, coordenadora de oficina de escrita terapêutica



De fato, um estudo da Universidade de Baylor (EUA) com 48 portadores de câncer de testículo revelou que escrever sobre as emoções relacionadas à doença acelerou a recuperação dos participantes. Como justificativa, os cientistas levantaram a hipótese de que, como a escrita auxiliou no controle do estresse ocasionado pela enfermidade, o sistema imunológico entrou em equilíbrio. Resultado: ele deixa de reconhecer como nocivos agentes inofensivos, causando complicações como alergias, e continua a luta contra a doença.

Outras pesquisas também demonstraram os efeitos positivos da escrita no tratamento de doenças infecciosas, como a Aids, e diversos tipos de câncer. A dona de casa Izabel Modesto de Araújo, 47 anos, de São Paulo, por exemplo, encontrou na escrita uma maneira de amenizar o sofrimento após passar por três cirurgias para retirar um tumor cerebral. No processo de recuperação, ela começou a escrever já na cama do hospital. Acabou escrevendo dois livros e mantém o hábito da escrita até hoje, já recuperada. “Mesmo nos momentos mais difíceis não precisei tomar antidepressivo”, conta. “Escrever é minha terapia.”

No Rio Grande do Sul, a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association, organização internacional para o controle do estresse, indica a escrita terapêutica para pacientes que não conseguem lidar com o acesso de raiva. “Ela tem efeitos positivos naquelas pessoas com dificuldade de descrever a experiência sem se descontrolar ou ficar extremamente emocionadas.”

Não basta, entretanto, apenas escrever. “É preciso ter um propósito. A escrita organiza o pensamento e facilita o autoconhecimento”, diz a professora Solange Pereira Pinho, que comanda uma oficina de escrita terapêutica em Brasília. Isso é possibilitado porque, sob orientação correta, o paciente não somente descreve a reação ao evento, mas o que foi sentido no momento.


Também não é qualquer conteúdo que surtirá resultados positivos. Na literatura médica, as investigações do pesquisador americano James Pennebaker, que descreveu o poder da escrita terapêutica em “Abra o Seu Coração: O Poder da Cura Através da Expressão das Emoções” (Editora Gente), apontaram que escrever sobre os aspectos emocionais afeta a saúde positivamente, mas descrever apenas os fatos da experiência traumática pode surtir o efeito contrário.


Fonte: http://www.istoe.com.br 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Visão distorcida



Não acredite em tudo que seus olhos veem

Não acredite em tudo que seus olhos vêemA neurociência explica que, apesar de nossas sensações parecerem precisas e verdadeiras, elas não necessariamente reproduzem a realidade física do mundo. Isso porque os mecanismos que, na maioria das vezes, reproduzem corretamente os estímulos físicos que chegam até o cérebro são os mesmos responsáveis por nossos sonhos, ilusões e lapsos, como se os sinais recebidos pelos nossos cinco sentidos não fossem processados corretamente pelo cérebro.
Portanto, a famosa expressão “ver para crer” nem sempre é verdadeira. Mais correto estava Sócrates quando disse: “Tudo que sei é que nada sei”. Ainda mais quando se está diante de uma imagem criada para iludir o seu cérebro – uma ilusão visual – justamente o tipo de experiência em que a percepção não corresponde à realidade física.
O estudo de ilusões visuais é de suma importância para se compreender os mecanismos básicos da percepção sensorial, bem como para se encontrar a cura de muitas doenças do sistema visual. Mas, enquanto os pesquisadores utilizam essas ilusões para fins científicos, nós podemos utilizá-las para fins didáticos e de entretenimento. E, por que não, também exercitarmos nossas habilidades de visão espacial! Veja a seguir uma seleção de ilusões visuais muito interessantes.
Essa é uma ilusão que desafia a gravidade e foi considerada a melhor ilusão do ano de 2010 por um concurso americano. O truque envolve uma construção tridimensional de quatro rampas que aparentam descer para fora do centro. Quando bolas são colocadas nas rampas, elas estranhamente sobem a rampa, como se um imã as tivesse atraído.
Esse truque, criado pelo japonês Kokichi Sugihara, é rapidamente compreendido quando a construção é vista de uma perspectiva diferente – cada rampa está na verdade descendo para o centro. Nosso cérebro é enganado porque assumimos que cada coluna de sustentação é vertical e que a coluna do centro é a mais alta. Mas na realidade, as colunas e as rampas estão inclinadas para criar a ilusão.
Ilusão das Torres de Pisa
Essa é uma ilusão tão intrigante quanto simples. As duas imagens da Torre de Pisa são idênticas, mas a da direita nos passa a impressão de estar um pouco mais inclinada do que a da esquerda, como se tivesse sido fotografada de outro ângulo.
A explicação é que nosso cérebro é enganado por seu próprio mecanismo de construir uma imagem mental 3D a partir de uma imagem 2D, enquanto tenta tratar as duas imagens como se fizessem parte de uma única cena. O cérebro interpreta que os dois objetos deveriam convergir no horizonte, como se fosse num desenho em perspectiva, porém, como eles não convergem, pensamos que estão desalinhados. Essa habilidade do cérebro é inconsciente e acredita-se que é desenvolvida durante a infância.
Ilusão do rosto gordo e magro
Veja nas imagens acima como um simples truque pode lhe ajudar a perder peso nas fotos – basta virar a foto do seu rosto de cabeça para baixo. Como você pode ver acima, as duas fotos são idênticas, porém somos levados a crer que a foto que está de cabeça para baixo tem um rosto mais longo e, portanto, mais fino.
Esse truque funciona porque nosso cérebro percebe o formato do rosto usando as proporções relativas dos elementos da face, como os olhos, nariz e boca. Então, quando essas proporções são invertidas ao virarmos a foto, a nossa percepção do formato do rosto é distorcida.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

times deserved technology

Fico com medo pensando em merecimentos. 
Fico horas olhando fotos, imagens, matérias, desenhos, pinturas. 
É como fazer um tour por várias mostras culturais, exposições do mundo inteiro.
A internet é um veículo maravilhoso, como alguém pode julgar? 
Quando menor sentia vontade de conseguir ler vários livros ao mesmo tempo,
daí deixava os mais importante ao lado da minha cama, pra pelo menos ter a segurança
de saber que qualquer coisa é só pegar e procurar. Na internet é como se
tudo fosse interdisciplinar, um momento estou vendo desenhos geniais de Norma Bar, outro fotos de castelos de Roma, outro tatuagens das mais diversas, outro kawais, outro quadrinhos de piadas nerds anos 90 que rio abeça. 
Merecemos ter tanta informação, sim, espero poder dizer isso. Somos fruto de muitos estudos, experiências, sonhos. 
Eu agradeço todos os dias por tudo isso que a humanidade alcançou.
É uma ciência movida pela paixão, aquela em que esquecemos de pensar no depois de amanhã, achando que até lá já teremos resolvido. Assim é nossa questão ambiental.  
A natureza nos inspira a tudo que fazemos, absolutamente. Sem ela, não tem o que
pesquisar, o que deslumbrar-mo-nos. A reciclagem não é um paliativo, ela é genial se posta em prática realmente. Nossos sentimentos são da natureza de nossos pensamentos, também frutos de um sistema biológico complexo, lindo. Nossos pensamentos também podem ser reciclados.
Contudo, ainda considero os humanos frágeis demais. Talvez a tecnologia nos esteja mimando, já que com ela deixamos de nos interiorizar e assim, carentes, nos apoiamos demais em redes sociais virtuais e riquezas materiais, nos tornando dependentes dessas coisas. Não as acho erradas, mas depender
e viver apenas na superficialidade (nem sempre fútil) que todos apresentam nesses meios, já que viramos vitrines, é negativo. 
Pra nós dos anos 90 esse avanço enorme tecnológico pode ser ou muito bom ou muito ruim. Para os mais antigos essa tecnologia atual costuma a ser desesperadora e dá pra entender o por quê. Rapidez, informação, plágio. A trivialidade passa em bandejas, o sexo também. A energia sexual faz o marketing, o marketing faz de nossas mentes mecanismos mais fáceis. 
As teorias borbulham. O preconceito ainda existe, não importa, sempre existirá. Os padrões são pra rotular, os rótulos excluem muitos. A mídia ilude porque nós gostamos de nos iludir. Talvez seja fácil reparar isso... Difícil é tentar não se influenciar por nada disso. Diria impossível. Na busca do sentido a curtição é inevitável, o deleite em tantas formas grosseiras. Antigamente usávamos melhor o ócio? 
Mas há muitos que transformam em arte o que vêem e sentem. É maravilhoso! Meus olhos brilham. a criatividade que o jovem atual apresenta é impressionante. As teorias de estudos antropológicos e sociológicos não servem só pra livros de auto-ajuda. 
Papo furado sempre existiu. A quantidade de pessoas aumenta, é normal, mas a porcentagem produtiva é maior, a democracia fez isso brilhantemente.  
Enfim, agradeço, tudo é interessante e o mundo merece tanto quanto merece o caos que também se cria com as sobras. 

terça-feira, 29 de março de 2011

Dormir!



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Somado a uma dieta saudável e a exercícios regulares, ter um sono repousante o suficiente é a coisa mais importante que você pode fazer para a sua saúde. Um sono adequado é uma das chaves para você sentir e aparentar o seu melhor. Porém, estima-se que até 70% dos americanos estejam seriamente sem dormir. Infelizmente, isto se mostra alinhado com o que vejo na minha prática médica na cidade de Nova Iorque.

Problemas de sono crônicos interferem nos ritmos naturais de seu corpo e roubam o tempo que ele precisa para se revigorar. A incidência de muitas doenças, incluindo o diabetes, a hipertensão, os ataques do coração e a depressão, aumentam com a falta de sono. Pesquisas recentes demonstraram uma conexão entre sono pobre e ganho de peso.

Nós simplesmente não fomos feitos para correr, correr, correr. Nós fomos feitos para correr, correr, correr e então descansar, descansar, descansar. Nós evoluimos de acordo com os ritmos naturais de escuridão e luz; nossas funções corporais refletem isto e passam por flutuações similares. Elas apresentam um melhor desempenho quando nós vivemos em consonância, o máximo possível, com estes ciclos.

É durante o sono que as habilidades de cura inatas do corpo entram em pleno funcionamento. Seu sistema imunológico se revitaliza. Hormônios e metabolismo se equilibram, e a manutenção geral, a afinação refinada e a reparação de todos os sistemas corporais acontecem. Uma boa noite de sono, não apenas de vez em quando, mas com uma periodicidade contínua, é absolutamente crítica para sua boa saúde. A insônia não é uma doença, mas é normalmente um sintoma de um desequilíbrio corporal oculto que não se pode precisar.
Para o êxito real no tratamento da insônia, as causas deste desequilíbrio têm de ser removidas.

As causas ocultas de problemas crônicos de sono mais comuns são:
- Estresse crônico ou sistema nervoso sobre-estimulado;
- Desequilíbrios hormonais (hormônios adrenais, tireóides e reprodutivos, em particular);
- Alimentação pobre (açúcar demais, alimentos refinados e processados e as comidas comuns que causam intolerâncias: glúten e laticínios);
- Estimulantes ou substâncias que podem afetar o sono (álcool, cafeína, medicamentos, drogas recreacionais, ervas e até mesmo algumas vitaminas);
- Disfunção gastro-intestinal;
- Dor crônica;
- Apnéia do sono.

Ainda que cada um de nós seja único e o ideal seja um tratamento indiviualizado, minha experiência mostra que a estratégia mais eficiente de longo prazo para superar o tipo mais comum de insônia no nosso mundo acelerado é harmonizar nossos corpos com o ritmo natural de escuridão e luz.

Isto, em definitivo, traz o corpo de volta em sintonia com o seu ritmo natural. Isto pode ser feito, na maioria das vezes, através de uma mudança de hábitos e comportamentos ruins. Em minha prática, ao se fazer isto, eu tenho visto uma normalização de desquilíbrios e um acalmamento do sistema nervoso super-ativo, as duas causas mais comuns de distúrbios do sono.

Noite e dia
Como um resultado da vivência em parceria com os padrões previsíveis de dia e noite por milhares de anos, estes ciclos e ritmos de 24 horas se imprimiram nos nossos genes e, ao longo do tempo, nós desenvolvemos relógios biológicos internos que funcionam em sincronia com a natureza. Eles são formados por uma variedade de padrões rítmicos que influenciam cada aspecto das funções corporais, incluindo níveis hormonais, digestão, temperatura corporal e sono.

Mas a nossa biologia ainda não se acostumou com a habilidade de viver sem descanso. E um dos principais estresses nos nossos sistemas é que nós estamos vivendo tão fora de sincronia com as flutuações naturais de luz e escuridão.

Nossos corpos evoluíram dependendo de sinais do sol, mas muitas vezes, nós agora nos despertamos sem o sol, vamos pra cama bem depois que já escureceu, trabalhamos dias e dias mais longos em ambientes internos com iluminação artifical e passamos pouco tempo ao ar livre, mesmo no verão.

Durante o dia, nós recebemos iluminação artifical oriunda de bulbos fluorescentes ao invés de luz solar rica em vitamina D, que nossos corpos precisam. Então, à noite, quando nós precisamos que a escuridão dispare a produção essencial de melatonina, a iluminação excessiva desequilibra os nossos ritmos corporais ainda mais.

Desde a invenção do bulbo de luz, e são óbvios os benefícios que ele trouxe, nossos estilos de vida realmente mudaram. Ficar acordado a noite toda pode realmente destruir a nossa saúde. Com a luz, assim como com a comida, nós temos que ser cautelosos para não ficarmos alimentados em excesso ou subnutridos.
É fácil demais perder os verdadeiros sinais que regulam praticamente cada sistema no nosso corpo, sinais primordiais que nós recebemos e sem os quais nós não podemos funcionar adequadamente.

Dicas para dormir
É essencial entender que não é apenas o que você faz à noite que afeta o seu sono. Como você leva o seu dia e começa a noite também tem um papel enorme no quão bem você dorme.

Então, eu reuni algumas dicas gerais para se dormir melhor, divididas em dia, noite e madrugada para que você começe a pensar sobre como o seu corpo é afetado pelo ciclo dia/noite e como você pode entrar mais em sintonia com ele.

DIA  _____________________________________________________________________________
Conservar um senso de calma ao longo do dia, recebendo alguma luz natural e evitando estimulantes é essencial para restaurar a química natural do sono.

1. Acorde certo
Pesquisadores do sono da Clínia Mayo acreditam que se você precisa de um despertador para acordá-lo, é sinal de você não está dormindo certo. Despertadores interropem o ciclo do sono e não permitem que ele se complete naturalmente, incitando problemas de sono nos dias seguintes. Dispositivos que simulam o amanhecer são muito mais eficientes em estabelecer um ciclo de sono saudável e fazer você acordar gentilmente de uma noite de sono.

2. Faça pausas conscientes
Feche a porta do seu escritório ou encontre um canto tranquilo em algum lugar e fique confortável. Faça pausas de 5 minutos ao longo do dia para se concentrar na sua respiração. Se isso é desafiador, então concentre-se no seu pé e então nas suas mãos. Sinta-os por alguns minutos, desenvolvendo consciência sobre eles. Isto irá te acalmar. Desacelerar a sua mente acalma o seu corpo, e este é um perfeito antídoto para o estado de estresse no qual nós freqüentemente nos encontramos.

3. Exponha-se a um pouco de luz todos os dias
Nós vivemos e trabalhamos em ambientes iluminados com luz artificial e muitas vezes perdemos o nosso mais importante sinal regulador de todos: a luz natural. Pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins descobriram que é a própria luz que governa os nossos padrões do sono.

À medida que a luz do sol entra nos nossos olhos, ela regula e restabelece o nosso relógio biológico, que aciona o nosso cérebro e o nosso corpo para liberar susbtâncias químicas específicas e hormônios vitais para a saúde do sono, o humor e o envelhecimento. Estudos mostram que adultos na América estão passando menos de uma hora ao ar livre por dia, muito menos do que no passado. Tente se expor de forma regular à luz natural do sol por, pelo menos, uma hora por dia.

4. Faça exercícios
Exercitar-se é uma das melhores defesas contra a insônia porque aumenta a amplitude de nossos ritmos diários. O exercício sinaliza o corpo para que este promova ciclos de sono mais profundos. Tanto exercícios aeróbicos quanto anaeróbicos funcionam bem. A melhor hora para se exercitar é de 4 a 6 horas antes de dormir.

Mas estudos também mostram que as pessoas estão mais propensas a manter uma rotina se elas se exercitam logo cedo, de manhã. Em geral, tente evitar exercícios depois das 8 da noite, já que isto pode ser estimulante demais para seu corpo e dificultar que você adormeça. Este efeito varia, no entanto, de pessoa para pessoa. Faça um plano de exercícios que funcione para você e que você possa manter.

5. Não mais cafeína
Cafeína, mesmo em doses pequenas, bloqueia os neurotransmissores do sono, substâncias químicas calmantes que o seu corpo produz para fazer você dormir. Se você tem um problema para dormir, você precisa, obrigatoriamente, cortar todas as bebidas cafeinadas, até mesmo a sua xícara de café na parte da manhã. Mas cafeína não está só no café. Está em refrigerantes e em outras bebidas sem álcool, chás, includindo chás de ervas, chocolates e alguns remédios.

Há um pouco de cafeína até mesmo em café descafeinado. A cafeína é um estimulante poderoso com efeitos que podem durar até 7 horas. Em pessoas com problemas de fígado, ou que estejam tomando remédios contraceptivos orais ou outros medicamentos (Anacin e Excedrin, por exemplo), os efeitos da cafeína pode durar muito mais. Ela interfere nos ritmos reguladores naturais e seu uso crônico pode criar um sério desequilíbrio no corpo.

6. Tente uma dieta de eliminação
Vá em frente! Por duas semanas, elimine o açúcar, xaropes, refrigerantes, grãos refinados e alimentos processados. Eles interrompem o metabolismo e estressam os orgãos envolvidos na regulação hormonal, podendo afetar seriamente seus ciclos do sono. Além disso, evite produtos laticínios ou que contenham glúten, especialmente trigo, durante duas semanas. Eles podem causar reações adversas ou alergias que também afetam seu ciclo do sono.

7. Coma de acordo com os ritmos do seu corpo
Seu sistema digestivo tem um pico no horário do almoço. Então, a maior parte da sua comida deve ser ingerida neste horário. Seu metabolismo diminui no final da tarde, deixando-o(a) mal preparado(a) para digerir um jantar farto; em outras palavras: faça um jantar leve. À noite, seu jantar deve ser feito pelo menos 3 horas antes de dormir. Ofereça ao seu corpo a chance de se recuperar e se refazer, ao invés de ter que trabalhar na digestão enquanto você dorme.

8. Atente para medicamentos ou outros remédios que você esteja tomando
Medicamentos tais como antihistamínicos, diuréticos, antipsicóticos, antidepressivos, descongestionantes, remédios para asma e alguns para pressão arterial podem causar falta de sono, deixando-o num estado de alerta. Se você está tomando qualquer medicação que possa interromper o seu sono, converse com o seu médico sobre uma alternativa.

NOITE  __________________________________________________________________________
Esperar que você passe de um estado de alta velocidade para uma posição imóvel sem desacelerar primeiro é fora da realidade. Você deveria se preparar para o sono oferecendo os sinais certos ao seu corpo.

Leva tempo para produzir os neurotransmissores necessários para que o centro de sono do cérebro libere os hormônios que farão você dormir. A redução de estímulos à noite antes de você ir pra cama aumenta a produção de hormônios do sono. Tirar algum tempo para relaxar e preparar o ambiente antes de você saltar na cama irá contribuir para uma boa noite de sono.

9. Crie um pôr-do-sol eletrônico
Por volta de 10 horas da noite, pare de ficar sentado na frente do seu computador ou televisão e desligue todos os outros aparelhos eletrônicos. Eles são estimulantes demais para o seu cérebro e inibem a liberação de neurotransmissores do sono.

10. Prepare-se para dormir
Reduza as luzes uma hora antes de ir pra cama, tome um banho morno, escute músicas que acalmem ou sons relaxantes. Remova todas as distrações (mentais ou físicas) que irão te impedir de dormir.

11. Pratique uma técnica de relaxamento
Excesso de estresse é uma das causas mais comuns de distúrbios do sono. Então, aprender a relaxar é crucial. Muitas pessoas dizem que não conseguem desligar suas mentes aceleradas e, como conseqüência, têm problemas para dormir. Faça alguns exercícios de respiração, yoga restaurativa ou meditação. Eles irão acalmar sua mente e reduzir os medos e preocupações que disparam o estresse.

MADRUGADA  __________________________________________________________________
Desenvolver uma consistência e otimizar o ambiente em que se dorme é essencial.

12. Crie uma rotina regular
Ir pra cama sempre no mesmo horário, mesmo nos finais de semana, é a melhor coisa que você pode fazer para estabelecer bons hábitos de sono. Nós ficamos acordados até tarde nos finais de semana, deixando para dormir mais tarde, ou usamos o sábado e o domingo para compensar o sono perdido durante a semana.

Ambas as práticas interrompem os nossos ritmos corporais e varar a madrugada nos finais de semana, em particular, pode causar insônia durante a semana de trabalho. Nós geralmente pensamos que nós podemos recuperar o sono perdido indo pra cama mais cedo numa outra noite.

Mas a habilidade do relógio biológico em regular os padrões de sono saudável depende de consistência. Um ritmo de sono regular lembra o cérebro de quando liberar hormônios do sono e do despertar, que, por sua vez, afetam todos os outros hormônios e, em última instância, nossa saúde em geral.

13. Mantenha seu quarto o mais escuro possível
Nossos corpos precisam de escuridão completa para a produção de um importante hormônio do sono: a melatonina. Se o seu quarto não está numa escuridão total quando você vai dormir, ele interfere neste processo chave e interrompe seus ritmos circadianos. Mesmo aquela luzinha mais minúscula no quarto pode impedir a glândula pineal de produzir hormônios, atrapalhando seus ritmos do sono.

Olhe ao redor do seu quarto em busca de luzes indicadoras e tente removê-las ou cobri-las: leitores de alarmes, luzes indicadoras do carregador de celular ou PDA’s, o monitor do computador, luzes indicadoras de bateria em telefones sem fio ou secretárias eletrônicas, o timer do DVD etc. Cubra todas estas luzes de qualquer aparelho eletrônico e use cortinas ou persianas escuras nas janelas se elas estão expostas à luz. Se nada disso for possível, use uma viseira.

14. Mantenha seu quarto gelado
Diminuir a temperatura ambiente envia um sinal de feedback para o centro de sono do cérebro avisando que é noite e que ele precisa liberar mais hormônios do sono. Uma temperatura entre 15,5ºC e 18,3ºC é a melhor para a maioria das pessoas, mesmo no inverno. Em climas quentes, use um ventilador de teto ou de chão para criar uma brisa, ou um ar condicionado programado na faixa de 21ºC.

15. Bloqueie o barulho
Se o barulho da rua, do vizinho de cima, de um cachorro ou de um(a) parceiro(a) é o problema, tente usar um tampão de ouvido, um aparelho eletrônico que produza o barulho branco ou um ventilador que “sussurre” para abafar os sons externos.

16. Não conte com soníferos para pegar no sono e permanecer sonolento
Soníferos mascaram os problemas do sono e não resolvem as causas por trás da insônia. Muitos estudos do sono concluiram que o uso de soníferos no longo prazo, sejam eles prescritos por um médico especialista ou comprados no balcão da farmácia, fazem mais mal do que bem.

Eles podem ser altamente viciantes e estudos descobriram que eles são potencialmente perigosos. Se você tem tomando soníferos por um longo período, peça ao seu médico para te ajudar a traçar um plano para eliminá-los.

17. Não use o álcool para adormecer
Devido ao efeito sedativo do álcool, muitas pessoas acreditam que ele possa promover o sono. O álcool não tem um efeito indutor do sono, mas à medida que ele se processa no corpo ele envia os sinais metabólicos errados que podem te fazer acordar mais tarde. O álcool geralmente prejudica o sono durante a segunda metade da noite, levando a uma redução do tempo total de sono.

18. Tome nutrientes que acalmam o sistema nervoso
Ao invés de tomar soníferos ou álcool, tente alguns suplementos ou ervas que têm um efeito calmante de meia hora a uma hora antes de ir pra cama. Magnésio (300-600mg) pode ser útil, assim como cálcio. Os aminoácidos L-tianina (100-500mg), 5HTP (50-100MG), taurina e GABA, e ervas como melissa, maracujá, camomila, magnólia e raiz de valeriana também pode ajudar.

19. Experimente tomar um pouco de melatonina à noite
Para algumas pessoas, a melatonina pode ser extremamente útil. A dosagem que eu geralmente utilizo está entre algo como meio miligrama e três miligramas antes de dormir (tabletes sublinguais são melhores que os orais). Melatonina é bom para começar o sono, não para mantê-lo.

20. Não faça do seu sono uma questão de performance
No geral, pensar sobre o seu sono afeta sua habilidade para adormecer. O que acontece freqüentemente é que a maneira como nós lidamos com a insônia se torna um problema tanto quanto a insônia em si. Com freqüência, nos vemos em um ciclo vicioso de preocupação sobre a nossa incapacidade de dormir, que contribui para piorar os problemas do sono.

Como muitas coisas na vida, o segredo é deixar as coisas acontecerem e seguir com a maré. Se você não consegue pegar no sono, não lute contra isto – ao contrário, tente fazer algo que irá te ajudar a relaxar, e tente novamente. O sono precisa se tornar um ritmo natural como a respiração, algo que vem automaticamente.

Ainda que a enorme maioria dos meus pacientes tenham se beneficiado com estas dicas, endereçar as causas particulares, mais especificamente em alguns casos, é necessário. Pessoas que apresentam disfunções gastro-intestinais, adrenais ou de tireóide, e mulheres em perimenopausa ou menopausa podem precisar de tratamentos adicionais direcionados.

Pessoas que sentem dores podem precisar de tratamentos mais específicos e para os insones crônicos, especialmente os obesos ou com ronco severo, é uma boa idéia excluir a apnéia do sono como causa. A apnéia é uma condição séria que afeta pelo menos 12 milhões de americanos, muitos do quais não diagnosticados.

Eu sei pela minha experiência pessoal, e de muitos pacientes que já vi, que incorporar estas dicas para dormir em nossas vidas pode fazer uma diferença tremenda. Não há nada como sair de um estado de acabado e exausto e se recuperar, voltar à vida com uma nova rotina de sono, entrando na “onda” do sono e começando a dormir bem.

O poeta britânico Thomas Dekker observou que dormir é “a corrente dourada que une a saúde e o corpo”. Eu não poderia estar mais de acordo. Meus votos de uma boa noite com uma periodicidade regular.

One love,

Frank


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"Why You Need It and How to Get More of It", por Frank Lipman, foi originalmente publicado no newsletter do site Goop, em março de 2010.  

Leia mais: http://www.durmamelhor.com/2010/03/20-dicas-incriveis-para-dormir-bem.html#ixzz1I1fKlViR
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Dicas pra dormir bem  http://www.emocutez.com
  • Vá deitar apenas quando está sonolento – de outra forma, você ficará
    se revirando na cama, pensando em como não consegue dormir, e tornará o
    processo mais difícil.
  • Se você não dormir dentro de 20 minutos, levante e vá fazer algo
    realmente chato – é a hora perfeita para ler o manual de instruções de
    sua geladeira. Faça algo chato, que te deixe com sono.
  • Não tire sonecas durante o dia – isso vai garantir que você esteja com sono e cansado na hora de dormir.
  • Não faça exercício antes de dormir – tente não se exercitar, pelo
    menos, durante 4 horas antes de dormir. Não estamos dizendo que não é
    para fazer exercício. Uma boa caminhada até ajuda na hora do sono, mas
    tente fazer isso pela manhã ou pela tarde. Durante a noite é hora de se
    recolher – permitindo que seu corpo relaxe.
  • Desenvolva pequenos “rituais” antes de dormir – tome um chá ou leite
    morno, ou relaxe ouvindo música suave. É importante dar ao seu corpo
    algumas “pistas” de que você está se preparando para dormir, para que as
    atividades dele também adquiram um ritmo mais relaxado.
  • Use sua cama apenas para dormir – evite comer, estudar ou trabalhar
    deitado em sua cama. Quando você for para cama, seu corpo deve saber que
    você está prestes a dormir (sexo é a exceção).
  • Fique longe de cafeína, nicotina e álcool durante 4 horas antes de
    dormir – cafeína e nicotina são substâncias estimulantes que atrapalham
    seu sono. Evite café, coca-cola, chá verde e preto, cigarros e
    chocolate. E, quanto ao álcool, pode até parecer que ele ajuda você a
    cair no sono, mas a qualidade desse sono não será a desejada – você irá
    acordar várias vezes durante a noite.
  • Faça um lanche leve antes de dormir – se seu estômago está vazio,
    você ficará sentindo fome e isso pode interferir em seu sonho. No
    entanto, não é a hora ideal para comer aquele Big Mac. Lanches pesados
    podem interferir da mesma forma. Tente ingerir produtos que contenham
    triptofano, uma substância que induz o sono – os alimentos mais
    conhecidos são o peru e o leite.
  • Tome um banho quente duas horas antes de dormir – um banho quente
    irá elevar a temperatura de seu corpo. No entanto, é a queda de
    temperatura que o faz se sentir sonolento. Logo, tome um banho quente e
    espere seu corpo esfriar. O sono virá.
  • Torne seu quarto e sua cama confortáveis – um quarto muito frio ou
    quente pode ser desconfortável. Além de fazer você perder o sono, você
    precisará levantar par abrir a janela ou pegar um cobertor. Tenha
    certeza de que está tudo preparado, antes de você se deitar. Se a luz
    que entra no seu quarto de manhã cedo o incomoda, compre uma cortina com
    blecaute. E, se o problema for barulho, compre tampões de ouvido.


domingo, 20 de março de 2011

Abismo em carne viva

Existem muitas imagens difíceis de ver e procurar, mas é preciso. Quando muito pequena, perguntei pro meu irmão: - Nós matamos os animais pra comer? . Ele disse: "Não, quando eles morrem naturalmente, de velhinhos, é que usamos sua carne". 
É ridículo confessar que acreditei nisso durante muito tempo, julgando que criavam bois em uma fazenda feliz pra depois, quando morressem naturalmente, recolhessem pra alimentação. 
Hoje em dia temos muita informação, mas antigamente era um problema. Imagine ainda em uma família que têm carne todos os dias e vê caminhões da ricca passando com desenhos de galinhas felizes =s.
Depois que meu irmão me respondeu isso, fiquei pensando porque então não comemos carne de pessoas que já morreram, sei lá, de um avô morto por ex. ''de repente nossa carne não é comestível (...)". E cheguei a ler também: "Não podemos comer carne de animais mortos por velhice etc. pela doenças que podem ser causadas (...)". Até concordei um pouco e escapei ainda ao pensar que não é algo horrível comer carne, já que jesus comia peixe. Escapismos de merda, confesso². Depois, já tendo parado de comer carne, li um pequeno livro (quase que folheto) com perguntas  feitas por para Srila Prabhupada (fundador da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna e responsável por trazer a mesma filosofia para o ocidente) que continha algo muito interessante:  comemos comidas feitas de várias formas, inclusive estragadas propositalmente. Tem uma porrada de exemplos desse tipo, além de lembrar que bebemos bebidas prejudiciais, fumamos cigarros e outras coisas que também não são "apropriadas". Coca-cola por exemplo, cadê o benefício? É bizarro. Desconhecemos pelo menos 70% do que é constituído as coisas que compramos e comemos! 
Enfim, não gosto de interferir no livre-arbítrio de ninguém e nem mesmo julgar as pessoas, não faz sentido fazer algo assim se a sociedade ocidental inteira alimenta nossos pensamentos com essas coisas. 
Acho que também seria legal colocar os malefícios da carne e tal, só que ao mesmo tempo perde o sentido da questão da matança, toda aquela questão da dor que cada ser vivo sente. Dizem que o mais importante é nossa consciência - mas como se não temos informação?
 




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mitos sobre o cérebro humano

7 Mitos sobre o cérebro humano

Mitos sobre o cérebro1. Humanos têm o cérebro maior que todos os outros animais. Embora nós sejamos os mamíferos mais inteligentes, nós não temos os maiores cérebros do planeta. Baleias e elefantes têm cérebros maiores que humanos, mas seus cérebros são obviamente menos desenvolvidos. O que nos torna únicos é a nossa relação entre peso cerebral e peso corporal, que gira em torno de 1:50 para humanos. Para os outros mamíferos é em torno de 1:180, enquanto para a maioria dos pássaros é 1:220.

2. As dobras do cérebro aumentam à medida que se aprende. O cérebro de todo mundo tem dobras. As dobras do nosso cérebro permitem ao cérebro ter uma área superficial maior num espaço pequeno. Cientistas acreditam que a grande área superficial proporcionada pelas dobras é uma das razões que nos torna melhores pensadores do que outros mamíferos no reino animal. Ao longo dos anos, nosso cérebro muda em várias áreas, mas as dobras que nosso cérebro desenvolveu permanecem iguais até o dia da nossa morte.

3. Você pode aprender por osmose. Quem não gostaria de poder aprender coisas novas apenas por absorção de mensagens, como ouvindo a mensagens subliminares, ao invés de ter que estudar? Estudos recentes têm demonstrado que ver ou ouvir mensagens subliminares por uma fração de segundo não necessariamente ajuda no aprendizado. Outros estudos têm desafiado a afirmativa de que você pode aprender um idioma enquanto dorme simplesmente ouvindo a gravações. Infelizmente, praticamente todo aprendizado requer esforço consciente.

4. Um cérebro danificado nunca sara. Uma lesão cerebral leve, como uma concussão, geralmente sara por completo. Aqueles que sofrem danos severos por AVC, sangramentos e lesões físicas podem se recuperar, pelo menos parcialmente, e mesmo pessoas em coma durante anos tem ocorrido de acordarem. Nosso cérebro possui habilidades maravilhosas de se reparar. Mas é importante também desenvolver suas reservas funcionais e exercitar suas habilidades cognitivas.

5. Drogas e álcool criam buracos no cérebro. O uso intenso de narcóticos pode certamente danificar seu cérebro, porém não forma buracos no tecido cerebral. Outra falácia é que células cerebrais morrem por causa do consumo de álcool. O que realmente acontece é que o abuso de álcool e drogas retarda a atividade em certas áreas do cérebro e, como resultado, imagens do cérebro parecem mostrar buracos nessas áreas. Portanto, essas imagens representam simplesmente que essas áreas do cérebro têm níveis de atividade reduzidos... o que já não é uma boa coisa. A clínica do Dr. Amen é famosa por este tipo de imagem e várias delas podem ser encontradas aqui.
6. Usamos apenas 10% do nosso cérebro. Embora você nunca utilize toda a sua capacidade cerebral ao mesmo tempo, o valor de 10% é simplesmente um mito. No artigo da Scientific American intitulado Do People Only Use 10 Percent of Their Brains? (As pessoas usam apenas 10% do cérebro?), o neurologista Barry Gordon da Escola de Medicina John Hopkins em Baltimore explica, “Na verdade nós usamos virtualmente todas as partes do cérebro e o cérebro (quase todo) está ativo o tempo todo.” E acrescenta, “Vamos colocar dessa forma: o cérebro representa 3% do peso corporal e utiliza 20% da energia corporal.”

7. Nosso cérebro é cinza. Embora seja verdade que uma parte do nosso cérebro seja cinza claro – todos já ouvimos o termo “substância cinza”, que refere-se aos corpos celulares dos neurônios – outras partes do nosso cérebro são brancas, vermelhas, rosadas e mesmo pretas. A “substância branca” consiste de feixes nervosos que conectam as células nervosas, enquanto as áreas vermelhas e rosadas possuem essa cor por causa do sangue e dos vasos sanguíneos. As áreas pretas são encontradas no diencéfalo e têm essa cor por causa da neuromelanina, que é similar ao pigmento no nosso cabelo e pele.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Inconsequências didáticas

A culpa não é do cérebro!
Por que temos tantos “Pitágoras” para tão poucas “Theanos”?! Será que o cérebro das mulheres é menos inclinado a entender a Matemática?! Não é o que diz o estudo de Janet Hyde e Janet Mertz da Universidade de Wisconsin-Madison, publicado em junho de 2009, na PNAS. Para as pesquisadoras o potencial “biológico” feminino para a Matemática é igual ao dos homens, mas elas acabam tendo menos incentivo para se empenhar nesta área de conhecimento. O que não ocorre no Oriente, já que meninas criadas em países asiáticos costumam ter, em média, notas maiores que as dos EUA. Sendo assim, ao invés de uma diferença biológica inerente ao sexo, a chave do problema parece ser uma questão sociocultural! (LSBP, jun 2009)
Hyde J S, Mertz J E (2009). Gender, culture, and mathematics performance. PNAS 106 (22), 8801-8807.''


  "Matemática em meninas não vem do berço, e sim de estereótipos... e da professora...

O gosto pela matemática divide as opiniões dos estudantes desde que estão nos primeiros anos do ensino fundamental. Há os que adoram o mundo dos números e há os que torcem o nariz só de pensar em fazer uma multiplicação. Muitos destes últimos manifestam uma grande ansiedade em relação à matemática, que pode ser definida como uma resposta emocional desagradável à matemática, e que é mais comum em mulheres do que em homens. O fato dessa ansiedade em relação à matemática ser mais comum em mulheres, ou meninas, é usado por alguns como evidência de que já na infância as mulheres seriam menos aptas para a matemática do que os homens.
Isso, no entanto, não é necessariamente verdade – e, aliás, há evidências de que não há uma inaptidão inata de qualquer dos sexos para a matemática. Ao contrário, a ansiedade em relação à matemática poderia ser... aprendida. E aprendida, por exemplo, da própria professora de matemática.
Isso é o que descobriram Sian Beilock e colegas, da Universidade de Chicago, em uma pesquisa com estudantes e professoras do ensino fundamental nos EUA, onde 90% dos professores do ensino fundamental são mulheres. O grupo testou as habilidades matemáticas e o grau de ansiedade com relação à matemática de 17 professoras da 1ª e 2ª série do ensino fundamental (mas não professores). Também os estudantes, nos três primeiros meses de aula e nos dois últimos, tiveram testadas suas habilidades matemáticas e sua crença no estereótipo acadêmico de gêneros (“meninos são melhores em matemática e meninas são melhores em leitura”). Afinal, seria possível que a ansiedade matemática das professoras levasse a um menor desempenho das alunas em matemática se estas se acreditassem intrinsicamente ineptas, como sua professora, para a matemática.
Para avaliar a crença no estereótipo acadêmico, os pesquisadores contavam duas histórias isoladas sobre um estudante (sem distinção de sexo, o que funciona em inglês) bom em matemática e um estudante (também sem distinção de sexo) bom em leitura e pediam às crianças para desenhar cada um dos personagens. Os cientistas perguntavam, então, às crianças se os personagens que haviam desenhado eram menino ou menina. O exercício foi realizado duas vezes: no início e no fim do ano letivo.
Resultado: no fim, mas não no início do ano letivo, as meninas lecionadas por professoras com ansiedade matemática tinham maior propensão a acreditar no estereótipo “meninos são bons em matemática e meninas são boas em leitura”. Ao final do ano, essas meninas, alunas de professoras com ansiedade matemática, também tinham menor desempenho matemático em relação aos meninos de sua classe e em relação às meninas da mesma classe que não acreditavam no estereótipo – embora no começo do ano todos tivessem desempenho igual. Os meninos, aliás, não parecem ser afetados pela ansiedade da professora, tenham eles ou não crença no estereótipo acadêmico.
A influência da ansiedade das professoras somente sobre as meninas pode ser atribuída ao fato de crianças em idade escolar (1a e 2a séries) tenderem a se espelhar nos adultos de mesmo sexo para compor seu repertório de comportamentos socialmente aceitáveis. Além disso, essas crianças já conhecem crenças comumente aceitas sobre gêneros e habilidades a elas atribuídas, e tendem a adotar comportamentos e atitudes que elas pensam ser adequados a cada sexo. Sendo assim, se a professora demonstra ansiedade em relação à disciplina e o senso comum diz que os meninos são melhores do que as meninas em matemática, muitas meninas acreditam nisso e sentem-se desmotivadas em desafios matemáticos. Essa falta de motivação tem uma influência direta no desempenho dessas meninas, que acaba sendo pior do que o esperado. Aliada à aceitação do estereótipo, a ansiedade matemática da professora, portanto, leva a queda do desempenho na disciplina, mesmo que a pessoa tenha habilidades suficientes para obter sucesso com os números.
Não se deve, contudo, colocar a culpa só na professora: há muitas outras fontes prováveis de influência no desempenho matemático das meninas, como professoras anteriores, pais, mães e irmãos, que reforçam ou não o estereótipo de habilidades acadêmicas.
O importante é lembrar que o desempenho geral de meninas e meninos não apresenta diferenças inatas: as habilidades são as mesmas entre os sexos, e o que difere é o estímulo que é dado a meninos e meninas para desenvolver suas competências.
(SAC, 12/03/10).

Fontes: Beilock SL, Gunderson EA, Ramirez G, Levine SC (2010) Female teacher´s math anxiety affect girls’ math achievement. PNAS 107, 1860-1863.